Todo o que fermenta, e tempera, e mistura (três verbos que descrevem o mesmo fenômeno: uma pequena quantidade de fermento, tempero ou alimento proibido que se combina ativamente com a massa ou a panela comum, alterando seu sabor ou sua composição, mesmo que a quantidade absoluta seja mínima) com a trumá, e com a orlá, e com o kilei hakerem, é proibido (diferentemente das misturas passivas tratadas nas mishnayot anteriores, aqui não há proporção que anule — mesmo uma quantidade infinitesimal de fermento ou tempero proibido, se sua ação de fermentar ou temperar é perceptível no resultado, torna tudo proibido). E Beit Shamai dizem: também torna impuro (a mesma pequena quantidade de fermento ou tempero, se estava ritualmente impura, transmite impureza a toda a massa ou ao prato, independente da quantidade). E Beit Hilel dizem: nunca torna impuro, a menos que haja nele o volume de um ovo (Beit Hilel discordam: para efeitos de impureza ritual — diferente da proibição de consumo —, aplica-se a medida padrão de "ovo" que rege a impureza de alimentos em geral, independentemente do efeito de fermentar ou temperar).
A mishná trata de um princípio rabínico de intensificação da proibição quando o alimento proibido age ativamente sobre o permitido, aplicado às três categorias já mencionadas nas mishnayot anteriores.
Por que o fermento ou tempero proibido não se anula por proporção, ao contrário da trumá ou da orlá "passiva" das mishnayot anteriores? A resposta, explicada pelos comentadores, está na natureza da ação: quando um grão de fermento faz toda uma porção de massa fermentar, seu efeito não é "diluído" pela quantidade da massa — ao contrário, o efeito dele está presente e ativo em cada parte da massa fermentada, por menor que seja a quantidade original do fermento. O mesmo vale para o tempero: seu sabor se espalha por toda a panela, tornando irrelevante a proporção numérica entre a quantidade do tempero e a quantidade do prato. Este princípio — de que "o que fermenta e tempera proíbe em qualquer quantidade" — reaparecerá, com maior detalhamento, nas mishnayot 6-9 deste capítulo.
O Rambam codifica este princípio em Hilchot Maachalot Assurot 16:1-2, no âmbito das leis gerais de anulação de misturas.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná, e sobre a disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel.
Diz [a mishná] que quando alguém amassa com fermento e a massa fermenta, mesmo que aquele fermento seja menos que a medida [padrão], já que sua ação se tornou manifesta, atentamos para ele, e não atentamos nem para cem nem para duzentos (a chave da explicação do Rambam: o critério de "sua ação se tornou manifesta" — nitparsemá peulató — substitui inteiramente o critério de proporção, porque o efeito do fermento é visível e ativo em toda a massa). [Sobre a disputa] Beit Shamai dizem: também torna impuro: seu sentido é que, já que fez fermentar com fermento impuro, mesmo que seja menos que o volume de um ovo, tornará tudo impuro, pela mesma lógica de que sua ação se tornou manifesta (Beit Shamai aplicam o mesmo raciocínio da proibição também à impureza ritual — o efeito visível do fermento dispensa a medida padrão de "ovo").
"Todo o que fermenta e tempera etc.": assim se lê o versículo: todo o que fermenta [a massa] e tempera [a panela] com orlá e com kilei hakerem é proibido (o Bartenura organiza a estrutura sintática da mishná, associando cada verbo — fermentar, temperar — a um objeto — massa, panela). [Sobre Beit Hilel] "Até que haja nele o volume de um ovo": pois nenhum alimento torna impuro em quantidade menor que um ovo, seja fermento e tempero, seja qualquer outro alimento (a posição de Beit Hilel, que prevalece como halachá: a medida de "ovo" é uma regra geral e fixa de toda a impureza de alimentos — tumat ochlin —, que não se altera pelo fato de o alimento em questão ser, além disso, um fermento ou tempero ativo).