E por que disseram: todo o que fermenta, e tempera, e mistura, para ser mais rigoroso? (a mishná retoma a regra de 2:4 — que qualquer quantidade de fermento ou tempero proibido torna tudo proibido — e pergunta pelas condições exatas dessa aplicação) Tipo com seu próprio tipo (a resposta: essa regra rigorosa de "qualquer quantidade" vale apenas quando o fermento ou tempero proibido é do mesmo tipo de grão ou alimento que o permitido no qual caiu). Para ser mais leniente e mais rigoroso, tipo com tipo diferente (quando os tipos são diferentes, aplica-se um critério distinto — às vezes mais leniente, às vezes mais rigoroso, dependendo do sabor perceptível). Como assim? Fermento de trigo que caiu dentro de uma massa de trigo (exemplo do primeiro caso: mesmo tipo com mesmo tipo), e há nele o suficiente para fermentar, seja havendo nele o suficiente para subir em um e cem, seja não havendo nele o suficiente para subir em um e cem, é proibido (quando os tipos são idênticos, a proibição de "qualquer quantidade" prevalece incondicionalmente sobre o critério de proporção). Não havendo nele o suficiente para subir em cem e um, seja havendo nele o suficiente para fermentar, seja não havendo nele o suficiente para fermentar, é proibido (mesmo sem capacidade de fermentar ativamente, a proporção insuficiente de cem-e-um já basta, por si só, para proibir — reafirmando que, no caso de mesmo tipo, há dois caminhos independentes e cumulativos para a proibição: o efeito de fermentação, ou a simples insuficiência da proporção).
A mishná continua a desenvolver, sem nova fonte bíblica direta, a distinção entre proibições que agem por efeito (fermentar/temperar) e proibições regidas por proporção volumétrica.
Por que a distinção entre "mesmo tipo" e "tipo diferente" é tão importante a ponto de merecer uma mishná dedicada? Porque ela evita um mal-entendido crítico sobre a regra de 2:4. Sem esta mishná, poder-se-ia pensar que "fermentar ou temperar proíbe em qualquer quantidade" é uma regra absoluta, válida mesmo quando os dois alimentos são de tipos completamente diferentes (por exemplo, um tempero de gergelim caindo num prato de carne). A mishná esclarece que não é assim: a regra da "quantidade zero" vale apenas quando ambos os elementos compartilham o mesmo tipo — pois aí o efeito de fermentação e a proximidade de tipo se reforçam mutuamente. Quando os tipos diferem, o critério muda para o sabor perceptível (noten taam), que será explicado com exemplo próprio na mishná seguinte.
O Rambam sintetiza esta distinção geral em Hilchot Maachalot Assurot 15:1 e 16:1-2.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Porque disse, no que precedeu, "o que fermenta, tempera e mistura", [a mishná anterior] não esclareceu que isto se aplica apenas a [mesmo] tipo, [esta mishná] pergunta e diz "e por que disseram: todo o que fermenta etc." — e a resposta está embutida no exemplo, ou seja, em dizerem "como assim" (o Rambam nota a estrutura retórica: a mishná formula uma pergunta explícita sobre a mishná anterior, e sua resposta vem não como uma declaração abstrata, mas através do próprio exemplo prático que se segue — o fermento de trigo em massa de trigo).
"E por que disseram": como se dissesse "e em que assunto disseram" — ou seja, em que circunstância disseram que quem faz fermentar o alimento comum com fermento de trumá... segue-se sempre para o rigor, e ele responde: [quando é] tipo com seu próprio tipo (o Bartenura confirma a leitura do Rambam: a pergunta da mishná busca precisamente as condições — "em que circunstância" — sob as quais a regra rigorosa de 2:4 se aplica sem exceção).