Fermento de alimento comum que caiu dentro de uma massa, e há nele o suficiente para fermentar (o fermento comum, sozinho, já é suficiente para fazer toda a massa fermentar — a massa já está, por assim dizer, "garantida" a fermentar mesmo sem qualquer outro fermento), e depois caiu fermento de trumá, ou fermento de kilei hakerem, e há nele o suficiente para fermentar (um segundo fermento, este proibido, também cai na mesma massa, também em quantidade suficiente para fermentar por si só), é proibido (apesar de o resultado — a massa fermentada — já estar assegurado antes mesmo da chegada do fermento proibido, a massa fica proibida, pois o fermento proibido também contribuiu ativamente para o resultado final, e sua ação, uma vez presente e capaz, não pode ser ignorada apenas porque já havia outra causa suficiente).
A mishná continua a desenvolver o princípio de "fermentar proíbe em qualquer quantidade" (2:4), agora testando seus limites num cenário de causalidade dupla.
Por que a mishná precisa esclarecer que a proibição se aplica mesmo quando o fermento comum já havia garantido a fermentação? Poder-se-ia supor que, uma vez que a massa já estava "destinada" a fermentar por causa do primeiro fermento (o comum), a contribuição do segundo fermento (o proibido) seria irrelevante — um caso de causa já satisfeita, sem efeito prático adicional. A mishná rejeita esse raciocínio: a Halachá não pergunta "o resultado teria acontecido de qualquer forma?", mas sim "o elemento proibido participou ativamente do processo?". Como o fermento de trumá ou de kilei hakerem também tinha, por si só, capacidade de fermentar a massa, sua participação é considerada causal e suficiente para proibir — independentemente de o fermento comum já ter, paralelamente, o mesmo efeito. Este princípio de "não descartar a causa proibida apenas porque havia uma causa permitida concorrente" prepara o terreno para a disputa entre Rabi Shimon e os Sábios na mishná seguinte.
O Rambam trata deste caso dentro do princípio geral de Hilchot Maachalot Assurot 16:13, que aborda misturas de fermento proibido em massa já em processo de fermentação.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Para que não venha à mente que, uma vez que caiu fermento de alimento comum primeiro, [então] o fermento proibido que caiu depois, [poderíamos pensar] que não precisamos nos preocupar com ele — [a mishná] nos ensinou que a coisa não é assim (o Rambam identifica diretamente a suposição errônea que a mishná vem corrigir: a ideia intuitiva de que, uma vez "resolvida" a questão da fermentação pelo primeiro fermento, o segundo se torna irrelevante — e a mishná explicitamente rejeita essa lógica).
"E há nele o suficiente para fermentar — é proibido": isto nos ensina que não dizemos "já que, sem este fermento proibido, a massa já fermentaria por causa do fermento permitido que caiu primeiro, não precisamos nos preocupar com o fermento proibido" (o Bartenura formula exatamente a mesma lógica rejeitada identificada pelo Rambam, deixando claro que esta é a mensagem central e única da mishná — um esclarecimento pontual sobre causalidade concorrente, e não um novo princípio autônomo).