E assim, aquele que saiu de Jerusalém e se lembrou de que tem em sua mão carne sagrada: se passou de Tzofim, queima-a em seu lugar; e se não, volta e a queima diante do Templo, com a lenha da pira. — A carne de sacrifícios sagrados só pode ser consumida dentro dos limites de Jerusalém; se sai da cidade, torna-se desqualificada e deve ser queimada. A mishná trata de alguém que, já a caminho para fora de Jerusalém, percebe que ainda carrega consigo tal carne. A regra depende da distância já percorrida: se ele já passou do local chamado Tzofim — de onde ainda se avista o Templo —, a jornada de volta seria longa demais, e por isso ele pode simplesmente queimar a carne onde está. Mas se ainda não chegou a esse ponto, ele deve voltar até Jerusalém e queimá-la diante do Templo, usando lenha da pira do altar, como convém a algo sagrado.
E até quanto eles voltam? Rabi Meir diz: esta e aquela, na medida de um ovo. — Surge a pergunta: essa regra de "voltar e queimar" se aplica a qualquer quantidade de carne sagrada, por menor que seja, ou existe um limiar mínimo abaixo do qual não vale a pena voltar? Rabi Meir estabelece que tanto para a carne sagrada quanto — retomando o caso da mishná anterior — para o chametz esquecido em casa, a obrigação de voltar só se aplica quando a quantidade envolvida atinge o volume de um ovo, seguindo a mesma medida usada para determinar se um alimento é suscetível à impureza ritual.
Rabi Yehudá diz: esta e aquela, na medida de um caZáit. E os Sábios dizem: carne sagrada, na medida de um caZáit; e chametz, na medida de um ovo. — Rabi Yehudá discorda de Rabi Meir e propõe uma medida menor e uniforme para ambos os casos: um caZáit, a mesma quantidade mínima que torna alguém sujeito a punição por comer algo proibido. Os Sábios, por sua vez, adotam uma posição intermediária que distingue os dois casos: quanto à carne sagrada, por sua santidade mais rigorosa, basta um caZáit para exigir o retorno; mas quanto ao chametz — um alimento comum — só se exige voltar quando a quantidade atinge a medida maior de um ovo, seguindo a lógica de impureza de alimentos aplicada no caso anterior.
O versículo "no santuário não se comerá, ao fogo será queimada" estabelece o princípio geral de que carne sagrada desqualificada deve ser queimada, e a Guemará deriva dele que o local da queima corresponde ao local onde a carne deveria ter sido comida. Como a carne do korban Pessach só pode ser comida dentro dos limites de Jerusalém, sua queima, quando desqualificada por ter saído desses limites, também deve, em princípio, ocorrer dentro da cidade, diante do Templo — daí a exigência de retornar; a disputa da mishná gira em torno de até que quantidade mínima esse retorno continua sendo exigido.
O Rambam decide a halachá conforme os Sábios, distinguindo a medida de um caZáit para a carne sagrada e de um ovo para o chametz, e confirma o critério de Tzofim como limite para queimar no próprio lugar.
E assim, aquele que saiu de Jerusalém e tem em sua mão carne sagrada: se passou de Tzofim, queima-a em seu lugar; e se não passou, volta e a queima diante do Templo, com a lenha da pira. E até quanto eles voltam? Carne sagrada, na medida de um caZáit; e chametz, na medida de um ovo.
Rambam explica a lógica de Rabi Meir e dos Sábios sobre a analogia entre a medida de retorno e a medida de impureza; Bartenura detalha o local de Tzofim e a base escriturística de "no lugar de sua comida, sua queima"; Rashi, na Guemará, conecta este caso ao da mishná anterior e discute o âmbito da queima na pira do altar.
"E assim, aquele que saiu de Jerusalém e se lembrou de que tem em sua mão carne sagrada, etc.": Rabi Meir diz, assim como a impureza de alimentos se dá na medida de um ovo — ou seja, não contamina até que haja nele um ovo —, assim também não se volta senão por um ovo. E Rabi Yehudá diz, assim como quem come da carne sagrada ou do chametz um caZáit é açoitado, assim também se volta mesmo por um caZáit.
E os Sábios estabeleceram uma gradação entre a carne sagrada e o chametz. E a halachá é conforme os Sábios.
"Que tem em sua mão carne sagrada" — que foi desqualificada por sair, pois a muralha de Jerusalém é a barreira das coisas sagradas.
"Se passou de Tzofim" — nome de um lugar de onde se vê o Templo. "E se não, volta e a queima" — pois está escrito "no santuário não se comerá, ao fogo será queimada": no local de sua comida, sua queima.
"Na medida de um ovo" — mas com menos, o chametz se anula em seu coração, e a carne sagrada se queima em seu lugar. E a halachá é conforme os Sábios.
"E assim, aquele que saiu" — no capítulo "Elu Ovrin" (este mesmo perek). "Que tem em sua mão carne sagrada" — e eis que ela está desqualificada por ter saído.
"Tzofim" — lugar de onde se pode ver dali o Templo. "Queima-a em seu lugar" — não o incomodaram a voltar e queimá-la em Jerusalém, já que se afastou muito.
"Esta e aquela" — o chametz de que falamos acima, "e se lembrou de que tem chametz dentro de sua casa", e a carne sagrada que está com ele. Rashi liga assim explicitamente esta última mishná do perek à sétima, mostrando que ambas tratam do mesmo dilema — o que fazer ao se lembrar, em pleno caminho, de algo que ficou para trás — aplicado a dois objetos diferentes: o chametz doméstico e a carne sagrada de peregrinação.