Como se pendura e se esfola? Ganchos de ferro estavam fixados nas paredes e nas colunas, nos quais se pendura e se esfola. E todo aquele que não tem lugar para pendurar e esfolar, havia ali bastões finos e lisos, e coloca-os sobre seu ombro e sobre o ombro de seu colega, e pendura e esfola. — Depois do abate e da aspersão do sangue, cada korban Pessach precisava ser esfolado — retirada sua pele — antes de ser preparado para a queima das partes designadas ao altar. Para isso, o átrio do Templo contava com ganchos de ferro permanentemente fixados nas paredes e nas colunas do local de abate, dos quais os animais eram pendurados. Quando, por causa do grande volume de sacrifícios, todos os ganchos já estavam ocupados, uma solução engenhosa e improvisada era usada: dois homens colocavam sobre os próprios ombros as extremidades de um bastão fino e liso, e o animal era pendurado sobre esse bastão humano.
Rabi Eliezer diz: quando o catorze cai em Shabat, coloca sua mão sobre o ombro de seu colega, e a mão de seu colega sobre seu ombro, e pendura e esfola. — Rabi Eliezer considera que manusear os bastões de madeira em Shabat constituiria um problema de manuseio de objetos não essenciais — já que eles não têm outro uso além dessa função ocasional. Sua alternativa evita esse problema: em vez de bastões, dois homens entrelaçam os próprios braços sobre os ombros um do outro, criando uma estrutura humana sobre a qual o animal é diretamente pendurado, sem envolver nenhum objeto que pudesse levantar dúvidas quanto às leis de Shabat.
A obrigação de esfolar remonta às leis gerais do holocausto na Torá, e é estendida ao korban Pessach por partilhar o mesmo processo de preparo de suas partes destinadas ao altar. A disputa quanto ao uso de bastões em Shabat, por sua vez, é uma questão puramente rabínica sobre a proibição de manuseio (muktzeh) de objetos sem uso próprio no dia de descanso, aplicada dentro do próprio recinto do Templo — onde os Sábios discutiam se e até que ponto essa proibição rabínica se mantinha válida.
O Rambam, no Perush HaMishná, identifica os termos técnicos "ganchos" e "bastões finos e lisos", e conclui que a lei não segue Rabi Eliezer.
"Ganchos" é conhecido, e é um ferro curvo com o qual se pendura o animal para esfolá-lo, e em língua hebraica "mizlag mizlagot". "Bastões finos e lisos" também é conhecido, isto é, polidos. E Rabi Eliezer não permite o manuseio desses bastões, enquanto os Sábios dizem que não há proibição rabínica de descanso dentro do Templo. E a lei não segue Rabi Eliezer.
Bartenura identifica os ganchos e as colunas do local de abate, e explica com precisão a base do bastão humano de Rabi Eliezer; Rashi, na Guemará, descreve o mesmo mobiliário do átrio.
"Como se pendura e se esfola? Ganchos de ferro, etc.": "ganchos" é conhecido, e é um ferro curvo com o qual se pendura o animal para esfolá-lo.
"Bastões finos e lisos" também é conhecido, isto é, polidos. E Rabi Eliezer não permite o manuseio desses bastões, enquanto os Sábios dizem que não há proibição rabínica de descanso dentro do Templo. E a lei não segue Rabi Eliezer — pois é permitido manusear esses bastões, já que não há proibição rabínica de descanso dentro do Templo.
"Ganchos" — pregos cujas cabeças são curvadas para cima. "E nas colunas" — que estavam fixadas na casa de abate do átrio; colunas pequenas chamadas "nanim".
"Lisos" — cuja casca foi descascada. "Quando cai em Shabat" — e não pode manusear os bastões.
"Sua mão sobre o ombro de seu colega" — e pendura o animal pelos tendões de suas patas em seu braço. E a lei não segue Rabi Eliezer, pois é permitido manusear esses bastões, já que não há proibição rabínica de descanso dentro do Templo.
"Ganchos" — pregos cujas cabeças são curvadas para cima. "Nas colunas" — muitas colunas pequenas, chamadas "nanim", como dizemos em Massechet Tamid.
"Fixados" — no átrio, no local da casa de abate. "Lisos" — divididos, com a casca descascada.
"Quando cai em Shabat" — e não pode preparar os bastões. "Sua mão sobre o ombro de seu colega" — e pendura o animal pelos tendões de suas patas em seu braço.