Como se assa o Pessach? Trazem um espeto de romãzeira, enfiam-no desde sua boca até seu orifício de saída, e colocam suas patas e suas entranhas dentro dele — palavras de Rabi Yossei HaGelili. — A madeira de romãzeira é escolhida porque, ao contrário de outras madeiras, não solta líquido quando aquecida — algo essencial, pois qualquer umidade liberada pelo espeto tornaria o assado parcialmente cozido em líquido, violando a exigência de que o korban seja "assado ao fogo". O espeto atravessa o animal inteiro, de uma extremidade a outra, e as patas e as entranhas, depois de removidas, são recolocadas dentro da cavidade do animal para serem assadas junto com o corpo, como se fossem parte dele.
Rabi Akiva diz: isso é uma espécie de cozimento; ao invés, pendura-se as entranhas por fora dele. — Rabi Akiva discorda: colocar as entranhas dentro da cavidade do animal para assar equivale, na prática, a cozinhá-las dentro de um recipiente fechado, pois os líquidos que elas soltam ao esquentar ficam retidos ali dentro, cozinhando o próprio animal por dentro em vez de assá-lo apenas pelo calor direto do fogo. Por isso, Rabi Akiva propõe que as patas e as entranhas sejam penduradas do lado de fora do animal, presas no mesmo espeto acima de sua boca, de modo que assem separadamente, expostas ao fogo, sem cozinhar o corpo do animal por dentro. A halachá segue Rabi Akiva.
Este versículo é a fonte direta da mishná: ele exige que o korban Pessach seja assado ao fogo por inteiro, incluindo suas pernas e entranhas junto com o corpo, e proíbe explicitamente que seja cozido em água. É dessa dupla exigência — assar tudo junto e nunca deixar que se torne "cozido" de qualquer forma — que nasce toda a disputa da mishná: Rabi Yossei HaGelili entende que colocar as entranhas dentro do animal cumpre literalmente "sua cabeça com suas pernas e com suas entranhas", enquanto Rabi Akiva teme que essa mesma prática viole "nem cozido em água", já que os líquidos retidos internamente acabam cozinhando o animal por dentro.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica a razão prática da escolha da madeira de romãzeira e fixa a halachá conforme Rabi Akiva.
A razão pela qual escolheram a madeira de romãzeira é que dela não sai líquido quando se aquece, para que não se torne cozido em água; e a halachá segue Rabi Akiva.
Bartenura detalha por que apenas a madeira de romãzeira serve para o espeto e explica a objeção de Rabi Akiva; Rashi, na Guemará, acrescenta a base bíblica da exigência de "assado ao fogo" contra qualquer outra forma de cozimento.
"Como se assa o Pessach? Trazem um espeto etc.": a razão pela qual escolheram a madeira de romãzeira é que dela não sai líquido quando se aquece, para que não se torne cozido em água; e a halachá segue Rabi Akiva.
"Como se assa": "espeto de romãzeira" — e não outras madeiras, pois soltam líquido e ficaria como cozido em água, e a romãzeira não solta líquido. E com espeto de metal, não — como se explica adiante, pois quando parte dele esquenta, tudo esquenta, e o animal fica assado por causa do espeto, e o Misericordioso disse "assado ao fogo" e não assado por causa de outra coisa.
"Isso é uma espécie de cozimento" — pois as entranhas se cozinham dentro dele como dentro de uma panela. "Pendura-se por fora dele" — enfiam-nas no espeto acima da boca do cordeiro. E a halachá segue Rabi Akiva.
"Mishná: como se assa" — "espeto de romãzeira": a razão se explica na Guemará.
"E coloca suas patas etc." — como está escrito "assado ao fogo, sua cabeça com suas pernas" etc., dando a entender que tudo é assado como um só.
"Isso é uma espécie de cozimento" — pois ele cozinha suas entranhas dentro dele como dentro de uma panela. "Pendura-se por fora dele" — enfiam-nas no espeto acima da boca do cordeiro.