Untou-o com azeite de teruma: se é um grupo de cohanim, comerão. Se é de israelitas — se está cru, lavará; e se está assado, raspará a parte externa. — Se, ao preparar o korban Pessach, alguém o untou com azeite consagrado como teruma, algo que só cohanim podem consumir, a solução depende de quem compõe o grupo designado para aquele Pessach. Se o grupo inteiro é formado por cohanim, não há problema algum: eles podem comer normalmente tanto a carne quanto o azeite de teruma que a envolve, pois ambos lhes são permitidos. Mas se o grupo é de israelitas comuns, que não podem consumir teruma, é preciso remover o azeite antes de comer: se o animal ainda está cru, basta lavá-lo, pois a superfície ainda não absorveu o azeite profundamente; mas se já foi assado, o calor fez o azeite penetrar na carne, e por isso é necessário raspar toda a camada externa onde ele se absorveu.
Untou-o com azeite de segundo dízimo, não o converterá em dinheiro cobrado dos membros do grupo, pois não se resgata o segundo dízimo em Jerusalém. — Se o korban foi untado com azeite consagrado como segundo dízimo — que normalmente pode ser resgatado por dinheiro fora de Jerusalém para ser trazido e gasto ali em alimento —, quem o preparou não pode simplesmente calcular o valor desse azeite e cobrá-lo em dinheiro dos demais membros do grupo, como se estivesse "resgatando" o azeite depois do fato. Isso porque a lei permite o resgate do segundo dízimo por dinheiro apenas enquanto ele ainda está fora de Jerusalém; uma vez que o produto já chegou à cidade, ele deve ser consumido ali mesmo, em sua forma própria, e já não pode mais ser trocado por dinheiro.
Este versículo autoriza expressamente o resgate do segundo dízimo por dinheiro apenas antes da chegada a Jerusalém — "e irás ao lugar", indicando que a conversão em dinheiro precede a viagem —, e é dessa condição que a mishná deriva a proibição de tratar o azeite de segundo dízimo já presente no korban, dentro da própria Jerusalém, como algo ainda resgatável. Uma vez que o produto consagrado chegou à cidade escolhida, a Torá já não prevê para ele outra via além do consumo em santidade; por isso, quem untou o Pessach com esse azeite não pode cobrar seu valor em dinheiro dos demais membros do grupo, como se ainda estivesse diante da opção de resgate que o versículo só permite fora de Jerusalém.
O Rambam, no Perush HaMishná, remete à permissão já estabelecida de untar o Pessach com líquidos e sucos de frutas, situando esta mishná dentro dessa regra mais ampla.
Já te precedeu que é permitido untar o Pessach com líquidos e com sucos de frutas, e toda a halachá está explicada.
Bartenura explica por que o Pessach cru dispensa raspagem enquanto o assado a exige, e detalha a razão pela qual não se resgata o segundo dízimo dentro de Jerusalém; Rashi, na Guemará, confirma a mesma distinção com a mesma linguagem concisa.
"Untou-o com azeite de teruma: se é um grupo de cohanim, comerão etc.": já te precedeu que é permitido untar o Pessach com líquidos e com sucos de frutas, e toda a halachá está explicada.
"Untou-o com azeite de teruma" — pois é permitido untar o Pessach com sucos de frutas. "Se está cru, lavará" — pois não absorveu. "E se está assado" — precisa de raspagem, pois absorveu.
"Não converterá" — "vender". "Segundo dízimo em Jerusalém" — mesmo para comê-lo em pureza, pois está escrito: "então o converterás em dinheiro, e amarrarás o dinheiro em tua mão, e irás ao lugar".
"Se está cru, lavará" — pois não absorveu. "Assado" — precisa de raspagem, pois absorveu.
"Não se vende o segundo dízimo em Jerusalém" — mesmo para comê-lo ali em santidade, pois está escrito "e se o caminho for longo demais para ti... então o converterás em dinheiro".