Disse Rabi Yehoshua: ouvi que a temurá do Pessach é oferecida, e a temurá do Pessach não é oferecida, e não sei explicar. — Rabi Yehoshua transmite uma tradição recebida de seus mestres, mas confessa não se lembrar de qual caso exato faz a temurá — o animal trocado por um korban já consagrado — ser oferecida no altar como shelamim, e qual faz com que não seja oferecida diretamente, exigindo em vez disso que se espere até que ela adquira um defeito para então ser vendida.
Disse Rabi Akiva: eu explicarei. O Pessach que foi achado antes do abate do Pessach, pasta até ter defeito, é vendido, e com seu valor se compra shelamim, e o mesmo vale para sua temurá. Depois do abate do Pessach, é oferecido como shelamim, e o mesmo vale para sua temurá. — Rabi Akiva resolve o caso concreto que gerou a tradição: quando alguém perde seu Pessach, separa outro animal em seu lugar, e depois o primeiro é encontrado antes do horário de abate — aquele animal original nunca chegou a ser efetivamente abatido como Pessach, e por isso ele, e qualquer temurá feita com ele, não podem ser oferecidos diretamente; devem pastar até adquirir um defeito, ser vendidos, e o dinheiro obtido compra um shelamim em seu lugar. Mas se o animal original só é encontrado depois que o horário de abate do Pessach já passou — quando ele já não pode mais servir como Pessach de qualquer forma —, ele próprio, sendo um animal consagrado sem destino específico, é oferecido diretamente como shelamim, e o mesmo vale para qualquer temurá feita com ele.
Este versículo estabelece o princípio geral de que a temurá — o animal comum trocado por um animal já consagrado — adquire a mesma santidade do original, tornando-se ela própria um korban. Mas a temurá não herda necessariamente o mesmo destino ritual específico do original: ela carrega apenas a santidade genérica de um korban consagrado. É por isso que a mishná precisa esclarecer separadamente qual o destino de uma temurá feita a partir de um korban Pessach — que tem um horário e um propósito muito particulares, ligados exatamente ao momento do abate no catorze de Nissan — e por que esse destino depende inteiramente de se o Pessach original ainda podia, ou já não podia mais, cumprir sua função específica no momento em que veio à tona.
O Rambam, no Perush HaMishná, confirma que a explicação de Rabi Akiva é aceita sem discordância, resolvendo por completo a dúvida deixada por Rabi Yehoshua.
Disse Rabi Yehoshua, ouvi que a temurá do Pessach é oferecida etc., até “tenha defeito”: seu sentido é até que caia nele um defeito que o desqualifique e o torne impróprio para o sacrifício. E as palavras de Rabi Akiva são verdadeiras; ninguém discorda delas.
Bartenura detalha cada cláusula da explicação de Rabi Akiva, incluindo o efeito prático sobre a temurá em cada um dos dois casos; Rashi, na Guemará, confirma a mesma leitura de forma concisa.
“Ouvi” — de meus mestres.
“Que a temurá do Pessach é oferecida” — como shelamim, depois do Pessach.
“E a temurá do Pessach não é oferecida” — há temurá de Pessach que não é oferecida como shelamim ela própria, mas pasta até que caia nela um defeito, é vendida, e com seu valor traz-se um shelamim, pois o excedente do Pessach é oferecido como shelamim.
“E não sei explicar” — esqueci sobre qual caso ouvi que se oferece, e sobre qual ouvi que pasta até ter defeito.
“O Pessach” — que se perdeu, e separou-se outro em seu lugar, e o primeiro Pessach foi encontrado antes do abate do segundo, de modo que estava diante de nós no momento do abate: já o horário do abate o fixou com o nome de Pessach, e o fato de não o terem oferecido o afastou intencionalmente, e por isso ele mesmo não é oferecido como shelamim.
“Até ter defeito” — que caia nele um defeito, de modo que não seja próprio para sacrifício.
“E o mesmo vale para sua temurá” — se depois disso o trocou por um animal comum.
“Depois do Pessach” — isto é, se foi encontrado depois do abate do segundo, o horário do abate não o fixou com o nome de Pessach, nem foi afastado intencionalmente, e por isso ele mesmo é oferecido como shelamim.
“E o mesmo vale para sua temurá” — e o mesmo se aplicaria se Rabi Yehoshua tivesse ensinado sobre o próprio Pessach: há Pessach que é oferecido, e há Pessach que não é oferecido.
“Mishná: ouvi” — de meus mestres.
“Que a temurá do Pessach é oferecida” — como shelamim, depois do Pessach.
“E a temurá do Pessach não é oferecida” — há temurá de Pessach que não é oferecida sendo ela própria shelamim, mas pasta até ter defeito, é vendida, e com seu valor se traz um shelamim, pois o excedente do Pessach é oferecido como shelamim.
“E não sei explicar” — esqueci sobre qual eu ouvi que se oferece, e sobre qual eu ouvi que pasta.