Somente por causa de dois meses profana-se o Shabat: por causa de Nissan e por causa de Tishrei, pois neles saem os mensageiros para a Síria, e neles se ajustam as festas. — Embora seis meses do ano justifiquem o envio de mensageiros, apenas em Nissan e Tishrei as testemunhas que avistaram a lua nova têm permissão de violar o Shabat para chegar ao tribunal, pois só nesses dois meses o próprio calendário das festas depende diretamente da santificação a tempo: Pêssach em Nissan, e Rosh Hashaná, Yom Kipur e Sucot ligados a Tishrei.
E enquanto o Templo existia, profanava-se por causa de todos eles, por causa do ajuste da oferenda. — Enquanto havia sacrifícios diários no Templo, incluindo a oferenda adicional de cada início de mês, era necessário saber com precisão o dia exato de cada rosh chodesh para que essas oferendas fossem trazidas em seu devido tempo — motivo que, com a destruição do Templo, deixou de justificar a violação do Shabat pelas testemunhas nos demais meses.
A expressão "em seu tempo determinado" é lida pela tradição como um mandamento que se sobrepõe ao próprio Shabat: as festas devem cair exatamente na data certa, ainda que isso exija violar o repouso sabático para garantir a santificação do mês a tempo. É essa leitura que sustenta a distinção da mishná: enquanto o envio de mensageiros a comunidades distantes é apenas uma medida prática de comunicação, que pode esperar até depois do Shabat sem prejuízo, a própria fixação do mês de Nissan e do mês de Tishrei é o que garante que Pêssach e as festas de Tishrei caiam "em seu tempo" — e por isso, somente para essas duas datas, a Torá permite que o testemunho da lua nova viole o Shabat.
O Rambam situa a permissão de violar o Shabat nas próprias testemunhas que avistam a lua, remetendo à oferenda adicional de rosh chodesh; Bartenura distingue o que é lei da Torá do que os sábios restringiram por decreto.
"Somente por causa de dois meses profana-se o Shabat: por causa de Nissan etc." — são as testemunhas que veem a lua as que profanam o Shabat, caso estivessem distantes de Jerusalém, como se explicará adiante. E disse "por causa do ajuste da oferenda", expressão que reflete a linguagem da Torá quanto à oferenda adicional de cada início de mês.
"Profana-se o Shabat" — as testemunhas que viram o novo mês, para poderem ir e informar o tribunal. "Pois neles saem os mensageiros do tribunal para a Síria" — para informar à diáspora o dia em que fixaram o mês, por isso são importantes; e pela lei da Torá se profanaria o Shabat por causa de todos os meses, mas os sábios proibiram, pois o ajuste das festas não depende deles. Já quanto a estes dois meses, mantiveram a lei da Torá, pois todas as festas dependem deles. "Ajuste da oferenda" — a de rosh chodesh, para que fosse trazida em seu devido tempo.
Rashi, no daf onde a Guemará discute esta mishná, explica por que apenas Nissan e Tishrei justificam a violação do Shabat, e distingue lei da Torá de decreto rabínico.
"A mishná: por causa de dois meses profana-se o Shabat" — as testemunhas que viram o novo mês. "Pois neles saem mensageiros" — o tribunal envia à Síria para informar à diáspora o dia em que fixaram o mês, por isso são importantes; e pela lei da Torá se profanaria o Shabat por causa de todos os meses, mas os sábios proibiram, pois o ajuste das festas não depende deles, e não importa completá-los ou reduzi-los com base em testemunhas — mas quanto a estes dois meses, mantiveram-nos na lei da Torá, pois todas as festas dependem deles.
"Ajuste da oferenda" — a de rosh chodesh, para que se ofereça em seu devido tempo.