Havia um grande pátio em Jerusalém, chamado Beit Yaazek, e ali todas as testemunhas se reuniam, e o tribunal as examinava ali. E faziam-lhes grandes banquetes, para que se acostumassem a vir. — Um pátio específico em Jerusalém servia de ponto de encontro para todas as testemunhas da lua nova, onde o tribunal de setenta e um juízes as recebia e examinava; e, para incentivá-las a continuar vindo mesmo quando seu testemunho não fosse estritamente necessário, o tribunal lhes oferecia grandes banquetes.
No princípio, não se moviam dali o dia todo; instituiu Rabán Gamliel o Velho que caminhassem dois mil côvados para cada lado. — Testemunhas que chegavam em Shabat, tendo saído de fora do limite permitido de caminhada de sua própria cidade, ficavam originalmente presas ao local todo o dia, restritas a quatro côvados; para não desencorajar sua vinda, Rabán Gamliel o Velho instituiu que lhes fosse concedido, a partir do ponto de chegada, o limite completo de dois mil côvados em cada direção.
E não apenas estas, mas também a parteira que vem para partejar, e quem vem para salvar de um incêndio, de uma tropa, de um rio ou de um desabamento — eis que estes são como os habitantes da cidade, e têm dois mil côvados para cada lado. — A mesma concessão generosa se estende a qualquer pessoa que, em Shabat, saia de seu limite habitual para socorrer outros em situação de urgência — seja uma parteira chamada para um parto, seja alguém que corre para salvar vidas de um incêndio, de uma invasão militar, de uma enchente ou do desabamento de um prédio: todos são tratados, no lugar aonde chegam, como se já fossem moradores dali, com direito ao limite completo de caminhada.
É a mesma medida — dois mil côvados — que a Torá determina como o campo aberto ao redor das cidades levíticas, e que a tradição interpretou como o limite geral de caminhada permitido em Shabat além dos limites da própria cidade. Rabán Gamliel não inventa uma nova medida: aplica a medida já consagrada pela Torá para as cidades levíticas ao caso concreto da testemunha que chega a Jerusalém tendo saído de sua própria cidade em Shabat. Ao conceder-lhe dois mil côvados a partir do ponto de chegada — como se aquele lugar já fosse "sua" cidade — Rabán Gamliel resolve um problema prático sem alterar a norma bíblica: simplesmente estende ao viajante em serviço da mitzvá o mesmo espaço de movimento que a Torá já concede a qualquer habitante em relação ao território ao redor de seu lugar de moradia.
Bartenura explica por que as testemunhas ficavam originalmente presas ao local; Rambam remete o desenvolvimento pleno da questão do techum ao tratado de Eruvin.
"Não se moviam dali o dia todo" — as testemunhas que saíam além de seu limite em Shabat e vinham testemunhar; pois quem sai além do limite não tem senão quatro côvados de movimento.
"Havia um grande pátio em Jerusalém, chamado Beit Yaazek etc." — tudo isto é claro, e já precederam os princípios desta última halachá, sobre o limite de dois mil côvados, no quarto capítulo do tratado de Eruvin.
Rashi explica a origem do nome Beit Yaazek e a expressão sobre a restrição das testemunhas presas em seu ponto de chegada.
"Guemará: e o cercou" — cercou-o com um muro de pedras ao redor, em círculo, como um anel; e daí veio o nome, associado a uma raiz que expressa aflição, pois as testemunhas ficavam ali como que presas em grilhões, sem se mover dali o dia todo. "A mishná: não se moviam dali" — porque haviam saído além de seu limite, e quem sai além do limite não tem senão quatro côvados. "Do rio" — que cresce repentinamente e arrasta os habitantes da cidade, inclusive as crianças, exigindo resgate imediato mesmo em Shabat.