O Iovel se equipara a Rosh Hashaná quanto à tocada e às bênçãos. — Ainda que Yom Kipur do ano do Iovel tenha um propósito completamente distinto — anunciar a libertação dos escravos hebreus e o retorno das terras a seus donos originais, e não a proclamação da realeza divina — sua tocada do shofar segue o mesmo padrão de Rosh Hashaná, e as mesmas bênçãos especiais recitadas na Amidá de Rosh Hashaná são recitadas também em Yom Kipur do Iovel.
Rabi Yehuda diz: Em Rosh Hashaná se toca com chifres de machos, e nos Iovelot com chifres de cabras montesas. — Rabi Yehuda discorda da opinião anônima anterior, invertendo a atribuição: para ele, é em Rosh Hashaná que se usa o chifre curvo de carneiro macho, e é no ano do Iovel que se usa o chifre reto de cabra montês — uma inversão completa da descrição dada nas duas mishnayot anteriores. A halachá final, contudo, não segue Rabi Yehuda: tanto em Rosh Hashaná quanto no Iovel, usa-se o mesmo chifre curvo de carneiro macho.
A base para equiparar a tocada do Iovel à de Rosh Hashaná é uma analogia verbal, uma guezerá shavá, entre as duas ocorrências da palavra "sétimo" — no verso que descreve Rosh Hashaná, "no sétimo mês", e neste verso, que também situa a tocada de Yom Kipur do Iovel "no sétimo mês". Essa aproximação textual ensina que todas as tocadas do shofar realizadas no sétimo mês do calendário — tanto em Rosh Hashaná quanto neste Yom Kipur especial do ano do Iovel — devem ser semelhantes entre si, tanto quanto ao formato do instrumento usado quanto ao número de bênçãos que as acompanham. É essa mesma analogia que fundamenta a exigência de que também as bênçãos de Malchuyot, Zichronot e Shofarot — normalmente exclusivas de Rosh Hashaná — sejam recitadas na Amidá de Yom Kipur do Iovel, ainda que o tema central desse dia seja a libertação e não o juízo.
Rambam e Bartenura explicam o mecanismo da guezerá shavá que une Rosh Hashaná ao Iovel, e esclarecem que a halachá final não segue nem Rabi Yehuda nem a distinção original entre os dois shofarot.
"O Iovel se equipara a Rosh Hashaná quanto à tocada" — no formato do chifre. E, ainda que a tocada no Iovel não sirva nem para oração nem para lembrança, mas apenas como sinal para a libertação dos escravos e o retorno das terras a seus donos, mesmo assim ela precisa ser semelhante à de Rosh Hashaná, pois aprendemos por analogia verbal a partir da repetição de "sétimo, sétimo" nos dois versos. "Rabi Yehuda diz etc." — mas a halachá não segue nem Rabi Yehuda nem o primeiro tana anônimo; a halachá final é que tanto em Rosh Hashaná quanto em Yom Kipur do Iovel se usa o mesmo tipo de chifre, de machos, curvo.
E quanto ao que foi dito anteriormente, de que o shofar de Rosh Hashaná deveria ser de chifre de cabra montês — isso não é a halachá final; e tampouco a halachá segue Rabi Yehuda. Mas a decisão final da halachá é que o shofar do Iovel e o de Rosh Hashaná são ambos de machos, curvos — unificando, ao final, o que as mishnayot anteriores haviam distinguido.
Rashi conecta esta mishná à guezerá shavá desenvolvida no último perek do tratado, e observa que Rabi Yehuda não aceita essa analogia verbal.
"O Iovel se equipara a Rosh Hashaná quanto à tocada" — com chifres retos; e ainda que sua tocada no Iovel não sirva nem para oração nem para lembrança, mas apenas como sinal para a libertação dos escravos e a anulação das vendas de terras, mesmo assim se requer que seja feita da mesma forma que em Rosh Hashaná, pois aprendemos essa analogia verbal de "sétimo, sétimo" no último perek do tratado. "E nos Iovelot com cabras montesas" — esta é a opinião de Rabi Yehuda, que não aceita a tradição dessa guezerá shavá e por isso discorda, invertendo os chifres atribuídos a cada ocasião.