Quem profetiza em nome de idolatria e diz: "Assim disse o ídolo" — mesmo que tenha acertado a halachá, declarando impuro o que é impuro e puro o que é puro, é executado. — Fecha-se o círculo aberto na primeira mishná do perek, que já listava "quem profetiza em nome de idolatria" entre os sete culpados de estrangulamento. Aqui a mishná esclarece um ponto sutil: a gravidade da transgressão não depende de a mensagem estar certa ou errada do ponto de vista halachico — mesmo que o suposto profeta, por coincidência ou perspicácia, declare corretamente puro o que é puro e impuro o que é impuro, ele é executado de qualquer forma. O crime não está no conteúdo da profecia, mas no próprio ato de invocar um ídolo como fonte de autoridade profética.
Quanto a quem se relaciona com a mulher de outro homem: uma vez que ela entrou no domínio do marido para o casamento, ainda que não tenha havido relação, quem se relaciona com ela é executado por estrangulamento. — A mishná demarca com precisão o momento exato em que a categoria "mulher de outro homem" — também listada entre os sete culpados de estrangulamento da mishná de abertura — passa a se aplicar plenamente: não é necessário que o casamento tenha sido consumado; basta que a mulher já tenha sido formalmente entregue ao domínio do marido, o que já a torna, para efeito desta lei, uma mulher casada.
E as testemunhas conspiradoras contra a filha de um sacerdote e seu parceiro — pois todas as testemunhas conspiradoras são levadas ao mesmo tipo de morte que pretendiam impor, exceto as testemunhas conspiradoras contra a filha de um sacerdote e seu parceiro. — A mishná final do tratado retorna, pela terceira vez neste perek, ao caso que abriu a lista de estrangulados: as testemunhas que conspiraram para condenar a filha de um sacerdote e seu parceiro por adultério. Aqui se explicita o princípio geral que torna esse caso uma exceção notável: a regra normal, válida para toda conspiração de testemunhas, é que elas recebem exatamente a pena que buscavam impor à vítima — "como planejou fazer". Mas neste caso único, embora a filha do sacerdote culpada fosse executada por queima, as testemunhas que conspiraram contra ela não são queimadas, mas estranguladas — a pena que, na verdade, buscavam impor ao parceiro dela.
Rambam previne um possível engano na leitura da segunda cláusula da mishná: ainda que a mulher em questão seja tecnicamente uma jovem noiva virgem — categoria normalmente punida por apedrejamento — não se deve pensar que essa pena mais leve para a noiva ainda se aplica depois que ela entrou no domínio do marido para o casamento. A partir desse momento, seu estatuto muda por completo: ela deixa a categoria de "jovem noiva" e passa a ser tratada, para todos os efeitos, como qualquer mulher já casada, sujeita ao estrangulamento. Na mesma nota, Rambam encerra seu comentário a toda a Massechet Sanhedrin explicando por fim a exceção da filha de sacerdote: mesmo sendo ela, tecnicamente, esposa de um homem cujo casamento é irregular — filha de sacerdote casada com um natin ou mamzer, por exemplo —, uma vez que é uma mulher casada, seu adultério é punido por queima, por força de sua condição sacerdotal.
Bartenura ilustra concretamente o que significa "entrar no domínio do marido": mesmo que o pai apenas tenha entregado a filha aos mensageiros do noivo, e ela ainda esteja a caminho da casa dele — sem ter, portanto, chegado fisicamente lá — já não se pode mais dizer que ela está "na casa de seu pai"; o domínio jurídico já se transferiu. Confirma, por fim, o princípio geral da conspiração de testemunhas — que elas recebem a pena que buscavam impor à vítima — e sua única exceção: quando as testemunhas conspiram contra a filha de um sacerdote e seu parceiro, todos os outros parceiros de mulheres casadas são julgados pela mesma morte da mulher com quem se relacionaram, exceto justamente o parceiro da filha de sacerdote, cuja pena — estrangulamento — já era originalmente diferente da dela, que seria queimada.
Com esta sexta mishná do Perek Yud-Alef, encerra-se o Perek "אֵלּוּ הֵן הַנֶּחֱנָקִין" ("Estes são os que são estrangulados") — e com ele, toda a Massechet Sanhedrin. A fórmula tradicional de encerramento, "hadran alach" ("voltaremos a ti"), expressa o compromisso de retornar ao estudo deste tratado mesmo depois de concluído, seguida da declaração "vessalika lah massechet Sanhedrin", "e assim se encerra o tratado Sanhedrin".
Ao longo de seus onze perakim e setenta e uma mishnayot, Sanhedrin percorreu toda a arquitetura do sistema judicial de Israel: a composição dos tribunais — três, vinte e três, e o Sinédrio Grande de setenta e um — e as leis do Sumo Sacerdote e do rei (Perakim Alef-Bet); a formação do tribunal civil e as causas de desqualificação de juízes e testemunhas (Perek Guimel); o procedimento rigoroso dos julgamentos capitais, com suas salvaguardas processuais únicas em favor da vida (Perakim Dalet-Hei); a execução por apedrejamento e a suspensão do corpo (Perek Vav); as quatro formas de pena capital e seus culpados por apedrejamento e queima — o filho rebelde, o ladrão que invade, o blasfemador, o idólatra (Perakim Zayin-Chet-Tet); o célebre Perek Chelek, sobre a porção de todo Israel no mundo vindouro e suas exceções, e as leis da cidade desviada ao culto de ídolos (Perek Yud); e — neste último perek — os culpados de estrangulamento, a mais branda das quatro penas: quem fere os pais, quem rapta uma pessoa, o ancião rebelde contra a decisão do Grande Tribunal, o falso profeta, quem profetiza em nome de ídolo, quem se relaciona com mulher casada, e as testemunhas conspiradoras contra a filha de um sacerdote.
Com a conclusão de Massechet Sanhedrin, completa-se o quarto tratado da Seder Nezikin — depois de Bava Kamma, Bava Metzia e Bava Batra —, a quarta das seis Ordens da Mishná. Segue-se agora Massechet Makot.