Massechet Sanhedrin, o quarto tratado de Seder Nezikin, sucede a tríade das Bavot (Bava Kamma, Bava Metzia e Bava Batra) e volta-se para o próprio sistema judicial de Israel: como se compõem os tribunais, que casos exigem três juízes, vinte e três, ou o Sinédrio Grande de setenta e um; como se conduz um julgamento capital, com suas salvaguardas processuais únicas; os limites do poder do rei e do Sumo Sacerdote; e, nos perakim finais, as quatro formas de execução capital prescritas pela Torá. O Perek Alef, o primeiro do tratado, abre exatamente com essa arquitetura: a escala progressiva de tribunais, dos julgamentos monetários mais simples até as decisões mais graves que exigem o Sinédrio Grande completo, encerrando com a dedução bíblica, passo a passo, dos próprios números setenta e um e vinte e três.
O Perek Alef está completo, com todas as seis mishnayot: os casos julgados por três juízes — direito monetário, roubo, agressão, danos, os pagamentos punitivos da Torá, e a divergência entre Rabi Meir e os Sábios sobre o difamador (1:1); os açoites e a intercalação do calendário, com a tradição em nome de Rabi Yishmael e o procedimento gradual de Rabán Shimon ben Gamliel (1:2); a imposição das mãos dos anciãos, o rompimento da cerviz da novilha, a chalitzá, as recusas, e as avaliações de bens móveis, terras e pessoas (1:3); os julgamentos de vidas por vinte e três juízes — o caso de bestialidade, o boi que mata, e os animais selvagens, com a divergência entre Rabi Eliezer e Rabi Akiva (1:4); os assuntos reservados ao Sinédrio Grande de setenta e um — o julgamento de uma tribo, do falso profeta e do Sumo Sacerdote, a guerra facultativa, a expansão da cidade e dos átrios, e a cidade desviada (1:5); e a mishná final, com a dedução bíblica passo a passo dos números setenta e um e vinte e três, e a população mínima de uma cidade para merecer um sinédrio (1:6).
O Perek Bet também está completo, com suas cinco mishnayot: as leis do Sumo Sacerdote — julgar e ser julgado, testemunhar, chalitzá sem ibum, e as regras de luto que o distinguem no cortejo e no consolo (2:1); as restrições do rei em julgar, testemunhar, chalitzá e ibum, e a divergência de Rabi Yehudá sobre desposar a viúva de outro rei, com o precedente de David e Saul (2:2); o luto do rei, que não sai do palácio — exceto, segundo Rabi Yehudá, como fez David por Avner — e o dargash sobre o qual se reclina quando consolado (2:3); a guerra facultativa autorizada pelo Sinédrio de setenta e um, e os três limites de Devarim 17 — esposas, cavalos, prata e ouro — com a obrigação de escrever um Sefer Torá pessoal (2:4); e a mishná final, que reúne as proibições que preservam a dignidade e o temor do rei (2:5).
O Perek Guimel agora também está completo, com suas oito mishnayot: a escolha dos três juízes de um tribunal civil e a desqualificação de juízes e testemunhas (3:1); a retratação de quem aceitou um juiz desqualificado ou um voto no lugar de um juramento (3:2); os desqualificados por conduta — o jogador de dados, o usurário, os que fazem voar pombos, os comerciantes do sabático (3:3); a lista completa dos parentes desqualificados, segundo Rabi Akiva e a mishná primeira (3:4); o amigo e o inimigo como causas de desqualificação (3:5); o exame das testemunhas e a decisão por maioria dos juízes (3:6); o anúncio do veredito e o sigilo da deliberação (3:7); e a mishná final, sobre quando uma nova prova pode anular um julgamento já proferido (3:8). Tudo com hebraico e português lado a lado, fontes bíblicas quando aplicável, halachot de Rambam e Bartenura, e o perush de Rashi sobre a Guemará.
O Perek Dalet agora também está completo, com suas cinco mishnayot: a igualdade processual de base entre dinei mamonot e dinei nefashot, e as nove diferenças que fazem o julgamento capital pender sempre a favor da vida — tamanho do tribunal, abertura da deliberação, maioria exigida, reversão do veredito, quem pode ensinar a favor ou contra, e os prazos de conclusão (4:1); a ordem de fala dos juízes e a exigência de linhagem irrepreensível para julgar dinei nefashot (4:2); a disposição semicircular da Sanhedrin e os escrivães que registravam a deliberação (4:3); as três fileiras de discípulos e o procedimento de promoção quando o tribunal precisava se completar (4:4); e a mishná final — uma das mais citadas de toda a Mishná — sobre a advertência solene às testemunhas e a criação de Adão sozinho, para ensinar que quem destrói uma vida é como se destruísse um mundo inteiro (4:5).
O Perek Hei agora também está completo, com suas cinco mishnayot: as sete inquirições (chakirot) obrigatórias no exame das testemunhas — semana, ano, mês, dia, hora e lugar —, com a posição minoritária de Rabi Yossei, e as perguntas adicionais no caso de idolatria (5:1); o elogio ao exame minucioso, o caso de Ben Zakai que examinou pelos caules dos figos, e a diferença técnica entre chakirot e bedikot (exames adicionais) quanto ao efeito de um "não sei" sobre a validade do testemunho (5:2); a margem de erro tolerável entre testemunhas quanto à data e à hora do evento, e a divergência de Rabi Yehudá sobre a extensão dessa margem (5:3); o exame do segundo testemunha, a regra de abrir a deliberação pela absolvição, e o discípulo que é elevado a assento de juiz quando tem argumento substantivo a favor do réu (5:4); e a mishná final — o adiamento do veredito indeciso, a noite de jejum e deliberação dos juízes em pares, e as regras precisas de contagem de votos e acréscimo de juízes até setenta e um (5:5).
O Perek Vav agora também está completo, com suas seis mishnayot: a saída do condenado para o apedrejamento, o sistema de sinalização com panos e cavaleiro para deter a execução a qualquer momento, e o pregão final que convoca testemunhos de mérito (6:1); a confissão a dez cúbitos do local, com o precedente de Acã diante de Josué, a fórmula "que minha morte seja expiação por todos os meus pecados", e a posição rejeitada de Rabi Yehudá sobre testemunhas conspiradoras (6:2); o despojar das vestes a quatro cúbitos do local, e o debate entre Rabi Yehudá e os Sábios sobre a cobertura mínima do homem e da mulher (6:3); o procedimento do apedrejamento propriamente dito — a plataforma de duas estaturas, a queda, as pedras — e o debate sobre quem tem o corpo pendurado após a morte, com a lei central de não deixá-lo pendurado durante a noite, conforme Devarim 21 (6:4); o ensinamento de Rabi Meir sobre o sofrimento da Presença Divina, a proibição geral de deixar qualquer morto insepulto durante a noite, e os dois cemitérios distintos do tribunal (6:5); e a mishná final, sobre o recolhimento dos ossos, a saudação de paz dos parentes aos juízes e testemunhas, e a distinção entre luto formal e aflição interior (6:6).
O Perek Zayin agora também está completo, com suas onze mishnayot — o mais longo do tratado: as quatro formas de pena capital e sua ordem de severidade, com a divergência de Rabi Shimon (7:1); o procedimento da queima, com a discordância de Rabi Yehudá e o relato de Rabi Elazar ben Tzadok (7:2); os procedimentos da decapitação e do estrangulamento, com o debate entre Rabi Yehudá e os sábios sobre o método menos degradante (7:3); a lista completa dos apedrejados e o detalhamento das relações incestuosas com a mãe, a mulher do pai e a nora, e a razão pela qual o animal também é apedrejado (7:4); o julgamento do blasfemador e o procedimento de apuração da testemunha, com o rasgar das vestes dos juízes (7:5); as formas de culto que tornam a idolatria punível, e os cultos particulares de Baal-Peor e Merkulis (7:6); o culto a Molech e os mestres de ov e yidoni (7:7); a profanação do shabat e a maldição aos pais, com a divergência entre Rabi Meir e os sábios (7:8); a jovem noiva e a distinção entre o primeiro e o segundo homem (7:9); o instigador e o sedutor, com o procedimento único de emboscar testemunhas (7:10); e a mishná final, sobre o feiticeiro e a distinção entre o ato real e a ilusão dos olhos, ilustrada pelo ensinamento de Rabi Akiva em nome de Rabi Yehoshua (7:11).
O Perek Chet agora também está completo, com suas sete mishnayot: a janela de idade do filho rebelde e contumaz, do surgimento dos primeiros pelos até o crescimento completo da barba inferior, com a exclusão do menor (8:1); as quantidades mínimas de carne e vinho, a divergência de Rabi Yosei, e a longa lista de circunstâncias — comida de mitzvá, comida proibida, ausência de carne ou vinho — que isentam o filho (8:2); a exigência de furtar especificamente do pai e comer na propriedade de outros, e a divergência de Rabi Yosei bar Rabi Yehuda sobre furtar também da mãe (8:3); o acordo exigido entre pai e mãe, a integridade física de ambos deduzida verbo a verbo do versículo, o procedimento de advertência e açoite diante de três juízes, e o efeito da fuga antes ou depois da sentença (8:4); o princípio de que o filho é julgado por causa de seu fim, e a série paralela sobre vinho e sono, dispersão e reunião, e tranquilidade, para os ímpios e para os justos (8:5); o ladrão que invade escavando, também julgado por causa de seu fim, e a regra do barril que ele quebra ao entrar (8:6); e a mishná final, sobre os que podem ser salvos à custa da vida do perseguidor — o perseguido para morte, o homem, e a jovem noiva — e os que não podem, encerrando o perek (8:7).
O Perek Tet agora também está completo, com suas seis mishnayot: as categorias de queima — quem se deita com uma mulher e sua filha, e a filha de sacerdote adúltera, com a lista completa de parentescos incluídos — e de decapitação — o assassino e os habitantes da cidade desviada, com os critérios de responsabilidade do golpe que prende a vítima sem chance de escape (9:1); os casos em que a intenção do agressor não corresponde ao resultado — um animal, um gentio, um natimorto, ou o lugar do golpe — e a posição mais estrita de Rabi Shimon (9:2); o assassino misturado com outros, todos isentos, e os condenados a penas diferentes misturados entre si, julgados pela mais leve, com a controvérsia entre Rabi Shimon e os Sábios sobre a hierarquia de severidade entre as quatro penas (9:3); quem se torna responsável por duas penas capitais, julgado pela mais severa, e a posição de Rabi Yosei sobre o primeiro vínculo proibitivo (9:4); a câmara de detenção para quem foi açoitado e reincidiu, e para quem matou sem testemunhas suficientes para condenação formal (9:5); e a mishná final, sobre as três transgressões diante das quais os zelosos podem agir por conta própria, o sacerdote que serviu em impureza tratado pelos próprios sacerdotes, e a controvérsia sobre a pena do não-sacerdote que serviu no Templo, encerrando o perek (9:6).
O Perek Yud — o célebre Perek Chelek — agora também está completo, com suas seis mishnayot: o princípio de que todo Israel tem porção no mundo vindouro, com as exceções de quem nega que a ressurreição dos mortos provém da Torá, quem nega que a Torá é do Céu, o epicureu, e as adições de Rabi Akiva e Abba Shaul (10:1); os três reis — Yerovam, Achav e Menashé — e os quatro plebeus — Bilam, Doeg, Achitofel e Guechazi — sem porção no mundo vindouro, com a controvérsia entre Rabi Yehudá e os Sábios sobre a teshuvá de Menashé (10:2); a geração do dilúvio, a geração da dispersão, os homens de Sodoma, os espias, a geração do deserto, a assembleia de Korach e as dez tribos, com as controvérsias entre Rabi Akiva e Rabi Eliezer sobre seu destino futuro (10:3); os moradores da cidade desviada ao culto de ídolos e as condições estritas para sua condenação coletiva (10:4); a caravana de burros e camelos que pode salvar a cidade, e o patrimônio dos justos dentro e fora dela (10:5); e a mishná final, sobre reunir o despojo, os objetos consagrados, a controvérsia entre Rabi Yossei HaGelili e Rabi Akiva sobre reconstruir a cidade como pomares, e o ensinamento de que a ira só cessa do mundo quando os ímpios são eliminados, encerrando o perek (10:6).
O Perek Yud-Alef — o último do tratado, אֵלּוּ הֵן הַנֶּחֱנָקִין ("Estes são os que são estrangulados") — agora também está completo, com suas seis mishnayot, encerrando toda a Massechet Sanhedrin: a abertura da lista dos sete culpados de estrangulamento — quem fere pai ou mãe, quem rapta uma pessoa, o ancião rebelde, o falso profeta, quem profetiza em nome de ídolo, quem se relaciona com mulher casada, e as testemunhas conspiradoras contra a filha de um sacerdote —, com as condições exatas de responsabilidade em cada caso (11:1); os três tribunais escalonados de Jerusalém e o procedimento de consulta progressiva do ancião rebelde até o Grande Tribunal na Câmara de Pedra Lavrada, e a distinção entre repetir o próprio ensino e instruir outros a agir (11:2); a regra de que discordar de uma interpretação rabínica é mais grave, para efeito desta lei, do que negar um preceito explícito da Torá, ilustrada pelo caso dos filactérios (11:3); a proibição de executar o ancião rebelde fora do Grande Tribunal, e a controvérsia entre Rabi Akiva e Rabi Yehudá sobre aguardar ou não a festa de peregrinação (11:4); a distinção entre o falso profeta executado pelo tribunal humano e as três faltas proféticas mais sutis entregues ao juízo do Céu (11:5); e a mishná final, sobre quem profetiza em nome de ídolo mesmo acertando a halachá, o momento exato em que a mulher entra no domínio do marido, e a exceção das testemunhas conspiradoras contra a filha de um sacerdote — encerrando o perek e todo o tratado, com o siyum completo de Massechet Sanhedrin (11:6).