E convoca para a guerra facultativa com base num tribunal de setenta e um, e abre [caminho] para fazer para si um caminho, e ninguém o impede. O caminho do rei não tem medida. E todo o povo saqueia e dá a ele, e ele toma a porção da frente. — Diferentemente da guerra obrigatória (ordenada diretamente pela Torá), a guerra facultativa — contra outras nações, além dos sete povos e de Amalek — só pode ser declarada pelo rei com a autorização do Sinédrio Grande de setenta e um juízes. Para suas necessidades, o rei pode romper cercas e propriedades alheias a fim de abrir um caminho próprio até seus campos e vinhas, sem que ninguém possa protestar, e esse caminho não tem largura fixa. Do despojo tomado pelo povo em guerra, o rei recebe uma parte antes de todos, à sua escolha.
"Não multiplicará para si esposas" — mas somente dezoito. Rabi Yehudá diz: multiplica para si, contanto que não sejam do tipo que desviam seu coração. Rabi Shimon diz: mesmo uma [só], se desvia seu coração, não a desposará. Se assim é, por que está dito "não multiplicará para si esposas"? Mesmo que sejam como Avigail. — Segundo o primeiro Tana, o limite de esposas do rei é fixo em dezoito, derivado por dedução do próprio caso de David. Rabi Yehudá discorda: o número não é limitado, desde que as esposas não sejam do tipo que afaste o coração do rei da reverência a D'us. Rabi Shimon vai além: mesmo uma única esposa já é proibida, se ela desviar seu coração — e a proibição bíblica de "multiplicar esposas" vem ensinar algo além disso: que é proibido ter muitas esposas mesmo que todas sejam como Avigail, justa e piedosa, que impediu David de pecar.
"Não multiplicará para si cavalos" — mas somente o suficiente para sua carruagem. E "prata e ouro não multiplicará muito para si" — mas somente o suficiente para dar o sustento [de seus soldados]. — O rei pode manter cavalos apenas na medida necessária para sua carruagem de guerra e de paz, não como luxo ou ostentação de poder; e pode acumular prata e ouro apenas na medida necessária para pagar o sustento de suas tropas — não para engrandecimento pessoal.
E escreve para si um Sefer Torá para seu próprio uso. Quando sai para a guerra, leva-o consigo; quando entra, traz-o consigo; quando se assenta em juízo, está com ele; quando se reclina [para comer], está diante dele, como está dito: "e estará com ele, e nele lerá todos os dias de sua vida" (Devarim 17:19). — Além do Sefer Torá que todo israelita é obrigado a possuir, o rei escreve um segundo rolo especificamente para si, que o acompanha em todas as circunstâncias — na guerra, no juízo, na refeição — em cumprimento literal do versículo que ordena sua leitura contínua durante toda a vida.
Toda a segunda metade da mishná é uma paráfrase quase literal da "parashat melech" de Devarim 17 — os três limites impostos ao rei de Israel, e a obrigação de escrever e ler o Sefer Torá todos os dias de sua vida.
Rambam define com precisão a guerra facultativa, o "caminho do rei" e o "aspanya", explica o motivo prático da permissão de cavalos para a guerra, e confirma que a halachá segue o primeiro Tana quanto ao limite de esposas. Bartenura acrescenta a base bíblica do número dezoito e resume as três posições da disputa.
Rambam define a guerra facultativa como a guerra contra os demais povos, além dos sete povos de Canaã e Amalek (que são guerras obrigatórias) — e uma de suas condições é que só pode ser travada com a autorização conjunta do rei e do Sinédrio. Explica "ninguém o impede" como "ninguém discorda dele", e "porção da frente" como metade de todo o despojo tomado pelo povo, além da parte que já cabia normalmente ao próprio rei. Sobre os cavalos: é permitido ao rei multiplicá-los tanto quanto necessário para montar seus soldados e intimidar o inimigo em suas guerras — o que a Torá proíbe é manter cavalos ociosos, em estábulos preparados apenas para seu próprio prazer de montaria em qualquer dia que desejar. Define "aspanya" como o sustento dos soldados e guerreiros. E conclui que a halachá não segue nem Rabi Yehudá nem Rabi Shimon, mas o primeiro Tana, que fixa o limite em dezoito esposas.
Bartenura confirma que a guerra facultativa é a guerra contra outros povos além de Amalek e das sete nações. Explica "porção da frente" como o direito do rei de escolher primeiro a melhor parte, tomando metade de todo o despojo. Deduz o número dezoito: David tinha seis esposas quando o profeta lhe disse "e se fosse pouco, eu te acrescentaria outras tantas" — a primeira "outras tantas" soma seis, a segunda mais seis, totalizando dezoito — e a halachá segue o primeiro Tana. Sobre os cavalos: apenas cavalos ociosos, mantidos para satisfação pessoal e ostentação, são proibidos; os necessários para a cavalaria de guerra são permitidos. E define "aspanya" como o pagamento anual das tropas que entram e saem em seu serviço durante todo o ano.
Rashi, sobre a Guemará de Sanhedrin 20b-21b, explica o rompimento de cercas e a porção do despojo, define brevemente as dezoito esposas e o aspanya, cada trecho junto à sua respectiva "mishná" na estrutura da Guemará.
Rashi comenta cada cláusula da mishná no mesmo ponto em que a Guemará a introduz. Explica que "abre" refere-se a cercas de terceiros, e que "para fazer para si um caminho" significa o acesso a seu próprio campo e vinha. Sobre a "porção da frente": o rei escolhe primeiro a melhor parte do despojo, tomando metade do total. Quanto às dezoito esposas, remete à dedução que a própria Guemará traz logo em seguida, a partir da soma das esposas de David em Chevron com a promessa do profeta. E define "aspanya" como o pagamento anual das tropas que entram e saem a serviço do rei ao longo de todo o ano — o limite exato até onde é permitido acumular prata e ouro.