Examinavam-nas [as testemunhas] com sete inquirições: em qual semana, em qual ano, em qual mês, em qual dia do mês, em qual dia, em qual hora, em qual lugar. Rabi Yossei diz: em qual dia, em qual hora, em qual lugar. — Depois da advertência solene descrita ao final do perek anterior, o tribunal passava ao exame técnico propriamente dito: as chakirot, sete perguntas fixas sobre o momento exato do evento. "Semana" aqui não significa sete dias, mas o septênio — em qual ciclo de sete anos dentro do jubileu de quarenta e nove anos ocorreu o fato; "ano" é o ano específico dentro desse septênio; depois vêm o mês, o dia do mês, o dia da semana, a hora e, por fim, o lugar. O propósito de perguntas tão específicas era permitir, mais adiante, a hazamá — a refutação da testemunha por outra dupla que jure tê-la visto em outro lugar naquele exato momento —, o que só é possível quando o tempo e o lugar do suposto crime ficam fixados com precisão. Rabi Yossei discorda quanto à necessidade das quatro primeiras perguntas, considerando suficientes apenas as três últimas — dia, hora e lugar —, mas a lei não segue sua opinião: mesmo quando as testemunhas afirmam que o fato ocorreu "ontem", exige-se ainda assim o exame completo das sete inquirições.
Reconheceis-o? Advertistes-o? No caso de quem serve à idolatria: a quem serviu, e de que modo serviu? — Estas três perguntas — se as testemunhas conheciam a vítima (para excluir, por exemplo, a possibilidade de terem confundido um gentio com um judeu), se de fato advertiram o transgressor antes do ato, e os detalhes específicos exigidos em cada tipo de acusação, como no caso de idolatria — não fazem parte das sete chakirot que levam à hazamá. Pertencem, em vez disso, à categoria mais ampla das bedikot: exames destinados apenas a expor contradições entre as testemunhas, não a fixar tempo e lugar. Essa distinção entre chakirot e bedikot, aqui apenas indicada, será desenvolvida em detalhe na mishná seguinte.
Rambam esclarece a divergência de Rabi Yossei: ele dispensa as quatro primeiras perguntas — semana, ano, mês, dia do mês — exigindo apenas dia da semana, hora e lugar. E localiza a base bíblica das sete inquirições em três versículos de Devarim que tratam dos que incorrem em pena de morte pelo tribunal: "inquirirás, e investigarás, e perguntarás bem" (13:15) — três termos; "e te for anunciado, e ouvires, e investigares bem" (17:4) — mais dois; e "e os juízes investigarão bem" (19:18) — mais dois, somando sete. Estas expressões reforçam a exigência de se estabelecer a verdade do fato com absoluto rigor. E confirma que a lei não segue Rabi Yossei: mesmo quando as testemunhas afirmam que o homicídio ocorreu "ontem", exige-se ainda assim o exame completo pelas sete inquirições.
Bartenura conta as sete inquirições, uma a uma, a partir dos mesmos três versículos de Devarim que Rambam cita, mostrando como cada um contribui com termos distintos até completar sete. Explica que "semana" refere-se ao ciclo do jubileu, e "ano" ao ano dentro desse ciclo de sete anos. E sobre "reconheceis-o", esclarece que a pergunta se refere ao morto — pois talvez fosse um gentio, cuja morte não acarreta a mesma pena —, e que esta pergunta não pertence às inquirições que levam à hazamá, mas às demais bedikot, cujo único propósito é expor contradição entre as testemunhas.
Rashi situa a mishná na sequência do capítulo anterior: depois de advertir as testemunhas, o tribunal passava ao exame propriamente dito. Explica cada uma das sete inquirições — o "semana" refere-se ao jubileu, o "ano" ao septênio, o dia do mês costuma ser questionado em termos de vinte ou vinte e cinco. Sobre por que se pergunta o dia da semana mesmo depois de já ter sido dado o dia do mês, Rashi dá a razão prática central de todo o sistema: cada uma dessas sete perguntas serve para viabilizar a hazamá — pois pode não haver testemunhas capazes de refutar as primeiras por todo aquele dia, mas pode haver quem as refute justamente para aquela hora específica. E confirma que "reconheceis-o" e as perguntas sobre a idolatria pertencem à categoria distinta das bedikot, cujo único papel é expor contradição — não fixar tempo e lugar para a hazamá.