O blasfemador não é responsável até que pronuncie o Nome. Disse Rabi Yehoshua ben Korcha: todo dia julgam-se as testemunhas com um substituto: "fira Yossei a Yossei". — A responsabilidade pela blasfêmia exige que o transgressor tenha efetivamente pronunciado o Nome divino ao proferir a maldição; uma maldição dirigida a Deus por meio de um epíteto genérico, sem o Nome propriamente dito, não gera essa responsabilidade capital. Rabi Yehoshua ben Korcha descreve o procedimento seguido ao longo de toda a instrução do caso, enquanto o tribunal ainda examina e interroga as testemunhas: para evitar que a blasfêmia seja pronunciada repetidamente durante os dias de exame, as testemunhas relatam o que ouviram usando um substituto do Nome — a expressão exemplificada é "fira Yossei a Yossei", um nome de quatro letras como substituto do Nome de quatro letras.
Encerrado o julgamento, não se mata com base no substituto; antes, fazem sair todas as pessoas para fora, e perguntam ao maior dentre eles, e lhe dizem: "diz o que ouviste explicitamente"; e ele diz. E os juízes ficam de pé sobre seus pés e rasgam, e não costuram. E o segundo diz: "também eu, como ele". E o terceiro diz: "também eu, como ele". — Uma vez que o tribunal está pronto para proferir a sentença de culpa, já não basta a testemunha usada durante a instrução: é necessário ouvir a expressão exata, tal como foi pronunciada. Para que isso não se torne, em si mesmo, uma nova blasfêmia pública, retiram-se todos os presentes que não são estritamente necessários, e apenas a mais destacada das testemunhas repete, uma única vez, a expressão literal que ouviu. Ao ouvi-la, os juízes — de pé, em sinal de luto pela profanação do Nome — rasgam suas próprias vestes, e esse rasgo nunca é costurado de volta. As demais testemunhas, para não repetir a blasfêmia, limitam-se a confirmar que ouviram o mesmo que a primeira.
Rambam esclarece que "não costuram" significa especificamente que não se permite a costura que disfarça completamente o rasgo, como a de um tecelão, que reconstitui o pano sem que a rasgadura fique visível; uma costura comum, que ainda deixa o rasgo perceptível, é permitida depois. Explica também por que basta à segunda e à terceira testemunha dizer "também eu, como ele", sem repetir a expressão: para que a maldição divina não seja pronunciada de novo desnecessariamente. E nota que a menção específica de uma terceira testemunha ensina que, mesmo quando há três testemunhas, elas contam como um único testemunho — regra já conhecida de que três equivalem, para esse efeito, a duas. Rambam confirma que o ensinamento de Rabi Yehoshua ben Korcha está correto.
Bartenura deriva a condição da própria repetição do verbo "pronunciar" no versículo, que a leitura tradicional interpreta como exigindo que o Nome específico seja articulado. Explica que o substituto era usado durante todo o período de exame e apuração das testemunhas, antes do veredito. Traz a tradição de que "Yossei" foi escolhido por ter quatro letras e por seu valor numérico coincidir com o de "Elohim" — daí ser um substituto adequado para o Nome de quatro letras. Confirma que a razão para retirar o público é a indignidade de expor a maldição divina a muitos ouvintes, e que o rasgo das vestes dos juízes nunca é costurado de volta com uma técnica que o dissimule por completo — apenas com uma costura comum, que deixa o rasgo visível, e mesmo essa somente depois.
Rashi confirma que a condição de "pronunciar o Nome" exige que o próprio transgressor o tenha articulado — se apenas ouviu o Nome sair da boca de outra pessoa e o amaldiçoou, ele é isento. Explica que o uso do substituto era contínuo durante toda a fase de exame das testemunhas. Sobre o momento do veredito, esclarece por que a testemunha ouvida durante a instrução — que só relatou com o substituto — não basta para condenar: falta ao tribunal a certeza da palavra exata. E confirma que a saída do público visa proteger a honra do Nome, que o rasgo das vestes dos juízes é permanente, e que a segunda e a terceira testemunha se limitam a confirmar sem repetir a expressão blasfema.