E três fileiras de discípulos dos sábios sentavam-se diante deles, e cada um reconhecia o seu lugar. Quando precisavam ordenar um novo juiz, ordenavam da primeira fileira; um da segunda vinha para a primeira, e um da terceira vinha para a segunda, e escolhiam mais um da assembleia e o assentavam na terceira. E ele não se sentava no lugar do primeiro, mas se sentava no lugar apropriado para ele. — A imagem é a de um sistema de sucessão cuidadosamente ordenado: os discípulos mais avançados formavam a primeira fileira, logo abaixo dos próprios juízes, seguidos por uma segunda e uma terceira fileira de níveis decrescentes de proficiência. Quando o tribunal precisava de um novo membro — por exemplo, se um juiz morresse durante o processo —, não se recrutava alguém de fora: promovia-se o discípulo mais graduado da primeira fileira, e então toda a cadeia se deslocava um degrau — da segunda para a primeira, da terceira para a segunda —, abrindo uma vaga na última fileira, que então se preenchia com alguém escolhido da assembleia geral. Mas esse recém-chegado não herdava automaticamente o prestígio de quem havia sido promovido: sentava-se no fim da fileira, no lugar correspondente ao seu próprio mérito — pois mesmo o discípulo mais modesto das três fileiras já era considerado superior a qualquer sábio anônimo vindo de fora.
Rambam remete ao que já havia estabelecido no primeiro perek deste tratado: todo tribunal de vinte e três membros tem diante de si três fileiras, e cada fileira, por sua vez, também é composta por vinte e três pessoas, ordenadas rigorosamente por grau de sabedoria — do primeiro ao último lugar. Essa estrutura tripla e simétrica é o que permite ao sistema absorver a perda de um juiz sem improviso: a substituição segue sempre a mesma cadeia ordenada de mérito.
Bartenura explica a razão numérica das três fileiras de vinte e três: se o tribunal ficasse dividido, com maioria condenando e minoria absolvendo, uma inclinação para o mal não pode se basear numa diferença de um único voto — é preciso somar juízes, dois a dois, até no máximo setenta e um. Como não seria apropriado ter mais fileiras de discípulos do que de juízes, fixaram-se três fileiras. Sobre o lugar do recém-escolhido da assembleia, Bartenura confirma o ponto mais contundente da mishná: mesmo o discípulo mais modesto das três fileiras é considerado superior ao maior sábio de fora delas — por isso o novato senta-se sempre no fim da última fileira, nunca herdando o posto de quem foi promovido.
Rashi confirma o cálculo por trás das três fileiras de vinte e três: como uma condenação nunca pode se apoiar numa maioria de apenas um voto, é preciso poder ampliar o tribunal, de dois em dois juízes, até o limite de setenta e um — e as três fileiras de discípulos fornecem exatamente essa reserva. Ele acrescenta um detalhe físico revelador: mesmo os discípulos se sentavam em disposição semicircular como os juízes, mas os juízes em bancos e os discípulos no chão — uma hierarquia visível no próprio espaço da sala. Sobre a promoção em cadeia, Rashi explica a lógica por trás de nunca se trazer alguém direto da assembleia para a primeira fileira: mesmo o discípulo mais fraco das três fileiras internas já superava em conhecimento o maior sábio de fora delas, de modo que a ordem de mérito jamais poderia ser contornada.