O local do apedrejamento tinha a altura de duas estaturas. Uma das testemunhas o empurra por seus quadris. Se ele virou sobre o peito, ela o vira novamente sobre os quadris. Se morreu com isso, cumpriu-se. E se não, o segundo toma a pedra e a coloca sobre seu peito. Se morreu com isso, cumpriu-se. E se não, seu apedrejamento é por todo Israel, pois foi dito: "a mão das testemunhas será nele primeiro, para matá-lo, e a mão de todo o povo por último" (Devarim 17:7). — A plataforma de onde o condenado era lançado tinha o dobro da altura de uma pessoa. Ali, uma das testemunhas que depuseram contra ele o empurrava pelos quadris, de modo que caísse de costas; se ele se virasse de bruços durante a queda, a testemunha o virava de volta, pois cair de bruços era considerado mais degradante. Se a própria queda já causasse a morte, o preceito estava cumprido. Caso contrário, a segunda testemunha tomava uma pedra já preparada para esse fim e a lançava sobre seu peito; se isso bastasse para causar a morte, o preceito estava cumprido. Somente se nem a queda nem essa primeira pedra fossem suficientes é que a execução se completava com a participação de todo o povo presente, conforme o versículo que estabelece que a mão das testemunhas atua primeiro, e a mão de todo o povo, por último.
Todos os apedrejados são pendurados — palavras de Rabi Eliezer. E os Sábios dizem: não é pendurado senão o que blasfemou e o que serviu à idolatria. Ao homem, penduram-no com o rosto voltado para o povo; e à mulher, com o rosto voltado para a madeira — palavras de Rabi Eliezer. E os Sábios dizem: o homem é pendurado, mas a mulher não é pendurada. Disse-lhes Rabi Eliezer: Acaso Shimon ben Shatach não pendurou mulheres em Ashkelon? Disseram-lhe: ele pendurou oitenta mulheres, e não se julgam dois num mesmo dia. — Depois de consumada a execução, discute-se se o corpo do executado é pendurado postumamente. Rabi Eliezer estende essa prática a todos os que foram apedrejados; os Sábios a restringem a apenas duas categorias de transgressores — o blasfemador, que amaldiçoou o Nome, e o idólatra. Sobre como o corpo é pendurado, Rabi Eliezer distingue por gênero: o homem com o rosto voltado para o povo, e a mulher com o rosto voltado para a própria madeira, por modéstia; os Sábios, porém, vão além e negam que o corpo da mulher seja pendurado. Rabi Eliezer traz um precedente histórico contra essa posição — o caso em que Shimon ben Shatach pendurou mulheres em Ashkelon — mas os Sábios respondem que aquele episódio não prova a regra geral: tratou-se de oitenta mulheres executadas e penduradas em um único dia, uma circunstância que, por si só, já viola a norma segundo a qual um mesmo tribunal não pode julgar dois casos capitais no mesmo dia — sinal de que aquele foi um ato extraordinário, fora do procedimento normal, e não um precedente halachico válido.
Como o penduram? Encravam a trave na terra, e a madeira sai dela, e juntam-se as duas mãos, uma sobre a outra, e o penduram. Rabi Yossei diz: a trave está inclinada contra a parede, e o penduram do modo como fazem os açougueiros. E o soltam imediatamente. E se pernoitou, transgride um preceito negativo, pois foi dito: "não pernoitará seu cadáver sobre a madeira, mas certamente o enterrarás, pois maldição de D-us é o pendurado..." (Devarim 21:23). Isto é: por que este está pendurado? Porque bendisse o Nome, e assim o Nome do Céu é profanado. — A mishná descreve por fim a técnica do próprio ato de pendurar: uma trave é fincada verticalmente na terra, com uma peça de madeira saliente perto do topo, e as duas mãos do corpo são unidas uma sobre a outra e amarradas a essa peça. Rabi Yossei descreve um método alternativo, em que a trave não é fincada no chão, mas apoiada inclinada contra uma parede, à maneira como os açougueiros penduram carne. Em qualquer dos dois métodos, porém, a mishná estabelece a regra central, absoluta, que fecha o capítulo: o corpo pendurado é desamarrado e enterrado imediatamente, no mesmo dia — e se, por qualquer motivo, permanece pendurado durante a noite, transgride-se um preceito negativo explícito da Torá. E a mishná explica o próprio sentido dessa lei: alguém que visse o corpo ainda pendurado perguntaria por que razão aquele homem foi pendurado, e a resposta — que ele blasfemou contra o Nome — faria com que o próprio Nome de D-us fosse mencionado em conexão com a desonra, profanando-O; daí a urgência absoluta de remover o corpo antes do anoitecer.
Rambam explica que a exigência de que a execução se dê a partir de um lugar elevado se justifica porque, sob a ótica do sofrimento causado, é indiferente se a pedra cai sobre o condenado ou se ele cai sobre a pedra — ambos os modos de dizer da Torá, "será apedrejado" ou "será atirado", descrevem essencialmente o mesmo evento físico. Sobre quem tem o corpo pendurado, esclarece que o idólatra é considerado um caso de blasfêmia — pois o próprio versículo que fala de "agir com mão erguida" contra D-us é interpretado, no contexto de sua parashá, como referindo-se à idolatria. E quanto ao precedente de Shimon ben Shatach, reafirma que tanto a execução das oitenta mulheres num único dia quanto o próprio ato de pendurá-las foram decisões extraordinárias de emergência, das quais não se deriva halachá permanente; a lei não segue Rabi Eliezer.
Bartenura explica que a restrição de não julgar dois casos capitais no mesmo tribunal em um único dia decorre da impossibilidade prática de revisar cuidadosamente o mérito de cada um deles — por isso o precedente das oitenta mulheres penduradas por Shimon ben Shatach num só dia é entendido como decisão extraordinária, sem valor normativo, e a halachá não segue Rabi Eliezer. Sobre o método de Rabi Yossei — a trave apoiada contra a parede, e não fincada no chão —, explica que sua razão é a seguinte: como a própria madeira sobre a qual o corpo foi pendurado deve ser enterrada junto com ele (pois a Torá diz "certamente o enterrarás", excluindo aquilo que, além do próprio enterro, exigiria também ser desenterrado da terra), a trave não pode estar fincada no solo. Os demais Sábios discordam, entendendo que desenterrá-la não representa dificuldade relevante; e a halachá segue os Sábios.
Rashi observa a forma verbal precisa usada pela Torá — no futuro, "será apedrejado" — e não no passado, contrastando-a com a construção paralela usada para o disparo à distância ("será atirado"). Essa nuance gramatical sustenta a leitura de Rambam de que ambas as formas de execução — queda sobre a pedra e pedra lançada sobre o corpo — descrevem, do ponto de vista da lei, o mesmo processo.
Rashi explica a base exegética pela qual o idólatra é incluído junto ao blasfemador entre os que têm o corpo pendurado após a execução: a estrutura do próprio versículo, ao afastar certos termos uns dos outros em vez de aproximá-los, indica que a lei não deve ser lida pela regra hermenêutica do "geral e particular" — o que abre espaço para incluir o idólatra por comparação direta, já que, tal como o blasfemador, ele nega o princípio fundamental da fé em D-us.