Fazem-se todas as necessidades do morto — ainda que seja proibido movimentar o corpo de um morto em Shabat como qualquer objeto muktzê, os Sábios permitiram os cuidados básicos de higiene e preservação do corpo — unge-se — com óleo — e enxagua-se — com água, e tapam-se também os orifícios do corpo, superiores e inferiores, com um pano ou algo semelhante, para que o ar não entre neles e o corpo não inche — contanto que não se mova nenhum membro — isto é, que não se levante nem a mão, nem o pé, nem os cílios do morto, pois é proibido deslocar o morto ou qualquer parte dele, ainda que seja permitido tocá-lo — do mesmo modo que qualquer objeto muktzê pode ser tocado, mas não deslocado — retira-se o travesseiro de baixo dele — puxando-o de sob o corpo sem levantar o corpo em si — e coloca-se sobre a areia — de modo que o corpo fique deitado diretamente sobre o chão fresco de areia — para que aguarde — a fim de que o calor dos lençóis e travesseiros não acelere sua decomposição, retardando o mau cheiro até que se possa providenciar o sepultamento — amarra-se o queixo — do morto cuja boca estava se abrindo progressivamente — não para que suba — a amarração não deve ter como propósito fechar de volta o que já se abriu, pois isso constituiria deslocar um membro — mas para que não avance mais — a intenção permitida é apenas impedir que a boca continue a se abrir ainda mais — e assim também uma viga que se quebrou — a mishná retorna, por analogia estrutural, a um caso de manutenção emergencial de um objeto doméstico — escora-se com um banco ou com as longarinas da cama — apoiando a viga rachada com um objeto que já tem status de utensílio, o que evita a aparência de estar consertando de fato a estrutura — não para que suba — o apoio não deve servir para levantar de volta a parte já cedida, pois isso seria como construir — mas para que não avance mais — apenas para impedir que a rachadura piore — não se fecham os olhos do morto em Shabat — pois isso constitui deslocar um membro (as pálpebras) do corpo — nem em dia comum no momento da saída da alma — mesmo fora de Shabat, é proibido fechar os olhos de alguém que ainda está no processo de morrer, pois isso pode acelerar sua morte — e quem os fecha no momento da saída da alma, eis que este derrama sangue — é considerado como se tivesse cometido homicídio, pois o mínimo movimento nesse momento crítico pode precipitar a morte de quem talvez ainda estivesse vivo.
Muktzê: tocar sem deslocar. O morto, por não ter mais utilidade funcional, entra na categoria de muktzê (algo "posto de lado", cujo manuseio é vedado em Shabat) — e por isso é proibido deslocar seu corpo ou qualquer de seus membros, ainda que seja permitido tocá-lo diretamente para os cuidados de higiene mencionados nesta mishná. Essa mesma distinção — permitido tocar, proibido deslocar — rege toda a categoria de objetos muktzê na Torá Oral, e a mishná a aplica aqui com delicadeza redobrada, equilibrando o respeito devido ao morto com os limites da melachá em Shabat (Rambam, Hilchot Shabat 26:20).
Como o Rambam codifica, em Hilchot Shabat, os cuidados permitidos com o corpo do morto, quase palavra por palavra como a mishná.
Encerramento do Perek Kaf-Gimel: os comentadores explicam por que a analogia com a viga quebrada esclarece a natureza permitida do gesto de amarrar o queixo, e a gravidade de fechar os olhos no momento da morte.
"Fazem-se todas as necessidades do morto: unge-se e enxagua-se etc." — quando a pessoa retira o que está sob o morto, das roupas de cama, o corpo permanece deitado sobre a areia; e esta é a intenção de dizer "e o colocam sobre a areia" — não que o desloquem de seu lugar e o depositem sobre o chão, pois isso já foi condicionado ao dizer, em relação ao seu banho, "contanto que não se mova nenhum membro", visto que deslocar o morto em Shabat é proibido.
E "me'atzmin" é fechar e vedar os olhos.
"Unge-se" — com óleo. "E enxagua-se" — com água. "E tapam-se seus orifícios" — vedam-se os orifícios superiores e inferiores com um pano ou qualquer outra coisa, para que o vento não entre neles e o corpo não inche.
"Contanto que não se mova nenhum membro" — que não se desloque nem se levante a mão, nem o pé, nem os cílios dos olhos, pois é proibido deslocar o morto ou qualquer membro dele, ainda que seja permitido tocá-lo.
"Retira-se o travesseiro de baixo dele" — e o corpo permanece deitado sobre a areia, mas não se desloca o corpo para colocá-lo sobre a areia, pois já se ensinou no início "contanto que não se mova nenhum membro". "Para que aguarde" — para que não apodreça por causa do calor dos lençóis e travesseiros.
"Amarra-se o queixo" — do morto cuja boca estava se abrindo. "Não para que suba" — para fechar de volta o que se abriu, o que seria deslocar um membro, "mas para que não avance mais" a se abrir.
"Escora-se com um banco" — pois este já tem sobre si a condição de utensílio. "Não para que suba" — pois isso seria como construir.
"Não se fecham" — os olhos dele em Shabat, mesmo depois da saída da alma, pois isso seria deslocar um membro. "Derrama sangue" — pois com um gesto mínimo antecipa sua morte.
"Enxagua-se" — com água. "Contanto que não se mova nenhum membro" — que não se levante sua mão, ou seu pé, ou os cílios de seus olhos. "Para que aguarde" — para que não apodreça por causa do calor do lençol e dos travesseiros.
"Amarra-se o queixo" — do morto cuja boca estava se abrindo progressivamente; amarram-se seus queixos para que a boca não se abra mais. "Não para que suba" — para fechar de volta o que se abriu, o que seria deslocar um membro, "mas para que não avance mais" a se abrir.
"Escora-se com um banco" — pois este já tem sobre si a condição de utensílio. "Não para que suba" — pois isso seria como construir.
O encerramento do Perek Kaf-Gimel. Com esta mishná se conclui o Perek Kaf-Gimel, dedicado aos limites da fala e da ação em Shabat diante dos compromissos sociais mais urgentes da vida: a fórmula correta para pedir emprestado sem incorrer no decreto contra a escrita (mishná 1); contar convidados e sortear porções em família, sempre pela memória e nunca pela leitura de um documento (mishná 2); a proibição de contratar trabalhadores, e a regra de Abba Shaul sobre ir ao limite da cidade por causa de um preceito (mishná 3); os preparativos para uma noiva e para um morto, incluindo os limites do uso de flautas trazidas por um gentio (mishná 4); e, por fim, os cuidados de higiene com o próprio corpo do morto, sempre tocando sem deslocar (mishná 5). O Perek Kaf-Dálet, último tratado deste massechet, dará continuidade às leis de Shabat com os temas finais da massechet.