Seder Moed · Massechet Shekalim · Perek ה׳ · Mishná 4 de 6

O sistema de compra das libações

מִי שֶׁהוּא מְבַקֵּשׁ נְסָכִים
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Descreve o mecanismo prático de duas etapas pelo qual alguém adquiria as libações necessárias para seu sacrifício — primeiro comprando um selo de Yochanan, depois trocando-o por libações com Achiyá — e a conciliação de contas ao fim do dia, sempre em favor do Templo.

Aquele que busca libações vai até Yochanan, que é o encarregado dos selos, dá-lhe dinheiro e recebe dele um selo. Vem até Achiyá, que é o encarregado das libações, dá-lhe o selo e recebe dele as libações.Quem precisava de farinha, óleo e vinho para acompanhar seu sacrifício não comprava diretamente dos vendedores: primeiro pagava a Yochanan, o encarregado dos selos descritos na mishná anterior, recebendo em troca um selo marcado com o tipo de libação necessário; em seguida, levava esse selo a Achiyá, o encarregado das próprias libações, que lhe entregava a mercadoria em troca do selo — sem manuseio direto de dinheiro nesse segundo passo.

E à noite, vêm um até o outro: Achiyá traz os selos e recebe em troca deles o dinheiro. E se sobrou, sobrou para o Templo. E se faltou, Yochanan pagava de seu próprio bolso, pois a mão do Templo está por cima.Ao final do dia, os dois encarregados se encontravam para acertar as contas: Achiyá devolvia a Yochanan todos os selos recebidos ao longo do dia, e Yochanan lhe entregava o dinheiro correspondente — o mesmo dinheiro que originalmente recebera de cada comprador. Se, na contagem, sobrasse dinheiro em mãos de Yochanan além do valor dos selos devolvidos, esse excedente pertencia ao Templo; mas se faltasse — sinal de que Yochanan havia entregado selos sem receber o pagamento correspondente —, era ele quem cobria a diferença do próprio bolso, pois o princípio geral é que o Templo nunca sai perdendo.

מִי שֶׁהוּא מְבַקֵּשׁ נְסָכִים הוֹלֵךְ לוֹ אֵצֶל יוֹחָנָן שֶׁהוּא מְמֻנֶּה עַל הַחוֹתָמוֹת, נוֹתֵן לוֹ מָעוֹת וּמְקַבֵּל מִמֶּנּוּ חוֹתָם. בָּא לוֹ אֵצֶל אֲחִיָּה שֶׁהוּא מְמֻנֶּה עַל הַנְּסָכִים, וְנוֹתֵן לוֹ חוֹתָם וּמְקַבֵּל מִמֶּנּוּ נְסָכִים. וְלָעֶרֶב בָּאִין זֶה אֵצֶל זֶה, וַאֲחִיָּה מוֹצִיא אֶת הַחוֹתָמוֹת וּמְקַבֵּל כְּנֶגְדָּן מָעוֹת. וְאִם הוֹתִירוּ הוֹתִירוּ לַהֶקְדֵּשׁ. וְאִם פָּחָתוּ, הָיָה מְשַׁלֵּם יוֹחָנָן מִבֵּיתוֹ, שֶׁיַּד הֶקְדֵּשׁ עַל הָעֶלְיוֹנָה:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Bemidbar 15:4
וְהִקְרִיב הַמַּקְרִיב קָרְבָּנוֹ לַה׳ מִנְחָה סֹלֶת עִשָּׂרוֹן בָּלוּל בִּרְבִיעִית הַהִין שָׁמֶן׃
E o que oferecer, oferecerá sua oferenda ao Eterno: uma oferenda de farinha, um décimo de efá, amassada com um quarto de hin de azeite.

A Torá vincula toda oferenda de animal a uma libação de farinha e óleo, medida com precisão. Como cada tipo de sacrifício exige uma medida diferente — conforme detalhado na mishná anterior sobre os quatro selos —, o Templo precisava de um sistema organizado para que qualquer israelita, ao trazer seu sacrifício, pudesse adquirir rapidamente a libação exata correspondente, já preparada "sobre a pureza do sagrado", sem depender de fornecedores individuais fora do controle do tesouro.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura · Shekalim 5:4
בָּא לוֹ אֵצֶל אֲחִיָּה שֶׁהָיָה מְמֻנֶּה — לִקְנוֹת נְסָכִים, יֵינוֹת שְׁמָנִים וּסְלָתוֹת, כְּדֵי שֶׁלֹּא יְהֵא צָרִיךְ כָּל מֵבִיא קָרְבָּן לְחַזֵּר אַחַר נְסָכִים הָעֲשׂוּיִין עַל טָהֳרַת הַקֹּדֶשׁ:

"Vem até Achiyá, que era o encarregado" — de vender as libações, vinhos, óleos e farinhas finas, para que não fosse necessário a cada um que trouxesse um sacrifício procurar por libações já preparadas sob os padrões de pureza exigidos pelo sagrado.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Shekalim 5:4
מִי שֶׁהוּא מְבַקֵּשׁ נְסָכִים כוּ': כָּל זֶה מְבֹאָר, כִּי אֲחִיָּה הָיָה מוֹצִיא הַחוֹתָם שֶׁהוּא בִּכְתַב יַד יוֹחָנָן, וְשׁוֹאֵל מִיּוֹחָנָן הַמָּעוֹת שֶׁקִּבֵּל. אִם הוֹתִירוּ אֶצְלוֹ, הוֹתִירוּ לְהֶקְדֵּשׁ; וְלָזֶה הַמּוֹתָר רָמַז בַּפֶּרֶק הַנִּקְדָּם בְּאָמְרוֹ "מוֹתַר נְסָכִים":

"Aquele que busca libações etc.": tudo isso está claro — Achiyá trazia o selo que continha a letra de Yochanan, e cobrava de Yochanan o dinheiro que este havia recebido. Se sobrasse em mãos dele, sobrava para o Templo; e é a esse excedente que a mishná aludiu no capítulo anterior, ao mencionar "o sobejo das libações".

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Shekalim 5:4
נוֹתֵן לוֹ מָעוֹת. כְּפִי הַנְּסָכִים שֶׁהוּא צָרִיךְ: בָּא לוֹ אֵצֶל אֲחִיָּה שֶׁהָיָה מְמֻנֶּה. לִקְנוֹת נְסָכִים, יֵינוֹת שְׁמָנִים וּסְלָתוֹת, כְּדֵי שֶׁלֹּא יְהֵא צָרִיךְ כָּל מֵבִיא קָרְבָּן לְחַזֵּר אַחַר נְסָכִים הָעֲשׂוּיִין עַל טָהֳרַת הַקֹּדֶשׁ: וְאִם הוֹתִירוּ הוֹתִירוּ לַהֶקְדֵּשׁ. וְלֹא אָמְרִינַן שֶׁמָּא מְעוֹתָיו שֶׁל יוֹחָנָן הֵם שֶׁנִּתְעָרְבוּ בְּמָעוֹת שֶׁל נְסָכִים:

"Dá-lhe dinheiro" — conforme as libações de que necessita. "Vem até Achiyá, que era o encarregado" — de vender as libações, vinhos, óleos e farinhas finas, para que não fosse necessário a cada um que trouxesse um sacrifício procurar por libações já preparadas sob os padrões de pureza exigidos pelo sagrado.

"E se sobrou, sobrou para o Templo" — e não se levanta a dúvida de que talvez fosse dinheiro do próprio Yochanan, misturado ao dinheiro das libações — presume-se que todo o excedente pertence ao sagrado.

Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli — este tratado só tem Guemará no Talmud Yerushalmi, restando no Bavli apenas a Mishná e a Tosefta. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.