Até quando se chamam mudas? Rabi Elazar ben Azaryá diz: até que se tornem [permitidas] (sheiacholu). Rabi Yehoshua diz: [até que completem] sete anos. Rabi Akivá diz: muda conforme seu nome [a define] — [enquanto assim for chamada pelas pessoas]. Uma árvore que foi cortada [rente ao chão] e brotou renovos (chalifin) — se [o toco restante tem] menos de um tefach, é como uma muda; se [tem] mais de um tefach, é como uma árvore [madura] — palavras de Rabi Shimon.
Esta Mishná de encerramento conecta a definição de "muda" — central para toda a discussão do Perek Alef — a outra lei bíblica sobre árvores jovens: a proibição de orlá, os três primeiros anos de fruto proibido.
Por que a definição de "muda" depende de orlá. Segundo Rabi Elazar ben Azaryá, a árvore deixa de ser chamada "muda" precisamente quando seu fruto se torna permitido para consumo — ou seja, quando os três anos de orlá terminam e ela é resgatada (se for neta revai, o quarto ano consagrado) ou passa a produzir fruto comum a partir do quinto ano. Essa posição liga diretamente a terminologia de "campo de árvores" discutida ao longo de todo o Perek Alef à lei bíblica de orlá — sugerindo que uma árvore só é considerada plenamente "árvore" (e não mais "muda") quando já produz fruto utilizável do ponto de vista halachico, exatamente o mesmo critério funcional (capacidade produtiva) que orientou a definição de "campo de árvores" desde a Mishná 1:2. Rabi Yehoshua propõe um critério numérico fixo — sete anos, independente do resgate de orlá — e Rabi Akivá, um critério puramente convencional: o costume popular de como as pessoas chamam a árvore.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide como halachá final a posição de Rabi Akivá — "muda conforme seu nome", isto é, o critério do uso popular da linguagem — e não as posições numéricas de Rabi Elazar ben Azaryá ou Rabi Yehoshua, seguindo o próprio comentário do Rambam à Mishná. Quanto à árvore cortada, o Rambam adota integralmente a posição de Rabi Shimon: o critério de um tefach de altura do toco remanescente determina se a rebrota é tratada como muda jovem ou como árvore já estabelecida — relevante tanto para a lei de lavoura de shevi'it quanto para a contagem dos anos de orlá.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná — a última do Perek Alef.
"Até que se tornem [permitidas]" (sheiacholu): verbo derivado da palavra chol [comum, não-sagrado]; e quer dizer que se chamam "mudas" durante todos os três anos em que são arel (proibidas) apenas — isso se resgatar o neta revai (fruto do quarto ano) que há nelas; e se não o resgatar até o fim do quarto ano, que é sagrado, [continuam "mudas"] até que se tornem comuns por si mesmas, isto é, no quinto ano.
"E Rabi Akivá diz: muda conforme seu nome": quer dizer que seguimos o costume da linguagem — tudo o que as pessoas chamam de "muda" é "muda", [inclusive] o que se disse "dez mudas dentro de um bet seá".
"Uma árvore que foi cortada e brotou renovos": explicação — quando a árvore é cortada e depois rebrota, disse Rabi Shimon que, se a cortaram até não restar dela sobre a face da terra senão menos de um tefach, o que cresce dela é como mudas; e se é mais de um tefach, o que cresce dela é como uma árvore.
E já se explicou sem dúvida a diferença entre a muda e a árvore: as árvores são três por bet seá, e as mudas são dez por bet seá — e então se chama "campo de árvores". E a halachá segue Rabi Akivá e Rabi Shimon, pois há na Tosefta coisas que concordam com suas palavras.
"Até que se tornem [permitidas]": até que saiam para o status comum (chulin) no quarto ano por meio de resgate; e se não as resgatou no quarto ano, até que se tornem comuns por si mesmas no quinto ano.
"Muda conforme seu nome": no seu primeiro ano é chamada "muda" e nada mais. Outra explicação: "conforme seu nome" — enquanto as pessoas a chamarem "muda" e não a chamarem "árvore". E a halachá segue Rabi Akivá.
"Que foi cortada" (shenigmam): que foi decepada.
"Renovos" (chalifin): brotos novos — expressão de "seu tronco se renova" (machalif).
"Como uma muda": tanto para efeito da lavoura [de shevi'it] quanto para efeito de orlá.
E a halachá segue Rabi Shimon.