Quem apara os rabos das vinhas (cortando as pontas dos ramos para engrossar o tronco) e quem corta canas (pelo mesmo motivo): Rabi Yosei HaGelilí diz, deve afastar-se um palmo (do chão, para não parecer trabalho da terra). Rabi Akiva diz, corta do modo costumeiro — com o machado, com a foice, com a serra, e com tudo o que quiser. Uma árvore que se rachou, amarram-na na shevi'it — não para que suba (e a fenda se una novamente), mas para que não aumente (a rachadura).
Esta mishná continua a discussão dos cuidados agrícolas com árvores e plantas que podem, ou não, ser equiparados à poda proibida, e sobre a árvore ferida que se pode proteger sem curá-la.
Aparar pontas versus podar de verdade; curar versus apenas proteger. Aparar os "rabos" das vinhas — as pontas dos ramos — e cortar canas visa engrossar o tronco e fortalecer a planta, um benefício semelhante ao da poda explicitamente proibida em "tua vinha não podarás". Rabi Yosei HaGelilí exige que esse corte se faça a um palmo do chão, para que não pareça a poda usual feita rente à base; Rabi Akiva permite cortar do modo costumeiro, com qualquer ferramenta, por entender que esse corte de pontas não é sequer considerado poda real. Já a árvore rachada apresenta uma questão diferente: amarrá-la para impedir que a fenda se alastre é um cuidado permitido, pois apenas evita um dano maior, sem constituir um benefício ativo à árvore — mas amarrá-la esperando que a fenda se una e cicatrize seria um verdadeiro tratamento curativo, equiparável à poda, e por isso proibido.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a halachá conforme Rabi Akiva, permitindo o corte de ponta de ramos de vinha e de canas do modo costumeiro, com qualquer ferramenta — entendendo que essa poda superficial não se equipara à poda plena proibida pela Torá. Quanto à árvore rachada, mantém-se a distinção da mishná: o cuidado permitido é apenas conter o dano, nunca promover a cura ou o crescimento da árvore.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Quem apara os rabos" (hamezanev): cortar um pouco dos ramos.
"Deve afastar-se um palmo": quero dizer, afastar-se um palmo da vinha, ou da raiz da cana. O machado é conhecido; "magal" é a foice; "megerá" é o serrote. E o sentido é que não é necessário mudar o modo de cortar — isso quando não teve a intenção de podar de verdade.
"Árvore que se rachou" (nifshach): que se abriu — em tradução aramaica de "vayeshassef" (2 Samuel 6) se traduz "ufeshach".
Explicação: "não para que suba" — não para que se una e fique colada e amarrada novamente, mas apenas para que não continue a se abrir. E a halachá segue Rabi Akiva.
"Quem apara os rabos das vinhas": corta as pontas dos ramos das vinhas para que o tronco engrosse, cresça e sua força aumente; e assim também quem corta canas, para que engrossem e sua força aumente.
"Deve afastar-se um palmo": do chão — e assim já não parece trabalho da terra.
"Que se rachou" (nifshach): que se abriu, como "vaifashecheni" (Eichá 3).
"Não para que suba": para que suas fendas se unam.
"Mas para que não aumente": a rachar-se mais.