"E falarão os oficiais ao povo, dizendo: 'Quem é o homem que edificou casa nova e não a inaugurou? Vá e volte à sua casa'" etc. Tanto faz o que edifica celeiro de palha, estábulo de gado, depósito de lenha, casa de armazéns. Tanto o que edifica, quanto o que compra, quanto o que herda, quanto aquele a quem foi dado de presente. "E quem é o homem que plantou vinha e não a resgatou" etc. Tanto o que planta a vinha quanto o que planta cinco árvores frutíferas, mesmo que das cinco espécies. Tanto o que planta, quanto o que ameiva, quanto o que enxerta, quanto o que compra, quanto o que herda, quanto aquele a quem foi dado de presente. "E quem é o homem que desposou mulher" etc. Tanto o que desposa a virgem quanto o que desposa a viúva, mesmo a cunhada que aguarda o levirato, e mesmo que tenha ouvido que seu irmão morreu na guerra, volta e vem. Todos estes ouvem as palavras do sacerdote sobre as fileiras de guerra e voltam, e fornecem água e alimento, e consertam os caminhos. — Esta mishná detalha as três isenções bíblicas explícitas do serviço militar, todas fundadas na mesma lógica compassiva: não se deve enviar à morte um homem cuja alegria de vida recém-conquistada — casa, vinha, esposa — ainda não foi vivida plenamente, pois seria cruel que outro viesse a desfrutá-la em seu lugar. A mishná amplia deliberadamente cada categoria: não apenas quem construiu, mas também quem comprou, herdou ou recebeu de presente; não apenas uma vinha inteira, mas mesmo cinco árvores frutíferas de espécies diferentes; não apenas a noiva virgem, mas também a viúva e até a cunhada que aguarda o levirato — numa extensão generosa do princípio bíblico a toda situação análoga de vida nova ainda não estabelecida. Note-se, porém, que mesmo estes isentos não escapam totalmente do dever cívico: ouvem primeiro as palavras do sacerdote sobre as leis da guerra, e mesmo após voltarem para casa continuam a apoiar o esforço bélico fornecendo água, alimento e reparando estradas para os que seguem para o combate.
As três isenções — casa, vinha, noiva — estão fixadas em Devarim 20:5-7.
As três isenções seguem uma progressão deliberada na Torá — casa, vinha, esposa — refletindo a ordem natural do estabelecimento de uma vida: primeiro o lar, depois o sustento, por fim a família. A mishná nota que a lei não exige que o homem tenha necessariamente construído com as próprias mãos; basta que a posse — por compra, herança ou presente — seja recente e ainda não "usufruída", preservando a mesma lógica de que ninguém deve morrer sem ter provado da alegria que acabou de conquistar.
Bartenura detalha por que o comprador de casa pronta também se isenta, e por que cinco árvores de espécies diferentes já constituem "vinha".
Bartenura explica que "tanto o que compra" refere-se a uma casa já construída, pois, mesmo assim, ela é considerada "nova" para o comprador, já que ele nunca a habitou antes. Sobre as cinco árvores frutíferas, esclarece por que esse número mínimo já constitui uma "vinha" para efeitos desta lei: dispostas em um arranjo de duas fileiras de duas árvores, com uma quinta saindo como "cauda", a configuração assemelha-se estruturalmente a um vinhedo. E confirma que as cinco árvores podem ser de espécies diferentes — inclusive combinando as cinco espécies frutíferas clássicas — e ainda assim se somam para formar a unidade mínima que dá direito à isenção.
Perush de Rashi sobre a Guemará (Sotá 43a-44a) e Bartenura. (Não há Perush HaMishná de Rambam preservado para esta mishná específica.)
Rashi identifica "casa de armazéns" como depósito de vinho, azeite e grãos, e confirma que "o que compra" refere-se a uma casa já construída, que é considerada nova para o comprador — derivação que a Guemará amplia diretamente do texto bíblico. Sobre as cinco árvores frutíferas, repete a mesma imagem geométrica de duas fileiras de duas árvores com uma quinta "saindo como cauda", e nota que mesmo o menor vinhedo reconhecível possui, no mínimo, cinco videiras. Define mavrich como aquele que dobra um ramo até a terra para que crie raízes por si mesmo, e markiv como aquele que perfura o tronco de uma árvore e insere nele um ramo tenro de outra, formando um novo galho dentro do orifício — as duas técnicas agrícolas de propagação vegetativa reconhecidas pela lei como equivalentes a "plantar". Por fim, sobre a palavra "nova" aplicada à esposa, explica que, isoladamente, o texto indicaria apenas a noiva virgem — mas a mishná amplia a isenção também à viúva e à divorciada, uma vez que, para o noivo que a desposa agora, ela é "nova" em relação a ele.
Bartenura resume com economia as duas ampliações centrais da mishná: qualquer forma de aquisição — não apenas construir, mas comprar, herdar ou receber — qualifica a propriedade como "nova" para efeitos da isenção; e a estrutura mínima de cinco árvores em disposição geométrica específica já constitui, legalmente, uma "vinha", mesmo quando composta por espécies frutíferas diferentes que se somam para completar o número exigido.