Uma sucá que é mais alta que vinte cúbitos é inválida. — Como a sucá deve ser uma habitação temporária — pois assim a Torá a descreve, um lugar em que se habita apenas durante os sete dias da festa —, uma estrutura tão alta já não se constrói normalmente como algo provisório: acima de vinte cúbitos, ninguém faz de uma construção sua morada passageira, e sim uma morada permanente. Por isso, quando a altura ultrapassa essa medida, a sucá deixa de corresponder à ideia de habitação temporária que a Torá exige, e é inválida.
Rabi Yehuda a valida. — Rabi Yehuda entende, ao contrário, que a sucá deve ser uma habitação permanente, e por isso não vê problema algum em que seja alta; para ele, não há limite superior de altura que a torne inválida.
E a que não é alta dez palmos, e a que não tem três paredes, e a cujo sol é maior que sua sombra, é inválida. — Assim como há um limite máximo de altura, há também um mínimo: abaixo de dez palmos, a sucá é uma habitação rebaixada demais para que alguém nela more, e por isso é inválida. Da mesma forma, uma sucá precisa de pelo menos três paredes que a cerquem — a quarta pode ser dispensada, como a Guemará explica a partir da palavra "sucot" escrita de forma incompleta no versículo bíblico. E, por fim, sua cobertura de sechach precisa proporcionar mais sombra do que sol: se, olhando de dentro para cima, a área iluminada pelo sol que atravessa as brechas do sechach for maior do que a área coberta pela sombra, a sucá é inválida, pois já não cumpre sua função primária de abrigo.
Sucá velha, Bet Shamai invalidam, e Bet Hilel validam. — Bet Shamai exigem que a sucá seja construída com a intenção específica de cumprir a mitsvá da festa; por isso, uma sucá velha, construída sem essa intenção, é inválida para eles. Bet Hilel, por outro lado, não exigem essa intenção no momento da construção, e por isso a consideram válida.
E qual é a sucá velha? Toda a que foi feita trinta dias antes da festa. Mas, se a fez em nome da festa, mesmo desde o início do ano, é válida. — Chama-se "velha" a sucá construída mais de trinta dias antes de Sucot, pois presume-se que, dentro desses trinta dias que antecedem a festa — quando já se começa a estudar suas leis —, quem constrói uma sucá o faz com essa finalidade em mente; mas antes desse período, presume-se o contrário. Contudo, se desde o início do ano alguém já a construiu explicitamente com a intenção de usá-la na festa, ela é válida mesmo para Bet Shamai, pois a intenção supre a distância no tempo.
A Guemará deriva o limite de vinte cúbitos da própria expressão "para que saibam" desse versículo: a sucá precisa ser reconhecível como tal por quem nela se senta. Rabi Zeira ensina que, até vinte cúbitos de altura, o olho de quem está sentado dentro da sucá naturalmente percebe o sechach acima de si e reconhece que está habitando numa sucá; acima dessa altura, porém, o olho já não domina o teto o suficiente para essa percepção se impor, e a habitação deixa de cumprir o propósito de lembrança que a Torá liga à mitsvá. A frase "sucot, sucot, sucot" — repetida de formas variadas ao longo da passagem bíblica sobre a festa — é também a base, segundo a Guemará, para o requisito de três paredes: como duas das ocorrências vêm escritas de forma incompleta e uma de forma completa, disso se extrai, por uma tradição recebida de Moshé no Sinai, que bastam duas paredes completas e uma terceira reduzida a um mínimo de um palmo.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica o fundamento da disputa entre os Sábios e Rabi Yehuda sobre a natureza da sucá, detalha as três formas válidas de completar a terceira parede, e explica o critério prático para medir se o sol é maior que a sombra.
O princípio para nós é que a sucá deve ser uma habitação temporária, e por isso não convém que seja mais alta que vinte cúbitos. E Rabi Yehuda entende que a sucá deve ser uma habitação permanente, e por isso ele permite que seja alta até o extremo da altura. E sua medida mínima de largura não é inferior a sete palmos de comprimento por sete palmos de largura.
E o que disseram, "aquela cujo sol é maior que sua sombra é inválida", é prova de que, se seu sol e sua sombra são iguais, ela é válida. E isso se avalia pelo chão: se se vê que a proporção do sol no chão é igual à proporção da sombra.
Bartenura detalha a origem escritural do requisito das três paredes e as três formas construtivas de completar a terceira; Rashi, na Guemará, comenta a derivação do limite de vinte cúbitos a partir do versículo "para que saibam" e a definição da sucá velha.
E essa sucá tem três formas possíveis: a primeira, que tenha três paredes completas ligadas ao teto. E a segunda forma, que tenha duas paredes ligadas, e precise de uma terceira parede maior que um palmo, colocada a menos de três palmos de distância de uma das duas. E a terceira forma, que tenha duas paredes uma diante da outra, e precise de uma terceira parede maior que quatro palmos, colocada a menos de três palmos de distância, com a forma de uma entrada.
Já explicamos antes, nesta ordem, os princípios: tudo o que é menos de três palmos é considerado como unido; e que a medida mínima de um espaço não é inferior a quatro palmos.
"E a que não tem três paredes" — pois está escrito "em sucot, em sucot, em sucot" (nas três ocorrências da palavra ao longo da passagem bíblica), duas vezes escritas de forma deficiente e uma de forma completa; uma delas se refere ao sechach, e restam três para as três paredes. Veio uma halachá recebida de Moshé no Sinai que reduziu uma dessas paredes e a fixou em apenas um palmo; restaram duas paredes em sua medida completa, e a terceira mesmo com apenas um palmo.
Por isso, uma sucá que tem duas paredes lado a lado faz uma terceira parede de um palmo e um pouco mais, e a coloca a menos de três palmos de distância de uma das duas paredes — pois tudo o que é menos de três palmos é considerado como unido, e é como se fosse uma parede de quatro palmos —, e assim a sucá passa a ter três paredes; e é preciso fazer-lhe a forma de uma entrada. E, se as duas paredes estão uma diante da outra com um espaço aberto entre elas, traz-se uma tábua de quatro palmos e um pouco mais, e a coloca a menos de três palmos de uma das paredes, e ela é considerada como se tivesse sete palmos — a medida mínima de validade da sucá em comprimento e largura, pois a sucá precisa comportar a cabeça, a maior parte do corpo e a mesa de uma pessoa.
"Uma sucá" — "e Rabi Yehuda a valida": na Guemará se explica a disputa entre eles. "E a que não é alta dez" — na Guemará se explica a razão. "Três paredes" — também na Guemará se deriva isso do versículo. "E cujo sol é maior que sua sombra" — o que é minoria se anula na maioria, e é como se não existisse; e por causa do sechach a sucá recebe seu nome (que significa, em si, cobertura).
"Sucá velha" — como se explica, aquela que se fez trinta dias antes da festa e não se especificou que era em nome da festa. "Bet Shamai invalidam" — pois exigem que a sucá seja feita com essa finalidade específica.