No princípio, o lulav era tomado no Templo por sete dias, e no resto do país, um dia. — Por preceito da Torá, o lulav era tomado por sete dias apenas dentro do recinto do Templo; fora dele, em todo o resto do país, tomava-se apenas no primeiro dia da festa.
Quando o Templo foi destruído, Rabán Yochanan ben Zakai instituiu que o lulav fosse tomado no resto do país por sete dias, em memória do Templo — e que o dia da agitação da gavela do ômer ficasse inteiramente proibido. — Após a destruição, temendo que se esquecesse o costume do Templo, Rabán Yochanan ben Zakai decretou que o lulav passasse a ser tomado por sete dias em toda parte, como recordação daquilo que se fazia no Templo. Do mesmo modo, e pela mesma razão, decretou que o grão novo permanecesse proibido durante todo o dezesseis de Nissan — dia em que, quando o Templo existia, se oferecia a gavela do ômer — mesmo já não havendo mais essa oferenda.
A Guemará (Sucá 41a) deriva do próprio versículo, que menciona "no primeiro dia" a tomada e "sete dias" a alegria, que a obrigação de tomar o lulav por todos os sete dias vale apenas "perante o Senhor" — isto é, no Templo — enquanto fora dele vale apenas o primeiro dia. Foi exatamente essa distinção entre "Templo" e "resto do país" que Rabán Yochanan ben Zakai revogou na prática após a destruição, estendendo a todo lugar o costume que antes era exclusivo do santuário — em memória dele.
O Rambam identifica "o resto do país" com toda a Terra de Israel fora de Jerusalém, e explica a razão da proibição do grão novo; Bartenura detalha a fonte talmúdica de cada uma dessas duas instituições.
"O resto do país" — são todas as cidades da Terra de Israel exceto Jerusalém. E "o dia da agitação" é o dia dezesseis de Nissan, do qual o Nome disse "e agitará a gavela"; e Rabi Yochanan ben Zakai ensinou, depois da destruição do Templo, que no dia dezesseis de Nissan é proibido comer grão novo durante todo o dia.
"No Templo, sete" — conforme se expõe: "perante o Senhor vosso Deus, sete dias" — e não fora dele, sete dias. "E que o dia da agitação" — do ômer, isto é, o dia dezesseis de Nissan. "Fique inteiramente proibido" — e no tempo em que o Templo existia, desde que se oferecia o ômer, comia-se grão novo naquele mesmo dia. E quando o Templo foi destruído, tornou-se permitido pela Torá desde o amanhecer; mas Rabán Yochanan ben Zakai o proibiu durante todo aquele dia, temendo que, quando o Templo fosse reconstruído rapidamente, dissessem: "no ano passado não comíamos desde o amanhecer? Agora também podemos comer" — confundindo os tempos.
Rashi, na Guemará, esclarece o mecanismo da leitura dupla dos versículos sobre o dia proibido para o grão novo, base do decreto.
"Até 'etzem'" — até o próprio dia, pois o dia inteiro é chamado "etzem hayom". "E ele entende que 'até' inclui o próprio limite" — e não interpreta que "até" excluiria o limite, para permitir desde o amanhecer, pois não há mais oferenda do ômer; e assim se conciliam os versículos: quando não há ômer, "até etzem" e o limite se inclui; quando há ômer, "até que tragais" a oferenda.