Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 11 de 15

Tudo conforme o costume do lugar

הַכֹּל כְּמִנְהַג הַמְּדִינָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná fecha o tema da recitação do Halel com o princípio de que os detalhes de sua execução seguem o costume local — e passa, em seguida, a uma questão distinta ligada às quatro espécies: sua venda no ano sabático.

No lugar em que se costuma repetir, repita-se; em que se costuma recitar sem repetição, recite-se sem repetição; em que se costuma abençoar depois dele, abençoe-se depois dele. Tudo conforme o costume do lugar.Alguns versículos do Halel são repetidos por costume em certos lugares. Do mesmo modo, o costume local determina se se recita uma bênção após a conclusão do Halel — além da bênção recitada antes dele, que é obrigatória em todo lugar. Em todos esses detalhes de execução, prevalece o costume de cada localidade.

Aquele que compra um lulav de seu companheiro no ano sabático — este lhe dá o etrog de presente, pois não é permitido comprá-lo no ano sabático.Um am haaretz, suspeito de não observar corretamente as leis do ano sabático, vende as quatro espécies. O lulav, sendo mera madeira, pode ser comprado normalmente, sem restrição de santidade sabática. Mas o etrog, sendo fruto, tem a santidade dos frutos do ano sabático — e seu valor não pode ser objeto de comércio. Por isso, o vendedor entrega o etrog como presente, e o comprador paga apenas pelo lulav.

מָקוֹם שֶׁנָּהֲגוּ לִכְפֹּל, יִכְפֹּל. לִפְשֹׁט, יִפְשֹׁט. לְבָרֵךְ אַחֲרָיו, יְבָרֵךְ אַחֲרָיו. הַכֹּל כְּמִנְהַג הַמְּדִינָה. הַלּוֹקֵחַ לוּלָב מֵחֲבֵרוֹ בַשְּׁבִיעִית, נוֹתֵן לוֹ אֶתְרוֹג בְּמַתָּנָה, לְפִי שֶׁאֵין רַשַּׁאי לְלָקְחוֹ בַשְּׁבִיעִית:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 25:6
וְהָיְתָה שַׁבַּת הָאָרֶץ לָכֶם לְאָכְלָה.
E o sábado da terra será para vós, para comer.

A Torá determina que os frutos do ano sabático sejam "para comer" — e não para comércio, ensinando os Sábios que seu valor deve ser tratado com as mesmas restrições que o próprio fruto. É desse princípio que decorre a proibição de comprar o etrog do ano sabático mediante pagamento, pois se estaria transformando a santidade do fruto em dinheiro comum, sujeito a uso irrestrito — daí a solução da mishná, de que o etrog seja dado como presente, e não vendido.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam explica quais versículos são repetidos por costume; Bartenura acrescenta que a bênção anterior ao Halel é obrigatória em todo lugar, e detalha por que o lulav pode ser comprado, mas não o etrog.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 3:11
לִכְפֹּל הוּא שֶׁיִּקְרָא מֵאוֹדְךָ כִּי עֲנִיתָנִי עַד סוֹף הַהַלֵּל כָּל מִלָּה וּמִלָּה שְׁתֵּי פְעָמִים. לִפְשֹׁט הוּא שֶׁיִּקְרָא כָּל מִלָּה פַּעַם אַחַת כְּמוֹ שֶׁקּוֹרִין כָּל הַהַלֵּל, וְהַבְּרָכָה עַל קְרִיאַת הַהַלֵּל קֹדֶם קְרִיאָתוֹ חוֹבָה בְּכָל מָקוֹם וְאֵין הַדָּבָר הוֹלֵךְ אַחַר הַמִּנְהָג.

"Repita-se" é que recite desde "Odechá ki anitani" (Tehilim 118:21) até o fim do Halel, cada palavra duas vezes. "Sem repetição" é que recite cada palavra uma vez, como se recita todo o resto do Halel. E a bênção sobre a recitação do Halel, antes de sua leitura, é obrigatória em todo lugar, e essa questão não segue o costume.

Bartenura · Sucá 3:11
הַלּוֹקֵחַ לוּלָב מֵחֲבֵרוֹ. עַם הָאָרֶץ. בַּשְּׁבִיעִית. שֶׁעַם הָאָרֶץ חָשׁוּד עַל הַשְּׁבִיעִית. וּנְהִי דִּדְמֵי לוּלָב יָכוֹל לִתֵּן לוֹ לְפִי שֶׁלּוּלָב עֵץ בְּעָלְמָא הוּא וְאֵין בּוֹ קְדֻשַּׁת שְׁבִיעִית, דְּמֵי אֶתְרוֹג אֵינוֹ יָכוֹל לִתֵּן לוֹ, שֶׁפֵּרוֹת שְׁבִיעִית צְרִיכִין לְהִתְבַּעֵר בִּשְׁבִיעִית הֵן וּדְמֵיהֶן, הִלְכָּךְ צָרִיךְ שֶׁיִּקַּח מִמֶּנּוּ הָאֶתְרוֹג בְּמַתָּנָה וְלֹא יִתֵּן לוֹ דָּמָיו.

"Aquele que compra um lulav de seu companheiro" — de um am haaretz. "No ano sabático" — pois o am haaretz é suspeito quanto às leis do ano sabático. E, ainda que o valor do lulav possa ser pago, pois o lulav é mera madeira e não tem santidade sabática, o valor do etrog não pode ser pago, pois os frutos do ano sabático precisam ser eliminados no próprio ano sabático, tanto eles quanto seu valor. Por isso, é necessário que tome o etrog dele como presente, e não lhe dê seu valor em dinheiro.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, na Guemará, discute o valor do princípio "quem quer completar o assunto pode fazê-lo" no contexto da repetição dos versículos.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 39a
כָּל אֲסוּקֵי מִלְּתָא הוֹאִיל וְכַוָּנָתוֹ לִגְמֹר לֵית לָן בָּהּ.

Todo caso de "concluir o assunto" — uma vez que sua intenção é completar, não há problema nisso.