Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 10 de 15

Quem recita o Halel por outro

מִי שֶׁהָיָה עֶבֶד אוֹ אִשָּׁה אוֹ קָטָן מַקְרִין אוֹתוֹ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Ainda no contexto da recitação do Halel, a mishná trata de quem não sabe recitá-lo sozinho e depende de outra pessoa para acompanhá-lo — distinguindo entre quem lhe recita as palavras e um adulto capacitado que o faz em seu nome.

Aquele para quem um servo, uma mulher ou um menor recitava — ele repete depois deles o que dizem, e que sobre ele venha uma maldição.Quem não sabe o Halel de cor e precisa que um servo, uma mulher ou um menor lhe ditem as palavras deve repeti-las, uma a uma, depois deles — pois estes, não estando obrigados no preceito da mesma forma que um homem adulto, não podem desincumbi-lo de sua obrigação por completo, apenas guiá-lo palavra por palavra. E, além disso, recai sobre ele uma maldição, por não ter aprendido o Halel sozinho.

Se um adulto o recitava para ele, ele responde depois dele: Haleluiá.Quando quem recita é um homem adulto, obrigado no preceito do mesmo modo, este pode desincumbir o outro de sua obrigação por completo — bastando ao ouvinte responder "Haleluiá" a cada trecho recitado, sem necessidade de repetir cada palavra.

מִי שֶׁהָיָה עֶבֶד אוֹ אִשָּׁה אוֹ קָטָן מַקְרִין אוֹתוֹ, עוֹנֶה אַחֲרֵיהֶן מַה שֶּׁהֵן אוֹמְרִין, וּתְהִי לוֹ מְאֵרָה. אִם הָיָה גָדוֹל מַקְרֵא אוֹתוֹ, עוֹנֶה אַחֲרָיו הַלְלוּיָהּ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
וּשְׂמַחְתֶּם לִפְנֵי ה' אֱלֹהֵיכֶם שִׁבְעַת יָמִים.
E vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias.

O princípio de que quem não está obrigado num preceito não pode desincumbir dele quem está obrigado — base da distinção desta mishná — é derivado pela Guemará (Rosh Hashaná 29a) do princípio geral "כל שאינו מחויב בדבר, אינו מוציא את הרבים ידי חובתן". Esse princípio se aplica também à recitação do Halel, que expressa a alegria perante D-us ordenada para os dias da festividade: servo, mulher e menor, cuja obrigação nesse louvor é distinta da do homem adulto, não podem transmiti-lo por completo a quem está plenamente obrigado.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura explica o fundamento do princípio e o motivo da maldição mencionada na mishná.

Bartenura · Sucá 3:10
מִי שֶׁהָיָה עֶבֶד אוֹ אִשָּׁה אוֹ קָטָן וְכוּ'. מִי שֶׁאֵינוֹ חַיָּב בְּדָבָר אֵינוֹ מוֹצִיא אֲחֵרִים יְדֵי חוֹבָתָן, לְכָךְ צָרִיךְ שֶׁיַּעֲנֶה אַחֲרָיו מִלָּה בְּמִלָּה מַה שֶּׁהוּא אוֹמֵר. וּתְהֵא לוֹ מְאֵרָה. שֶׁלֹּא לָמַד. עוֹנֶה אַחֲרָיו הַלְלוּיָהּ. עַל כָּל דָּבָר שֶׁהוּא אוֹמֵר, שֶׁכָּךְ הָיוּ רְגִילִין לַעֲנוֹת אַחַר מַקְרֵא אֶת הַהַלֵּל עַל כָּל דָּבָר וְדָבָר הַלְלוּיָהּ.

"Aquele para quem um servo, uma mulher ou um menor" etc. — quem não está obrigado numa coisa não pode desincumbir outros de sua obrigação; por isso, é necessário que este responda depois dele, palavra por palavra, o que ele diz. "E que sobre ele venha uma maldição" — por não ter aprendido. "Responde depois dele: Haleluiá" — a cada coisa que ele diz, pois assim eram habituados a responder, depois de quem recitava o Halel, a cada trecho, "Haleluiá".

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, na Guemará, descreve o costume vigente nas sinagogas de sua época, do qual se deduz qual era a prática original transmitida pelos primeiros sábios.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 38b
מִמִּנְהֲגָא דְהִלּוּלָא — מִמַּה שֶּׁאָנוּ רוֹאִים שֶׁנּוֹהֲגִין עַכְשָׁיו בִּימֵינוּ בְּבָתֵּי כְנֵסִיּוֹת, כְּדִמְפָרֵשׁ וְאָזֵיל, שֶׁהָיוּ נוֹהֲגִין לַעֲנוֹת הַלְלוּיָה שְׁתֵּי פְעָמִים וְלֹא יוֹתֵר, וְאוֹמְרִים כָּל הַהַלֵּל עִם הַמִּקְרָא עַד הוֹדוּ וְעוֹנִין הוֹדוּ אַחֲרָיו, וְחוֹזְרִין וְקוֹרִין עִמּוֹ עַד אָנָּא וְעוֹנִין אָנָּא הוֹשִׁיעָה נָּא וְאָנָּא הַצְלִיחָה נָא אַחֲרָיו, כְּמוֹ שֶׁאָנוּ עוֹשִׂין. הוּא אוֹמֵר הַלְלוּיָה וְהֵן אוֹמְרִים הַלְלוּיָה, מִכָּאן שֶׁמִּצְוָה לַעֲנוֹת הַלְלוּיָה.

"Do costume do Halel" — daquilo que vemos que se costuma hoje em dia nas sinagogas, como se explica adiante: costumavam responder "Haleluiá" duas vezes e não mais, e recitavam todo o Halel junto com quem lia até "Hodu" e respondiam "Hodu" depois dele, e voltavam a ler com ele até "Aná" e respondiam "Aná Hoshiá Ná" e "Aná Hatzlichá Ná" depois dele — como fazemos nós. "Ele diz Haleluiá e eles dizem Haleluiá" — daqui se aprende que é preceito responder "Haleluiá".