Aquele para quem um servo, uma mulher ou um menor recitava — ele repete depois deles o que dizem, e que sobre ele venha uma maldição. — Quem não sabe o Halel de cor e precisa que um servo, uma mulher ou um menor lhe ditem as palavras deve repeti-las, uma a uma, depois deles — pois estes, não estando obrigados no preceito da mesma forma que um homem adulto, não podem desincumbi-lo de sua obrigação por completo, apenas guiá-lo palavra por palavra. E, além disso, recai sobre ele uma maldição, por não ter aprendido o Halel sozinho.
Se um adulto o recitava para ele, ele responde depois dele: Haleluiá. — Quando quem recita é um homem adulto, obrigado no preceito do mesmo modo, este pode desincumbir o outro de sua obrigação por completo — bastando ao ouvinte responder "Haleluiá" a cada trecho recitado, sem necessidade de repetir cada palavra.
O princípio de que quem não está obrigado num preceito não pode desincumbir dele quem está obrigado — base da distinção desta mishná — é derivado pela Guemará (Rosh Hashaná 29a) do princípio geral "כל שאינו מחויב בדבר, אינו מוציא את הרבים ידי חובתן". Esse princípio se aplica também à recitação do Halel, que expressa a alegria perante D-us ordenada para os dias da festividade: servo, mulher e menor, cuja obrigação nesse louvor é distinta da do homem adulto, não podem transmiti-lo por completo a quem está plenamente obrigado.
Bartenura explica o fundamento do princípio e o motivo da maldição mencionada na mishná.
"Aquele para quem um servo, uma mulher ou um menor" etc. — quem não está obrigado numa coisa não pode desincumbir outros de sua obrigação; por isso, é necessário que este responda depois dele, palavra por palavra, o que ele diz. "E que sobre ele venha uma maldição" — por não ter aprendido. "Responde depois dele: Haleluiá" — a cada coisa que ele diz, pois assim eram habituados a responder, depois de quem recitava o Halel, a cada trecho, "Haleluiá".
Rashi, na Guemará, descreve o costume vigente nas sinagogas de sua época, do qual se deduz qual era a prática original transmitida pelos primeiros sábios.
"Do costume do Halel" — daquilo que vemos que se costuma hoje em dia nas sinagogas, como se explica adiante: costumavam responder "Haleluiá" duas vezes e não mais, e recitavam todo o Halel junto com quem lia até "Hodu" e respondiam "Hodu" depois dele, e voltavam a ler com ele até "Aná" e respondiam "Aná Hoshiá Ná" e "Aná Hatzlichá Ná" depois dele — como fazemos nós. "Ele diz Haleluiá e eles dizem Haleluiá" — daqui se aprende que é preceito responder "Haleluiá".