Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 9 de 15

E onde se agitava o lulav

וְהֵיכָן הָיוּ מְנַעְנְעִין
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Depois de tratar da forma correta do lulav e de sua amarração, a mishná volta ao preceito da agitação em si, já mencionado no início do perek — e indica exatamente em que pontos do Halel ela é feita.

E onde se agitava? Em "Hodu laShem" no início e no fim, e em "Aná Hashem, hoshiá ná" — palavras da Casa de Hilel. E a Casa de Shamai diz: também em "Aná Hashem, hatzlichá ná".Durante a recitação do Halel (Tehilim 113-118), agitava-se o lulav em determinados versículos. Segundo a Casa de Hilel, isso era feito em "Hodu laShem ki tov" — tanto no início do salmo 118 quanto em sua repetição no final — e em "Aná Hashem, hoshiá ná" (Tehilim 118:25). A Casa de Shamai acrescenta que também se agitava em "Aná Hashem, hatzlichá ná", a segunda metade do mesmo versículo.

Disse Rabi Akiva: eu observava Rabán Gamliel e Rabi Yehoshua, que, embora todo o povo agitasse seus lulavim, eles não agitavam senão em "Aná Hashem, hoshiá ná".Rabi Akiva relata o costume observado nos próprios líderes da geração, que se limitavam a agitar apenas nesse único versículo — mostrando que, na prática, a opinião de Bet Hilel era a seguida.

Aquele que vinha pelo caminho e não tinha em mão o lulav para tomá-lo — quando entrasse em sua casa, iria tomá-lo à sua mesa. Se não o tomou de manhã, tome-o à tarde, pois o dia todo é apto para o lulav.Quem estava em viagem no início do dia e não pôde cumprir o preceito, deveria interrompê-la ao chegar em casa e tomar o lulav mesmo já à mesa da refeição; e, de modo geral, quem não cumpriu o preceito pela manhã ainda pode fazê-lo à tarde, pois toda a duração do dia é apta para a tomada do lulav.

וְהֵיכָן הָיוּ מְנַעְנְעִין, בְּהוֹדוּ לַה' תְּחִלָּה וָסוֹף, וּבְאָנָּא ה' הוֹשִׁיעָה נָּא, דִּבְרֵי בֵית הִלֵּל. וּבֵית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, אַף בְּאָנָּא ה' הַצְלִיחָה נָא. אָמַר רַבִּי עֲקִיבָא, צוֹפֶה הָיִיתִי בְרַבָּן גַּמְלִיאֵל וּבְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ, שֶׁכָּל הָעָם הָיוּ מְנַעְנְעִים אֶת לוּלְבֵיהֶן, וְהֵן לֹא נִעְנְעוּ אֶלָּא בְאָנָּא ה' הוֹשִׁיעָה נָּא. מִי שֶׁבָּא בַדֶּרֶךְ וְלֹא הָיָה בְיָדוֹ לוּלָב לִטֹּל, לִכְשֶׁיִּכָּנֵס לְבֵיתוֹ יִטֹּל עַל שֻׁלְחָנוֹ. לֹא נָטַל שַׁחֲרִית, יִטֹּל בֵּין הָעַרְבַּיִם, שֶׁכָּל הַיּוֹם כָּשֵׁר לַלּוּלָב:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
וּלְקַחְתֶּם לָכֶם בַּיּוֹם הָרִאשׁוֹן פְּרִי עֵץ הָדָר... וּשְׂמַחְתֶּם לִפְנֵי ה' אֱלֹהֵיכֶם שִׁבְעַת יָמִים.
E tomareis para vós, no primeiro dia, fruto de árvore formosa... e vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias.

A Torá vincula a tomada das quatro espécies à alegria "perante o Senhor" — e é dessa alegria diante de D-us que a Guemará (Sucá 37b) deriva o preceito de agitar o lulav durante a recitação do Halel, os salmos de louvor recitados nos dias festivos. A agitação do lulav exatamente nos versículos de louvor e súplica do Halel expressa essa alegria voltada para D-us; esta mishná precisa em que pontos do texto, segundo cada opinião, essa agitação ocorre.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura explica o sentido de "início e fim" e detalha a forma física da agitação — para os quatro lados e para cima e para baixo — três vezes em cada direção.

Bartenura · Sucá 3:9
וְהֵיכָן הָיוּ מְנַעְנְעִין. הַשְׁתָּא מְהַדֵּר תַּנָּא לְהָא דִּתְנִינַן לְעֵיל, כָּל לוּלָב שֶׁיֵּשׁ בּוֹ שְׁלֹשָׁה טְפָחִים כְּדֵי לְנַעְנֵעַ, אַלְמָא מִצְוָה בְּנִעְנוּעַ, וְהֵיכָן מְנַעְנְעִים. בְּהוֹדוּ לַה' תְּחִלָּה. תְּחִלַּת הַמִּקְרָא. וָסוֹף. סוֹף הַמִּקְרָא, כִּי לְעוֹלָם חַסְדּוֹ. וְאִית דִּמְפָרְשֵׁי תְּחִלָּה הוֹדוּ רִאשׁוֹן, וְסוֹף הוֹדוּ אַחֲרוֹן שֶׁבְּסוֹף הַהַלֵּל. וְהָכִי מִסְתַּבְּרָא. וְכֵיצַד מְנַעְנֵעַ, מוֹלִיךְ וּמֵבִיא כְּדֵי לַעֲצֹר רוּחוֹת רָעוֹת, מַעֲלֶה וּמוֹרִיד כְּדֵי לַעֲצֹר טְלָלִים רָעִים. וּבְהוֹלָכָה מְנַעְנֵעַ שָׁלֹשׁ פְּעָמִים, וְכֵן בַּהֲבָאָה וְכֵן בַּעֲלִיָּה וְכֵן בִּירִידָה, עַל כָּל אַחַת וְאַחַת שָׁלֹשׁ פְּעָמִים.

"E onde se agitava" — agora o tanna retoma o que ensinamos acima, que todo lulav que tem três palmos de comprimento é apto para ser agitado — logo, agitá-lo é um preceito, e aqui se ensina onde. "Em Hodu laShem no início" — o início do versículo. "E no fim" — o fim do versículo, "pois eterna é sua bondade". Há quem explique que "início" é o primeiro Hodu e "fim" é o último Hodu, ao final do Halel — o que é mais razoável. E como se agita? Leva e traz, para deter os ventos danosos; levanta e abaixa, para deter os orvalhos danosos. E na direção de "levar" agita-se três vezes, e assim também ao "trazer", ao "levantar" e ao "abaixar" — três vezes em cada uma.

Bartenura · Sucá 3:9
יִטֹּל עַל שֻׁלְחָנוֹ. אִם שָׁכַח וְלֹא נָטַל לוּלָב קֹדֶם אֲכִילָה יַפְסִיק סְעוּדָתוֹ וְיִטֹּל עַל שֻׁלְחָנוֹ.

"Tome-o à sua mesa" — se esqueceu e não tomou o lulav antes de comer, deve interromper sua refeição e tomá-lo já à mesa.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, na Guemará, explica o valor simbólico da agitação — como um golpe contra o Satã — e por que ela é chamada de "resíduo do preceito".

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 38a
וְכֵן לוּלָב — מוֹלִיךְ וּמֵבִיא, מַעֲלֶה וּמוֹרִיד. מַמְטֵי לֵיהּ — מוֹלִיךְ. וּמַיְיתֵי — מֵבִיא. גִּירָא בְּעֵינֵיהּ דְּסָטָנָא — הֲרֵי זֶה לַחַץ בְּעֵינָיו שֶׁל שָׂטָן, שֶׁרוֹאֶה בְעֵינָיו שֶׁאֵין בּוֹ כֹּחַ לְנַתֵּק מֵעָלֵינוּ עֹל מִצְוֹת.

"E assim também o lulav" — leva e traz, levanta e abaixa. "Mamtei lei" — leva. "U-maitei" — traz. "Como uma flecha nos olhos de Satã" — pois isso é como um golpe nos olhos do Satã, que vê que não tem força para arrancar de nós o jugo dos preceitos.