Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 8 de 15

Não se amarra o lulav senão com sua própria espécie

אֵין אוֹגְדִין אֶת הַלּוּלָב אֶלָּא בְמִינוֹ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Encerrado o exame de cada espécie, a mishná passa a tratar do modo de amarrar o feixe das quatro espécies antes de segurá-lo — e traz um episódio histórico, sobre os homens de Jerusalém, para ilustrar até que ponto materiais externos podem ser usados na amarração.

Não se amarra o lulav senão com sua própria espécie — palavras de Rabi Yehudá. Rabi Meir diz: mesmo com uma corda.Segundo Rabi Yehudá, quando se amarra o feixe do lulav junto com o hadas e a aravá, essa amarração deve ser feita com material da própria espécie das quatro plantas — por exemplo, tiras da própria palma. Rabi Meir discorda, permitindo que a amarração seja feita mesmo com uma corda comum, de material diferente das quatro espécies.

Disse Rabi Meir: aconteceu com os homens de Jerusalém, que amarravam seus lulavim com fios de ouro. Disseram-lhe: com sua própria espécie eles os amarravam por baixo.Rabi Meir traz um caso histórico como prova de sua posição: os habitantes de Jerusalém costumavam enfeitar seus lulavim amarrando-os também com fios de ouro. Os Sábios que discordam dele respondem que esse caso não prova o que Rabi Meir pretende, pois, na realidade, esses mesmos homens já haviam amarrado o feixe por baixo com a própria espécie das plantas — sendo os fios de ouro apenas um adorno adicional, colocado por cima da amarração essencial já feita corretamente.

אֵין אוֹגְדִין אֶת הַלּוּלָב אֶלָּא בְמִינוֹ, דִּבְרֵי רַבִּי יְהוּדָה. רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, אֲפִלּוּ בִמְשִׁיחָה. אָמַר רַבִּי מֵאִיר, מַעֲשֶׂה בְאַנְשֵׁי יְרוּשָׁלַיִם, שֶׁהָיוּ אוֹגְדִין אֶת לוּלְבֵיהֶן בְּגִימוֹנִיּוֹת שֶׁל זָהָב. אָמְרוּ לוֹ, בְּמִינוֹ הָיוּ אוֹגְדִין אוֹתוֹ מִלְּמַטָּה:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
כַּפֹּת תְּמָרִים.
Ramos de tamareiras.

A palavra "כַּפֹּת" (kapot, no plural, embora se refira a um único lulav) é lida por alguns como aludindo a folhas ainda entrelaçadas — "כָּפוּת", como algo amarrado. É dessa leitura que a Guemará (Sucá 32a) deriva a própria noção de que o lulav requer algum tipo de amarração ou entrelaçamento em sua natureza; esta mishná discute se, além dessa amarração natural das folhas do lulav, é também necessário — e com que material — amarrar o feixe completo das quatro espécies antes do uso.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam remete à explicação do preceito de agitar o lulav, já mencionada no início do perek; Bartenura explica a base da disputa: se o lulav necessita, de fato, de amarração formal, e por que a lei segue Rabi Meir.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 3:8
לְמַה שֶּׁאָמַר בִּתְחִלַּת הַפֶּרֶק כְּדֵי לְנַעְנֵעַ, שֶׁהוֹדִיעֲךָ כִּי מִצְוָתוֹ הַנַּעֲנוּעַ, הוֹדִיעֲךָ הֵיכָן מְנַעְנְעִים, וְצוּרַת זֶה הַנַּעֲנוּעַ מוֹלִיךְ וּמֵבִיא, מַעֲלֶה וּמוֹרִיד. וְהֲלָכָה כְּרַבִּי מֵאִיר, וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי עֲקִיבָא.

Ligando-se ao que disse no início do capítulo, "para agitá-lo" — que lhe informou que seu preceito é o de ser agitado — esta mishná e as seguintes informam onde se agita, sendo a forma dessa agitação: levar e trazer, levantar e abaixar. E a lei segue Rabi Meir, mas não segue Rabi Akiva.

Bartenura · Sucá 3:8
בְּמִינוֹ הָיוּ אוֹגְדִין אוֹתוֹ מִלְּמַטָּה. לְקַיֵּם מִצְוַת אֶגֶד, וְזֶה לְנוֹי בְּעָלְמָא הֲוָה. וְרַבִּי יְהוּדָה לְטַעֲמֵיהּ דְּאָמַר לוּלָב צָרִיךְ אֶגֶד, הִלְכָּךְ אִי אָגֵיד לֵיהּ שֶׁלֹּא בְּמִינוֹ הֲווּ לְהוּ חֲמִשָּׁה מִינִין. וַאֲנַן קַיְמָא לָן דְּלוּלָב אֵין צָרִיךְ אֶגֶד, הִלְכָּךְ בְּהָא הֲלָכָה כְּרַבִּי מֵאִיר.

"Com sua própria espécie eles os amarravam por baixo" — para cumprir o preceito da amarração, sendo os fios de ouro apenas um adorno. E Rabi Yehudá segue seu próprio raciocínio, de que o lulav necessita de amarração; por isso, se fosse amarrado com algo que não é de sua espécie, haveria cinco espécies em vez de quatro. E nós seguimos a opinião de que o lulav não necessita de amarração formal — por isso, nesse ponto, a lei segue Rabi Meir.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, na Guemará, define os termos técnicos "corda" (chut shel meshichá) e "gimoniot" (fios de ouro), e confirma o sentido da resposta dada a Rabi Meir.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 36b
מַתְנִי׳ אֵין אוֹגְדִין אֶת הַלּוּלָב אֶלָּא בְמִינוֹ — כִּדְמְפָרֵשׁ בַּגְּמָרָא. חוּט שֶׁל מְשִׁיחָה — לִיכֻוַיְי״ל בְּלַעַ״ז. גִּימוֹנִיּוֹת — חוּטֵי זָהָב כְּפוּפִין כְּגִימוֹן, עַל שֵׁם "הֲלָכוֹף כְּאַגְמֹן" (ישעיהו נח). בְּמִינוֹ אוֹגְדִין אוֹתוֹ מִלְּמַטָּה — לְשֵׁם מִצְוַת אֶגֶד, וְזֶה לְנוֹי בְּעָלְמָא.

"Mishná: não se amarra o lulav senão com sua própria espécie" — como se explica na Guemará. "Corda" — em língua estrangeira, uma tira. "Gimoniot" — fios de ouro dobrados como um gimon, em alusão a "curvar-se como um junco" (Yeshayahu 58). "Com sua própria espécie eles os amarravam por baixo" — para cumprir o preceito da amarração, sendo os fios de ouro apenas um adorno.