Não se amarra o lulav senão com sua própria espécie — palavras de Rabi Yehudá. Rabi Meir diz: mesmo com uma corda. — Segundo Rabi Yehudá, quando se amarra o feixe do lulav junto com o hadas e a aravá, essa amarração deve ser feita com material da própria espécie das quatro plantas — por exemplo, tiras da própria palma. Rabi Meir discorda, permitindo que a amarração seja feita mesmo com uma corda comum, de material diferente das quatro espécies.
Disse Rabi Meir: aconteceu com os homens de Jerusalém, que amarravam seus lulavim com fios de ouro. Disseram-lhe: com sua própria espécie eles os amarravam por baixo. — Rabi Meir traz um caso histórico como prova de sua posição: os habitantes de Jerusalém costumavam enfeitar seus lulavim amarrando-os também com fios de ouro. Os Sábios que discordam dele respondem que esse caso não prova o que Rabi Meir pretende, pois, na realidade, esses mesmos homens já haviam amarrado o feixe por baixo com a própria espécie das plantas — sendo os fios de ouro apenas um adorno adicional, colocado por cima da amarração essencial já feita corretamente.
A palavra "כַּפֹּת" (kapot, no plural, embora se refira a um único lulav) é lida por alguns como aludindo a folhas ainda entrelaçadas — "כָּפוּת", como algo amarrado. É dessa leitura que a Guemará (Sucá 32a) deriva a própria noção de que o lulav requer algum tipo de amarração ou entrelaçamento em sua natureza; esta mishná discute se, além dessa amarração natural das folhas do lulav, é também necessário — e com que material — amarrar o feixe completo das quatro espécies antes do uso.
O Rambam remete à explicação do preceito de agitar o lulav, já mencionada no início do perek; Bartenura explica a base da disputa: se o lulav necessita, de fato, de amarração formal, e por que a lei segue Rabi Meir.
Ligando-se ao que disse no início do capítulo, "para agitá-lo" — que lhe informou que seu preceito é o de ser agitado — esta mishná e as seguintes informam onde se agita, sendo a forma dessa agitação: levar e trazer, levantar e abaixar. E a lei segue Rabi Meir, mas não segue Rabi Akiva.
"Com sua própria espécie eles os amarravam por baixo" — para cumprir o preceito da amarração, sendo os fios de ouro apenas um adorno. E Rabi Yehudá segue seu próprio raciocínio, de que o lulav necessita de amarração; por isso, se fosse amarrado com algo que não é de sua espécie, haveria cinco espécies em vez de quatro. E nós seguimos a opinião de que o lulav não necessita de amarração formal — por isso, nesse ponto, a lei segue Rabi Meir.
Rashi, na Guemará, define os termos técnicos "corda" (chut shel meshichá) e "gimoniot" (fios de ouro), e confirma o sentido da resposta dada a Rabi Meir.
"Mishná: não se amarra o lulav senão com sua própria espécie" — como se explica na Guemará. "Corda" — em língua estrangeira, uma tira. "Gimoniot" — fios de ouro dobrados como um gimon, em alusão a "curvar-se como um junco" (Yeshayahu 58). "Com sua própria espécie eles os amarravam por baixo" — para cumprir o preceito da amarração, sendo os fios de ouro apenas um adorno.