A mulher recebe o lulav da mão de seu filho ou da mão de seu marido, e o devolve à água em Shabat. — Depois de usado, o lulav costumava ser guardado em água para não murchar. Uma mulher pode receber o lulav das mãos de seu filho ou de seu marido e recolocá-lo na água, mesmo em Shabat — pois não se trata de manuseá-lo para uso próprio, mas apenas de conservá-lo, o que é permitido.
Rabi Yehudá diz: em Shabat, devolve-se; em dia de festa, acrescenta-se; e nos dias intermediários, troca-se. — Rabi Yehudá distingue três níveis de cuidado, do menos ao mais intenso: em Shabat, apenas recoloca-se a água já usada; em dia de festa, pode-se também acrescentar água fresca ao vaso; e nos dias intermediários da festa — quando há mais liberdade para o trabalho — pode-se até trocar totalmente a água.
A criança que já sabe agitar está obrigada no preceito do lulav. — Ainda que menores estejam, em geral, isentos dos preceitos, aquela criança já capaz de segurar e agitar corretamente o lulav é considerada obrigada nesse preceito especificamente — por força do dever educacional dos pais de acostumar os filhos ao cumprimento dos preceitos.
A obrigação de acostumar os filhos ao cumprimento dos preceitos — chamada pelos Sábios de "chinuch" — é derivada deste e de versículos semelhantes que ordenam ensinar a Torá e seus preceitos à geração seguinte. É desse dever educacional, e não da obrigação plena que recai sobre o adulto, que decorre a regra encerrando esta mishná: uma criança ainda menor de idade, mas já capaz de compreender e executar corretamente a agitação do lulav, é considerada "obrigada" nesse preceito especificamente, para que se habitue a ele desde cedo.
O Rambam nota que a lei segue tanto Rabi Yosei (mishná anterior) quanto Rabi Yehudá (nesta); Bartenura detalha o motivo de cada um dos três níveis de cuidado com a água e a base da obrigação da criança.
"A mulher recebe o lulav da mão de seu filho e da mão de seu marido" etc. — com a condição de que o carreguem invertido ou dentro de um recipiente, pois nesses casos não se cumpriu a obrigação. Mas se o tomou na mão e o carregou por engano, está obrigado a trazer oferenda pelo pecado — pois o princípio entre nós é que, ao erguê-lo, já cumpre com ele a obrigação, e, tendo já cumprido sua obrigação, não se diz que o carregou "com permissão". E a lei segue Rabi Yosei, e a lei segue Rabi Yehudá.
"A mulher recebe" — o lulav, e não dizemos que ela estaria manuseando algo que não lhe é próprio. "E o devolve à água" — para que não murchem. "Em Shabat, devolve-se" — pois foi dela mesma que os tomaram naquele dia, mas não se acrescenta, e menos ainda se troca. "E em dia de festa acrescenta-se" — mas não se troca completamente, derramando a água e colocando outra fresca em seu lugar, pois isso seria trabalho de arrumar o recipiente. "E nos dias intermediários" — no chol hamoed é preceito trocar a água por completo, e a lei segue Rabi Yehudá. "Está obrigada no lulav" — para acostumá-la ao preceito, por decreto dos Sábios.
Rashi, na Guemará, discute o princípio subjacente ao caso de água exposta, aplicável por analogia ao cuidado com a água do lulav.
"O que já sabe abater" — que já treinou suas mãos para o abate ritual, ainda que não seja versado nas leis do abate. "É permitido comer de seu abate" — como disse Rav Huna, desde que um adulto esteja junto e tenha visto que não demorou nem pressionou a lâmina — mostrando, por analogia, como a Guemará mede a capacidade real de uma criança para determinar sua obrigação num preceito, tal como aqui se mede sua capacidade de agitar corretamente o lulav.