Rabi Yishmael diz: três hadassim e duas aravot, um lulav e um etrog — mesmo que dois estejam com a ponta cortada e um não esteja. — Segundo Rabi Yishmael, o conjunto completo das quatro espécies exige três ramos de hadas, dois de aravá, um lulav e um etrog — e, quanto aos hadassim, permite-se que até dois dos três estejam com a ponta cortada, desde que ao menos um esteja intacto.
Rabi Tarfon diz: mesmo que os três estejam com a ponta cortada. — Rabi Tarfon é ainda mais permissivo: para ele, os três ramos de hadas podem estar todos com a ponta cortada, pois entende que a exigência de beleza (hadar) não se aplica ao hadas do mesmo modo que ao lulav e ao etrog.
Rabi Akiva diz: assim como um lulav e um etrog, também um hadas e uma aravá. — Rabi Akiva discorda de ambos quanto ao número: para ele, assim como se exige apenas um exemplar de lulav e um de etrog, basta também um único ramo de hadas e um único de aravá — sem a multiplicidade exigida por Rabi Yishmael.
A disputa entre os tannaim nesta mishná nasce da leitura literal do versículo: "כַּפֹּת" e "פְּרִי" aparecem no singular ou em forma que sugere um único exemplar, enquanto "עֲנַף עֵץ עָבֹת" e "עַרְבֵי נָחַל" estão no plural. Rabi Yishmael lê esse plural como exigência de múltiplos exemplares — três hadassim (o mínimo gramatical do plural hebraico mais um, segundo certas leituras) e duas aravot; Rabi Akiva, por outro lado, entende que o plural da Torá pode ser cumprido com um único exemplar de cada espécie, alinhando hadas e aravá ao lulav e ao etrog.
O Rambam fixa a lei prática seguindo Rabi Yishmael e Rabi Tarfon quanto ao número e à medida das espécies; Bartenura detalha a discussão talmúdica sobre a aparente contradição na opinião de Rabi Yishmael.
Saiba que a medida da aravá e do hadas é de três palmos de comprimento, dos palmos conhecidos, que são de quatro dedos cada, medidos pelo polegar. E a lei segue Rabi Yishmael e Rabi Tarfon.
"Mesmo que dois estejam com a ponta cortada" — refere-se aos hadassim. E na Guemará se pergunta: se o cortado é inválido, ele deveria exigir que todos os três sejam íntegros; e se o cortado é válido, deveria validar mesmo os três cortados. E a Guemará conclui que Rabi Yishmael recuou de sua posição inicial, que exigia três hadassim, passando a validar mesmo com dois cortados.
Bartenura explica a base da opinião de Rabi Tarfon; Rashi, na Guemará, apresenta a mesma dificuldade textual e a mesma resolução, situando a origem do número "três hadassim" na leitura da Guemará.
"Rabi Tarfon diz: mesmo que os três estejam com a ponta cortada" — pois entende que não se exige beleza (hadar) no hadas. E a lei segue Rabi Tarfon.
"Mishná: três hadassim" — a Guemará deduz essa medida de uma fonte. "E mesmo que dois estejam com a ponta cortada" — refere-se aos hadassim; e na Guemará se pergunta, de qualquer modo que se olhe: se o cortado é inválido, deveria exigir que todos os três fossem íntegros; e se o cortado é válido, deveria validar mesmo os três cortados. E se responde que Rabi Yishmael recuou de sua posição inicial. "Rabi Tarfon diz: mesmo que os três estejam com a ponta cortada" — pois não exige beleza no hadas.