Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 3 de 15

A aravá roubada ou seca é inválida

עֲרָבָה גְזוּלָה וִיבֵשָׁה, פְּסוּלָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A terceira das quatro espécies, a aravá (salgueiro), recebe a mesma estrutura de invalidações que o lulav e o hadas, com uma distinção própria — a tzaftzafá, espécie semelhante mas diferente — e casos que permanecem válidos: murcha, parcialmente desfolhada, ou crescida em terra seca.

A aravá roubada ou seca é inválida. A de árvore idólatra ou de cidade destruída é inválida.Também a aravá (salgueiro), obtida por roubo ou completamente seca, é inválida pelas mesmas razões já explicadas para o lulav e o hadas; e o mesmo vale para a que provém de árvore idólatra ou de cidade destruída.

Se sua ponta foi cortada, suas folhas se romperam, ou é tzaftzafá, é inválida.Se o topo do ramo foi cortado, ou suas folhas se romperam, a aravá é inválida pela falta de beleza. E também é inválida a tzaftzafá — uma espécie semelhante ao salgueiro, mas de folha redonda em vez de alongada, e por isso não considerada a mesma espécie exigida pela Torá.

Murcha, com parte das folhas caídas, ou de sequeiro, é válida.Por outro lado, permanece válida a aravá que está murcha (mas não completamente seca), aquela da qual caiu apenas parte das folhas, e aquela que cresceu em terra de sequeiro — isto é, irrigada apenas pela chuva, e não junto a um rio ou riacho, ainda que a Torá mencione "salgueiros do ribeiro".

עֲרָבָה גְזוּלָה וִיבֵשָׁה, פְּסוּלָה. שֶׁל אֲשֵׁרָה וְשֶׁל עִיר הַנִּדַּחַת, פְּסוּלָה. נִקְטַם רֹאשָׁהּ, נִפְרְצוּ עָלֶיהָ, וְהַצַּפְצָפָה, פְּסוּלָה. כְּמוּשָׁה, וְשֶׁנָּשְׁרוּ מִקְצָת עָלֶיהָ, וְשֶׁל בַּעַל, כְּשֵׁרָה:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
וְעַרְבֵי נָחַל.
E salgueiros do ribeiro.

A expressão "עַרְבֵי נָחַל" — "salgueiros do ribeiro" — dá nome à quarta espécie, mas o local mencionado ("do ribeiro") não é uma condição absoluta. Como explica o Rambam, poderia surgir a suposição de que a aravá válida é apenas a que cresce junto à água, já que o versículo especifica "do ribeiro"; mas a Torá apenas descreveu o local onde essa espécie costuma crescer, sem excluir a que cresce em terra de sequeiro — daí a mishná declarar válida a "aravá de baal", cultivada sem irrigação artificial ou proximidade de rio.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam esclarece que a menção ao "ribeiro" apenas descreve o lugar comum de crescimento, sem restringir a validade da aravá de sequeiro; Bartenura define a tzaftzafá e confirma que a lei não segue a formulação simples quanto à ponta cortada.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 3:3
שֶׁמָּא יַעֲלֶה עַל הַדַּעַת כִּי עֲרָבָה אֵינָהּ בָּאָה אֶלָּא מִמְּקוֹם הַמַּיִם, לְפִי שֶׁאָמַר הַכָּתוּב עַרְבֵי נָחַל, לֹא רָצָה אֶלָּא לְהוֹדִיעַ הַמִּין בְּאֵיזֶה הַמָּקוֹם שֶׁיִּצְמַח. וְאָמְרוּ נִקְטַם רֹאשָׁהּ פְּסוּלָה, אֵינָהּ הֲלָכָה.

Poderia surgir a ideia de que a aravá só é válida se vier de um lugar próximo à água, pois o versículo diz "salgueiros do ribeiro" — mas essa expressão só quis informar em que lugar essa espécie costuma crescer. E quanto ao que dizem "se sua ponta foi cortada é inválida" — isso não é a lei prática.

Bartenura · Sucá 3:3
נִקְטַם רֹאשָׁהּ פְּסוּלָה. אַף זוֹ אֵינָהּ הֲלָכָה. צַפְצָפָה. מִין עֲרָבָה וְעָלֶה שֶׁלָּהּ עָגֹל. וְשֶׁל בַּעַל. שֶׁגְּדֵלָה בַּשָּׂדֶה וְלֹא בַּנַּחַל, כְּשֵׁרָה. לֹא נֶאֱמַר עַרְבֵי נַחַל אֶלָּא שֶׁדִּבֵּר הַכָּתוּב בַּהֹוֶה.

"Se sua ponta foi cortada é inválida" — também isso não é a lei prática. "Tzaftzafá" — uma espécie de salgueiro cuja folha é redonda. "E a de sequeiro" — que cresce no campo e não junto ao rio, é válida; pois não se disse "salgueiros do ribeiro" senão porque a Torá falou do caso mais comum.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, na Guemará, explica por que a lei de "לָכֶם" (roubo) se aplica a todas as quatro espécies e não apenas ao lulav, e detalha os termos "tzaftzafá", "murcha" e "de sequeiro".

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 33b
מַתְנִי׳ עֲרָבָה גְזוּלָה וִיבֵשָׁה פְּסוּלָה — לְלוּלָב, דְּלָכֶם אַכּוּלְּהוּ קָאֵי. שֶׁל אֲשֵׁרָה וְשֶׁל עִיר הַנִּדַּחַת פְּסוּלָה — דְּכֵיוָן דְּלִשְׂרֵפָה קָאֵי, כְּתוּתֵי מִיכְתַּת שִׁעוּרֵיהּ. צַפְצָפָה — מִין עֲרָבָה, וְעָלֶה שֶׁלָּהּ עָגֹל, כִּדְאָמְרִינַן לְקַמָּן, וּפָסִיל לָהּ קְרָא. כְּמוּשָׁה — פְּלֵירְיָ״א. וְשֶׁל בַּעַל — גְּדֵלָה בַּשָּׂדֶה שֶׁלֹּא עַל הַנָּחָל, וּבַגְּמָרָא יָלֵיף דְּכְשֵׁרָה.

"Mishná: a aravá roubada e seca é inválida" — assim como o lulav, pois a exigência de "לָכֶם" (para vós) se aplica a todas as quatro espécies. "De árvore idólatra e de cidade destruída é inválida" — pois, sendo destinada à queima, sua medida está como que já triturada. "Tzaftzafá" — uma espécie de salgueiro, cuja folha é redonda, como se dirá adiante, e o versículo a invalida. "Murcha" — murchada. "E de sequeiro" — cresce no campo, sem estar junto ao rio, e na Guemará se deduz que é válida.