Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 6 de 15

Se surgiram manchas na maior parte do etrog

עָלְתָה חֲזָזִית עַל רֻבּוֹ, פָּסוּל
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Depois de tratar da origem e do status legal do etrog, a mishná passa a listar os defeitos físicos que o invalidam — manchas, remoção do pitom, descascamento, rachadura, perfuração, falta de matéria — e os casos análogos que, por serem em menor grau, permanecem válidos.

Se surgiram manchas na maior parte dele, se seu pitom foi removido, se foi descascado, rachado, perfurado e lhe falta qualquer quantidade, é inválido.Se manchas do tipo chazazit (pequenas bolhas ou crostas) cobrirem a maior parte da casca do etrog, ou se o pitom (a pequena protuberância no topo do fruto) foi removido, ou se ele foi descascado, rachado, perfurado, ou lhe falta qualquer porção de sua substância, o etrog é inválido — por lhe faltar, em cada um desses casos, a integridade e a beleza exigidas.

Se surgiram manchas em menor parte dele, se seu cabinho foi removido, se foi perfurado sem lhe faltar nada, é válido.Já se as manchas cobrem apenas uma parte menor do fruto, ou se apenas o pequeno caule que o prende ao ramo (ukatz) foi removido, ou se foi perfurado por um objeto fino sem que se tenha perdido nenhuma substância, o etrog permanece válido, pois esses defeitos são considerados menores.

O etrog cushi é inválido. E o verde como alho-porró — Rabi Meir valida, e Rabi Yehudá invalida.Um etrog inteiramente escuro, semelhante à cor característica de um cushi (habitante da terra de Cush), é inválido, por não ter a cor esperada do fruto. Já sobre o etrog de coloração verde, como a de um alho-porró, há divergência: Rabi Meir o considera válido, enquanto Rabi Yehudá o invalida, entendendo que essa coloração também foge do padrão exigido.

עָלְתָה חֲזָזִית עַל רֻבּוֹ, נִטְּלָה פִטְמָתוֹ, נִקְלַף, נִסְדַּק, נִקַּב וְחָסַר כָּל שֶׁהוּא, פָּסוּל. עָלְתָה חֲזָזִית עַל מִעוּטוֹ, נִטַּל עֻקְצוֹ, נִקַּב וְלֹא חָסַר כָּל שֶׁהוּא, כָּשֵׁר. אֶתְרוֹג הַכּוּשִׁי, פָּסוּל. וְהַיָּרוֹק כְּכַרְתִי, רַבִּי מֵאִיר מַכְשִׁיר, וְרַבִּי יְהוּדָה פּוֹסֵל:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
פְּרִי עֵץ הָדָר.
Fruto de árvore formosa.

Toda a lista de defeitos desta mishná decorre, mais uma vez, da palavra "הָדָר" — beleza — que a Torá exige do fruto tomado no primeiro dia da festa. A Guemará (Sucá 35a) chega a propor uma leitura alternativa, "הָדִיר", relacionando a palavra a um sentido de "morada" ou "permanência de espécie" — mas a leitura consagrada continua sendo a de "beleza", que sustenta cada uma das invalidações físicas listadas aqui: manchas, descascamento, rachaduras e perfurações rompem visivelmente essa beleza exigida.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam detalha a medida da perfuração que invalida (o tamanho de um issar) e as condições da mancha em menor parte; Bartenura precisa a diferença entre "descascado" (que ainda tem a beleza) e "faltando" (que a Torá exclui).

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 3:6
פִּטְמָתוֹ הוּא הַדַּד הַיּוֹצֵא מֵעִקַּר הָאֶתְרוֹג. אִם הָיָה הַנֶּקֶב מְפֻלָּשׁ אֲפִלּוּ בְּמַשֶּׁהוּ פָּסוּל, וְאִם אֵינוֹ מְפֻלָּשׁ עַד שֶׁיִּהְיֶה כְּאִסָּר. וְאָמַר חָסֵר כָּל שֶׁהוּא פָּסוּל בְּיוֹם טוֹב רִאשׁוֹן בִּלְבַד, אֲבָל בִּשְׁאָר הַיָּמִים לֹא.

Seu "pitom" é a protuberância que sai do ápice do etrog. Se a perfuração for passante, mesmo mínima, é inválido; e se não for passante, só é inválido quando atingir o tamanho de um issar (moeda pequena). E disseram que "lhe falta qualquer quantidade é inválido" refere-se apenas ao primeiro dia da festa, mas não aos demais dias.

Bartenura · Sucá 3:6
נִקְלַף פָּסוּל. וְדַוְקָא שֶׁנִּקְלַף כֻּלּוֹ, אֲבָל מִקְצָתוֹ כָּשֵׁר. וְהַאי נִקְלַף לָאו שֶׁהוּסְרָה הַקְּלִפָּה עַד שֶׁנִּרְאֶה הַלַּבְנוּנִית שֶׁבְּתוֹכוֹ, דְּהַאי הָוֵי חָסֵר וּפָסוּל, אֶלָּא שֶׁנִּקְלַף מִמֶּנּוּ גֶּלֶד דַּק וּמַרְאֵהוּ יָרֹק כַּאֲשֶׁר בִּתְחִלָּה.

"Foi descascado, é inválido" — especificamente quando foi descascado por completo; mas se foi descascado apenas em parte, é válido. E esse "descascado" não significa que se removeu a casca até aparecer o branco interior — pois isso seria "faltando" e, portanto, inválido — mas sim que se removeu dele uma camada fina, permanecendo sua aparência verde como no início.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica o termo "etrog cushi" e confirma que a lei segue Rabi Yehudá; Rashi, na Guemará, define os termos técnicos "chazazit", "pitom" e "ukatz".

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Sucá 3:6
אֶתְרוֹג הַכּוּשִׁי. שֶׁגָּדַל כָּאן וְהוּא שָׁחוֹר, פָּסוּל. אֲבָל כּוּשִׁי שֶׁגָּדַל בְּאֶרֶץ כּוּשׁ אָרְחֵיהּ הוּא וְכָשֵׁר. וְרַבִּי יְהוּדָה פּוֹסֵל. וַהֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה.

"O etrog cushi" — que cresceu aqui e é escuro, é inválido; mas o etrog escuro que cresceu na terra de Cush, essa é sua cor natural, e é válido. "E Rabi Yehudá invalida" — e a lei segue Rabi Yehudá.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 34b
חֲזָזִית — כְּמִין אֲבַעְבּוּעוֹת דַּקּוֹת. נִטְּלָה פִטְמָתוֹ — רֹאשׁ אֶתְרוֹג, וְדֻגְמָתוֹ הַפִּטְמָא שֶׁל רִמּוֹן. נִטַּל עֻקְצוֹ — זְנָבוֹ. הַכּוּשִׁי — שֶׁבָּא מֵאֶרֶץ כּוּשׁ וְשָׁחוֹר הוּא. כְּרָתִי — כְּרֵישִׁים.

"Manchas (chazazit)" — como uma espécie de pequenas bolhas. "Seu pitom foi removido" — o topo do etrog, semelhante ao pitom da romã. "Seu ukatz foi removido" — seu caudinho. "Cushi" — o que vem da terra de Cush e é escuro. "Kerati" — alho-porró.