Como se faz na semana, assim se faz em Shabat — exceto que enchia-se, na véspera de Shabat, um barril de ouro não consagrado, do Shilôach, e deixava-o na câmara. — Como não seria permitido tirar água da fonte do Shilôach no próprio Shabat, enchia-se já na sexta-feira um barril de ouro comum — deliberadamente não consagrado para uso sagrado — e o guardavam numa câmara do Templo, dali retirando a água necessária para a libação do dia seguinte.
Se derramou, ou se foi exposto, enchia-se da bacia — pois água e vinho expostos são inválidos para o altar. — Caso o barril se derramasse, ou ficasse exposto durante a noite — tornando-se suspeito de contaminação por veneno de serpente —, a água era então retirada da bacia do pátio do Templo, já que água ou vinho deixados expostos são considerados impróprios para uso no altar, do mesmo modo que são proibidos para consumo humano.
A invalidação de água e vinho expostos ("מְגֻלִּין") para o altar segue o mesmo princípio geral das oferendas com defeito: assim como um animal fisicamente danificado não pode ser trazido ao altar, também aquilo que se tornou impróprio para consumo humano — por suspeita de contaminação — não pode ser usado nas libações que acompanham as oferendas. É esse princípio que exige, nesta mishná, que a água exposta durante a noite seja descartada para fins do altar, mesmo que sua aparência não tenha mudado — encerrando, com esse cuidado extremo pela pureza do serviço, tanto a descrição da libação de água quanto o próprio Perek Dalet.
O Rambam explica por que o barril usado em Shabat era deliberadamente não consagrado; Bartenura acrescenta o motivo pelo qual a bacia do pátio, embora consagrada, não se invalida por ficar exposta durante a noite.
O que exigiu que não fosse consagrada, é que, se fosse consagrada — isto é, dos utensílios de serviço — pensariam que a encheram para a santificação das mãos e dos pés, e santificariam suas mãos com ela; por isso, aquele barril permanecia comum.
"Enchia-se da bacia" — e, embora a bacia fosse consagrada como utensílio de serviço, e consagrasse suas águas, elas não se invalidavam por permanecer durante a noite, pois costumavam baixá-la, já à noite, para dentro de um poço. "Pois água e vinho expostos" — essa é a razão pela qual, quando o barril ficava exposto, enchia-se da bacia e não se fazia a libação com aquela água — pois água e vinho expostos são inválidos para o altar.
Rashi, na Guemará, explica por que o barril consagrado ficaria inválido por permanecer durante a noite, esclarecendo a distinção técnica entre um utensílio de serviço comum e um já consagrado com santidade própria.
"E se a trouxesse já consagrada, invalidar-se-ia por permanecer durante a noite" — pois, uma vez consagrada com santidade do próprio corpo do objeto, torna-se equivalente às partes de um sacrifício destinadas ao altar, que se invalidam ao permanecer sem uso durante a noite.