A libação da água, como assim? Uma jarra de ouro, com capacidade de três log, enchia-se no Shilôach. — Buscava-se água na fonte de Shilôach, próxima a Jerusalém, com uma jarra dourada de capacidade fixa.
Chegando ao Portão da Água, tocavam tekiá, teruá e tekiá. Subia pela rampa e virava à esquerda — havia ali dois recipientes de prata. — Ao trazer a água ao Templo pelo Portão da Água, soavam-se as trombetas; o sacerdote subia a rampa do altar e, virando-se à esquerda, encontrava dois recipientes.
Rabi Yehudá diz: eram de cal, mas enegrecidos por causa do vinho. E eram perfurados como duas narinas finas — uma mais grossa e uma mais fina, para que ambas se esvaziassem ao mesmo tempo. O ocidental era de água, o oriental de vinho. Se derramasse o de água no de vinho, ou o de vinho no de água, cumpriu-se. — Um recipiente recebia a água, outro o vinho da libação diária; a perfuração de cada um era calibrada para que ambos os líquidos, de viscosidade distinta, terminassem de escoar simultaneamente — mas, mesmo que se trocassem os líquidos entre os recipientes, o preceito ainda se cumpria.
Rabi Yehudá diz: com um log fazia a libação, durante todos os oito dias. E ao que fazia a libação diziam: levanta tua mão — pois uma vez alguém derramou a água sobre seus próprios pés, e todo o povo o apedrejou com seus etrogim. — Para que ninguém suspeitasse de manipulação da água — já que os saduceus negavam a validade dessa libação — exigia-se que quem a realizasse erguesse visivelmente a mão. O episódio relatado, de um sacerdote saduceu que deliberadamente desviou a água, provocou a fúria do povo, que o apedrejou com os próprios etrogim ali presentes.
A Guemará (Sucá 44a, Taanit 2b) ensina que a palavra "וּנְסָכֵיהֶם" (unessacheihem), grafada de modo peculiar em relação às oferendas de Sucot, contém uma letra adicional que os Sábios leem como aludindo a duas libações — a de vinho, comum a todo o ano, e a de água, exclusiva da festa de Sucot. Trata-se, como no caso da aravá, de uma halachá recebida por Moshé no Sinai, com apenas uma alusão textual, e não uma prescrição explícita — o que explica por que os saduceus, que rejeitavam a tradição oral, negavam sua validade e chegaram, como relata a mishná, ao ponto de sabotá-la publicamente.
O Rambam confirma o caráter de tradição sinaítica da libação de água e o motivo do apedrejamento do sacerdote saduceu; Bartenura detalha o mecanismo técnico dos dois recipientes perfurados.
E a libação da água na festa é halachá recebida por Moshé no Sinai, com alusões ocultas na Torá; e aqueles que não creem na Torá Oral não creem na libação da água. Por isso, quando este derramou a água sobre seus próprios pés, todo o povo o apedrejou com seus etrogim — pois era um saduceu que não cria na libação da água.
"Como duas narinas finas" — uma narina em cada recipiente, com um único orifício em sua narina; e o sacerdote derramava na boca dos recipientes, e as libações escoavam e desciam pelas narinas sobre o topo do altar. "Uma grossa e uma fina" — um dos orifícios era mais grosso, o do vinho, e um mais fino, o da água. "Levanta tua mão" — para que se visse se estava colocando água no recipiente, pois os saduceus não reconheciam a libação da água.
Rashi, na Guemará, descreve com precisão o percurso físico da água e do vinho até os poços do altar, esclarecendo o mecanismo completo por trás da síncrona vazão dos dois recipientes.
"Um grosso e um fino" — um dos orifícios era mais grosso, o do vinho; e um mais fino, o da água. "Para que ambos terminassem juntos" — como se explica na Guemará, a água escoa mais depressa; por isso é necessário que seu orifício seja mais fino, compensando a maior viscosidade do vinho no orifício mais largo.