Como se cumpre o preceito do lulav? O primeiro dia da festa que cai em Shabat: levam-se os lulavim ao Monte do Templo, e os atendentes os recebem deles e os arranjam sobre um banco, e os anciãos deixam os seus na câmara — e ensinam-lhes a dizer: todo aquele a cujas mãos chegar meu lulav, que seja dele de presente. — Na véspera de Shabat, todos levavam seus lulavim ao Monte do Templo, pois não seria possível carregá-los no próprio Shabat. Os atendentes os recebiam e organizavam num banco de pedra; os anciãos, temendo ser empurrados na aglomeração do dia seguinte, tinham permissão de guardar os seus numa câmara separada. E, para evitar que alguém acabasse tomando por engano o lulav roubado de outrem, o tribunal ensinava a todos a declarar antecipadamente que, se seu próprio lulav caísse nas mãos de outra pessoa, este já o consideraria como um presente.
No dia seguinte, madrugam e vêm, e os atendentes os lançam diante deles; e eles arrebatam e se golpeiam uns aos outros. E quando o tribunal viu que chegavam a perigo, instituíram que cada um tomasse em sua própria casa. — No dia seguinte, ao virem buscar seus lulavim, os atendentes simplesmente os lançavam à multidão, que se atropelava tentando recuperar o seu próprio, chegando a se ferir na confusão. Diante desse perigo real, o tribunal aboliu esse costume e instituiu que, dali em diante, cada pessoa tomasse seu lulav em casa mesmo — o procedimento já descrito na mishná anterior do Perek Guimel.
Como já visto nas mishnayot 3:13-14, a exigência de que o lulav do primeiro dia seja "para vós" — de propriedade de quem o toma — é o que exige a declaração de presente antecipado descrita nesta mishná. Sem essa declaração, quem tomasse por engano o lulav de outro, ainda que devolvendo-o depois, não teria cumprido sua obrigação; a fórmula ensinada pelo tribunal resolvia esse problema de forma prática e coletiva, tornando cada lulav potencialmente "presente" de antemão para quem viesse a segurá-lo.
Bartenura explica cada elemento do cenário descrito: quem eram os "atendentes", o que era a "itztaba", e por que os anciãos recebiam tratamento especial.
"Levam-se seus lulavim ao Monte do Templo" — o primeiro dia da festa que cai em Shabat, levam-se os lulavim já na véspera de Shabat. "Os atendentes" — servidores que estavam ali para as necessidades do público. "Sobre o banco" — a praça do Monte do Templo era cercada de bancos de pedra para nele se sentar. "E os anciãos" — que temiam ser empurrados no dia seguinte, quando cada um viesse tomar seu lulav. "E ensinam" — o tribunal ensinava a todo o povo a dizer: se meu lulav chegar à mão de meu companheiro, que seja dele de presente — para que não ficasse em sua posse nem como algo roubado, nem como algo emprestado.
Rashi, na Guemará, esclarece o horário em que o lulav era levado à véspera de Shabat, evidenciando o cuidado em separar essa preparação de qualquer aparência de trabalho proibido no próprio Shabat.
"Aquele que prepara o lulav" — na véspera do dia de festa. "Para si mesmo" — e não para outros.