Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Dalet · Mishná 4 de 10

Como se cumpre o preceito do lulav no Templo

מִצְוַת לוּלָב כֵּיצַד
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Depois de estabelecer quando o lulav suplanta o Shabat, a mishná descreve o procedimento concreto adotado no Templo nesse caso especial — um relato vívido de como a solução prática precisou ser ajustada depois que se revelou perigosa.

Como se cumpre o preceito do lulav? O primeiro dia da festa que cai em Shabat: levam-se os lulavim ao Monte do Templo, e os atendentes os recebem deles e os arranjam sobre um banco, e os anciãos deixam os seus na câmara — e ensinam-lhes a dizer: todo aquele a cujas mãos chegar meu lulav, que seja dele de presente.Na véspera de Shabat, todos levavam seus lulavim ao Monte do Templo, pois não seria possível carregá-los no próprio Shabat. Os atendentes os recebiam e organizavam num banco de pedra; os anciãos, temendo ser empurrados na aglomeração do dia seguinte, tinham permissão de guardar os seus numa câmara separada. E, para evitar que alguém acabasse tomando por engano o lulav roubado de outrem, o tribunal ensinava a todos a declarar antecipadamente que, se seu próprio lulav caísse nas mãos de outra pessoa, este já o consideraria como um presente.

No dia seguinte, madrugam e vêm, e os atendentes os lançam diante deles; e eles arrebatam e se golpeiam uns aos outros. E quando o tribunal viu que chegavam a perigo, instituíram que cada um tomasse em sua própria casa.No dia seguinte, ao virem buscar seus lulavim, os atendentes simplesmente os lançavam à multidão, que se atropelava tentando recuperar o seu próprio, chegando a se ferir na confusão. Diante desse perigo real, o tribunal aboliu esse costume e instituiu que, dali em diante, cada pessoa tomasse seu lulav em casa mesmo — o procedimento já descrito na mishná anterior do Perek Guimel.

מִצְוַת לוּלָב כֵּיצַד. יוֹם טוֹב הָרִאשׁוֹן שֶׁל חָג שֶׁחָל לִהְיוֹת בְּשַׁבָּת, מוֹלִיכִין אֶת לוּלְבֵיהֶן לְהַר הַבַּיִת, וְהַחַזָּנִין מְקַבְּלִין מֵהֶן וְסוֹדְרִין אוֹתָן עַל גַּב הָאִצְטַבָּא, וְהַזְּקֵנִים מַנִּיחִין אֶת שֶׁלָּהֶן בַּלִּשְׁכָּה. וּמְלַמְּדִים אוֹתָם לוֹמַר, כָּל מִי שֶׁמַּגִּיעַ לוּלָבִי בְיָדוֹ, הֲרֵי הוּא לוֹ בְמַתָּנָה. לְמָחָר מַשְׁכִּימִין וּבָאִין, וְהַחַזָּנִין זוֹרְקִין אוֹתָם לִפְנֵיהֶם. וְהֵן מְחַטְּפִין וּמַכִּין אִישׁ אֶת חֲבֵרוֹ. וּכְשֶׁרָאוּ בֵית דִּין שֶׁבָּאוּ לִידֵי סַכָּנָה, הִתְקִינוּ שֶׁיְּהֵא כָל אֶחָד וְאֶחָד נוֹטֵל בְּבֵיתוֹ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
וּלְקַחְתֶּם לָכֶם בַּיּוֹם הָרִאשׁוֹן.
E tomareis para vós, no primeiro dia.

Como já visto nas mishnayot 3:13-14, a exigência de que o lulav do primeiro dia seja "para vós" — de propriedade de quem o toma — é o que exige a declaração de presente antecipado descrita nesta mishná. Sem essa declaração, quem tomasse por engano o lulav de outro, ainda que devolvendo-o depois, não teria cumprido sua obrigação; a fórmula ensinada pelo tribunal resolvia esse problema de forma prática e coletiva, tornando cada lulav potencialmente "presente" de antemão para quem viesse a segurá-lo.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura explica cada elemento do cenário descrito: quem eram os "atendentes", o que era a "itztaba", e por que os anciãos recebiam tratamento especial.

Bartenura · Sucá 4:4
מוֹלִיכִין אֶת לוּלְבֵיהֶן לְהַר הַבַּיִת. יוֹם טוֹב רִאשׁוֹן שֶׁל חָג שֶׁחָל לִהְיוֹת בְּשַׁבָּת מוֹלִיכִין אֶת לוּלְבֵיהֶן מֵעֶרֶב שַׁבָּת. הַחַזָּנִים. שַׁמָּשִׁים שֶׁהָיוּ שָׁם לְצָרְכֵי צִבּוּר. עַל גַּב הָאִצְטַבָּא. רְחָבָה שֶׁל הַר הַבַּיִת הָיְתָה מֻקֶּפֶת בְּאִצְטַבָּאוֹת לֵישֵׁב שָׁם. וְהַזְּקֵנִים. הַדּוֹאֲגִים שֶׁלֹּא יִדְחֲפוּם לְמָחָר כְּשֶׁיָּבֹאוּ לָקַחַת אִישׁ לוּלָבוֹ. וּמְלַמְּדִין. בֵּית דִּין אֶת כָּל הָעָם לוֹמַר, אִם יָבֹא לוּלָבִי אֶל יָד חֲבֵרִי הֲרֵי הוּא שֶׁלּוֹ בְּמַתָּנָה, כְּדֵי שֶׁלֹּא יְהֵא אֶצְלוֹ לֹא גָּזוּל וְלֹא שָׁאוּל.

"Levam-se seus lulavim ao Monte do Templo" — o primeiro dia da festa que cai em Shabat, levam-se os lulavim já na véspera de Shabat. "Os atendentes" — servidores que estavam ali para as necessidades do público. "Sobre o banco" — a praça do Monte do Templo era cercada de bancos de pedra para nele se sentar. "E os anciãos" — que temiam ser empurrados no dia seguinte, quando cada um viesse tomar seu lulav. "E ensinam" — o tribunal ensinava a todo o povo a dizer: se meu lulav chegar à mão de meu companheiro, que seja dele de presente — para que não ficasse em sua posse nem como algo roubado, nem como algo emprestado.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, na Guemará, esclarece o horário em que o lulav era levado à véspera de Shabat, evidenciando o cuidado em separar essa preparação de qualquer aparência de trabalho proibido no próprio Shabat.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 46a
הָעוֹשֶׂה לוּלָב — בְּעֶרֶב יוֹם טוֹב. לְעַצְמוֹ — וְלֹא לַאֲחֵרִים.

"Aquele que prepara o lulav" — na véspera do dia de festa. "Para si mesmo" — e não para outros.