A aravá, sete dias, como assim? O sétimo dia da aravá que cai em Shabat: a aravá é usada por sete dias; e no resto de todos os anos, seis. — Diferentemente do lulav, cuja base bíblica está ligada ao primeiro dia, o preceito de circundar o altar com a aravá é uma halachá recebida por tradição, cuja marca distintiva — de suplantar o Shabat — foi atribuída especificamente ao sétimo dia da festa, para que se tornasse conhecido que se trata de um preceito antigo e não de mero costume. Assim, quando o sétimo dia cai em Shabat, a aravá é usada nesse dia também, resultando em sete dias; quando não, resulta em apenas seis.
A própria "aravá" das quatro espécies já está mencionada neste versículo; mas a Guemará (Sucá 44a) ensina que a circungiração do altar com ramos de aravá é uma prática distinta e mais antiga, recebida por Moshé no Sinai como "halachá leMoshé miSinai" — sem base num versículo explícito que a determine diretamente. Justamente por não ter apoio escrito direto, os Sábios cuidaram de lhe dar um sinal público de sua origem antiga: fizeram-na suplantar o Shabat apenas no sétimo dia — daí a distinção desta mishná entre seis e sete dias.
O Rambam explica que a circungiração com a aravá é costume recebido dos profetas, e que ela suplanta o Shabat apenas no sétimo dia para tornar pública sua origem antiga; Bartenura confirma o mesmo raciocínio de modo sucinto.
Esta aravá é uma halachá recebida por Moshé no Sinai, de tomar a aravá além da aravá que já está no lulav — e é costume dos profetas, que a tomavam sem bênção. E não a fizeram suplantar o Shabat no primeiro dia da festa, para que seu significado não se confundisse com o do lulav... Mas a fizeram suplantar o Shabat quando cai no sétimo dia, para que sua memória se tornasse pública e se soubesse que é uma obrigação.
"O sétimo dia da aravá" etc. — para dar um sinal que permita saber que é da Torá, isto é, uma halachá recebida por Moshé no Sinai. E por causa desse sinal, instituíram que seu sétimo dia suplantasse o Shabat no Templo, pois com a aravá circundavam o altar. E hoje em dia não é senão costume dos profetas, que instituíram ao povo tomar a aravá no sétimo dia, além da aravá que já está no lulav, sem que se recite bênção sobre ela.
Rashi, na Guemará, resume a mesma distinção entre o que vale por transmissão sinaítica e o que decorre da instituição posterior dos profetas.
"No Templo" — por halachá transmitida a Moshé no Sinai. "Fora dele" — por fundamento instituído pelos profetas.