O lulav, sete dias, como assim? O primeiro dia da festa que cai em Shabat: o lulav é tomado por sete dias; e no resto de todos os anos, seis. — Como o preceito da tomada do lulav no primeiro dia da festa tem plena validade bíblica mesmo fora do Templo, ele suplanta o Shabat quando este cai justamente nesse primeiro dia — e assim, nesse ano, o lulav acaba sendo tomado nos sete dias da festa. Mas quando o primeiro dia da festa cai num dia de semana comum, e é outro dia da festa — um dos intermediários — que acaba caindo em Shabat, o lulav não é tomado nesse dia, pois, fora do primeiro dia, sua tomada é apenas de instituição rabínica e não suplanta o Shabat; resultando em apenas seis dias de tomada.
A Guemará (Sucá 43a) explica que apenas "no primeiro dia" a Torá determina a tomada do lulav mesmo "fora dos limites" do Templo — enquanto para os demais dias da festa a alegria diante de D-us descrita no mesmo capítulo é entendida como referindo-se apenas ao Templo. Assim, o primeiro dia possui base bíblica plena mesmo longe de Jerusalém e, por isso, suplanta o Shabat quando cai nele; os demais dias, fora do Templo, dependem apenas da instituição rabínica de Rabán Yochanan ben Zakai, que não suplanta o Shabat — daí o número variável de seis ou sete dias.
O Rambam explica por que, embora a lei permitisse em teoria a tomada do lulav em Shabat mesmo nos demais dias, isso foi cautelarmente restringido; Bartenura acrescenta a razão prática do decreto de não tomar o lulav em Shabat.
A tomada do lulav é obrigatória pela Torá no primeiro dia em todo o mundo, mas sua tomada é obrigatória durante todos os sete dias apenas no Templo. E o que se determinou, de não tomar o lulav em nossos dias em Shabat que cai no primeiro dia da festa, foi para que não introduzíssemos algo novo — pois não o tomávamos fora da Terra de Israel no primeiro dia que caía em Shabat, no tempo em que o Templo existia, porque não sabíamos com exatidão a lua nova fixada pelo tribunal da Terra de Israel.
E a razão por que decretaram não tomar o lulav em Shabat — sendo que sua tomada não envolve nenhum trabalho, apenas mero manuseio — foi um decreto, para que não o tomasse na mão e fosse a alguém versado para aprender a bênção ou a ordem das agitações, e assim o carregasse quatro côvados no domínio público. E essa é também a razão do shofar, e essa é a razão da Meguilá.
Rashi, na Guemará, resume em poucas palavras a distinção central desta mishná: o que vale no Templo por transmissão sinaítica e o que vale fora dele por instituição dos profetas.
"No Templo" — por halachá transmitida a Moshé no Sinai. "Fora dele" — por fundamento instituído pelos profetas.