Shabat em que Tisha BeAv cai dentro dela, é proibido cortar cabelo e lavar roupa; e na quinta-feira são permitidos, por respeito ao Shabat. — Na semana em que o jejum de Tisha BeAv ocorre, estende-se a essa semana inteira a proibição de cortar cabelo e lavar roupas, sinais de luto antecipado; mas se o Shabat seguinte se aproxima, a quinta-feira anterior a Tisha BeAv torna-se uma exceção liberada, permitindo-se essas atividades naquele dia especificamente, para que ninguém entre no Shabat em condição desleixada — a honra do dia sagrado prevalece mesmo sobre o luto pela destruição.
Na véspera de Tisha BeAv, não coma o homem dois pratos cozidos, não coma carne nem beba vinho. Rabán Shimon ben Gamliel diz: deve modificar. Rabi Yehuda obriga virar a cama, mas os sábios não concordaram com ele. — A refeição que precede imediatamente o início do jejum — a última antes de vinte e cinco horas de abstinência — já carrega restrições próprias de luto: apenas um prato cozido, sem carne nem vinho, símbolos de festa e celebração. Rabán Shimon ben Gamliel suaviza um pouco a regra, exigindo apenas alguma modificação perceptível na refeição habitual, sem exigir privação total. Rabi Yehuda vai além, obrigando a prática de virar a cama de cabeça para baixo — um gesto físico de luto profundo, semelhante ao de um enlutado —, mas a maioria dos sábios rejeitou essa exigência como excessiva.
Eichá — a Megilá recitada precisamente na noite de Tisha BeAv — é o texto bíblico que dá forma emocional a todas as restrições práticas desta mishná: a proibição de cortar cabelo e lavar roupa, a refeição simplificada da véspera, o gesto extremo de virar a cama. Cada uma dessas leis é uma tentativa de traduzir em comportamento cotidiano o luto que o próprio verso descreve — a cidade "sentada solitária", "como viúva", chorando de noite sem consolo. A gradação de rigor entre os sábios — desde a simples restrição de dois pratos até a exigência extrema de Rabi Yehuda de dormir no chão como um enlutado — reflete diferentes leituras de quão literalmente o luto de Eichá deve ser encarnado na experiência física de quem se aproxima do jejum, e a rejeição final da posição mais extrema pelos sábios sugere um equilíbrio deliberado entre honrar a memória da destruição e não transformar cada véspera de Tisha BeAv num luto indistinguível da morte de um parente próximo.
Rambam precisa as duas condições técnicas da refeição restrita e explica o sentido exato de "modificar" na posição de Rabán Shimon ben Gamliel.
Esta halachá aplica-se sob duas condições: primeira, que se trate da refeição que efetivamente encerra a possibilidade de comer antes do jejum; segunda, que essa refeição ocorra depois do meio-dia. Mas se comeu antes do meio-dia a refeição que encerra, ou depois do meio-dia mas com a intenção de comer novamente depois, é permitido a ele comer carne e beber vinho. E a afirmação de Rabán Shimon ben Gamliel de que "deve modificar" significa que deve alterar seu costume para reduzir, ou seja, diminuir a abundância de comida e bebida em relação ao habitual. E a halachá não segue Rabi Yehuda.
Rashi explica o motivo exato da exceção de quinta-feira, o conteúdo prático de "dois pratos cozidos" e o gesto físico exigido por Rabi Yehuda.
"Shabat em que cai Tisha BeAv, etc." — refere-se à semana inteira. "Na quinta-feira são permitidos" — se Tisha BeAv cai na véspera de Shabat, é permitido lavar roupa na quinta-feira anterior; e quando Tisha BeAv cai numa quarta-feira, não foi necessário ensinar que é permitido, como se explica na Guemará: só ensinaram essa permissão quando o jejum antecede o Shabat, e não em outras configurações do calendário. "Dois pratos cozidos" — carne e peixe, ou carne e ovo que a acompanha, ou peixe e ovo que o acompanha, como se explica no capítulo "Arvei Pessachim" — a mishná não proíbe qualquer combinação de dois alimentos, mas especificamente duas preparações cozidas substanciais na mesma refeição, sinal de fartura incompatível com a proximidade do jejum. "Deve modificar" — a Guemará explica os detalhes práticos dessa modificação. "Virar a cama" — de cabeça para baixo, e não dormir sobre ela — um gesto que fisicamente incomoda o próprio sono, tornando o luto tangível até no repouso noturno.