Disse-lhes: Saí e trazei um cordeiro da Câmara dos Cordeiros. E eis que a Câmara dos Cordeiros ficava no canto noroeste. E havia ali quatro câmaras: uma, a Câmara dos Cordeiros; e uma, a Câmara dos Selos; e uma, a Câmara do Lar; e uma, a câmara em que faziam o pão da proposição.
Depois de confirmado o amanhecer, o encarregado ordenava que se trouxesse um cordeiro para o serviço do tamid da Câmara dos Cordeiros (Lishkat HaTelaim), onde ficavam guardados os animais já examinados e aptos para a oferenda contínua. Essa câmara situava-se no canto noroeste do grande edifício da Câmara do Lar (Beit HaMoked), que continha ao todo quatro compartimentos. Além da Câmara dos Cordeiros, havia a Câmara dos Selos (Lishkat HaChotamot), onde o encarregado vendia recibos para quem precisava de farinha para as oferendas e vinho para as libações; a Câmara do Lar propriamente dita, onde ardia um fogo permanente para aquecer os sacerdotes de plantão; e a câmara onde se preparava o pão da proposição, que era assado semanalmente para ser colocado sobre a mesa do Santuário. Essas quatro câmaras, situadas no mesmo edifício, davam suporte cotidiano ao funcionamento do Templo.
Rambam explica que já mencionamos, no início deste tratado, que a Câmara do Lar era um edifício grande, e que ali estavam essas quatro câmaras, uma das quais tinha um fogo aceso, chamada “fogueira” já no início do tratado; por isso todo o edifício se chama Câmara do Lar. E quando desenharmos todo o Templo, esclarecer-se-á a ordem dessas câmaras, e como se situavam em relação ao pátio.
Bartenura explica que “da Câmara dos Cordeiros” é a câmara onde ficavam os cordeiros dos tamidim. Sobre a “Câmara dos Selos”: pertencia aos que compravam farinha para a oferenda e vinho para as libações, os quais iam ao encarregado dos selos e lhe davam dinheiro conforme as libações de que precisavam; ele lhes dava um selo, e eles levavam esse selo ao encarregado das libações e recebiam dele as libações. E a câmara onde o encarregado dos selos se sentava chama-se Câmara dos Selos. No tratado Shekalim se explica que havia quatro selos no Templo, com as inscrições: “bezerro”, “carneiro”, “cabrito” e “pecador” — correspondentes, respectivamente, às libações de um touro, de um carneiro, de um cordeiro e de um leproso purificado. Sobre a “Câmara do Lar”: recebe esse nome por causa da fogueira que ali arde continuamente.