Massechet Tamid, o nono tratado de Seder Kodashim, é dedicada à descrição do korban tamid — a oferenda diária permanente, um cordeiro sacrificado toda manhã e toda tarde no altar do Templo, o eixo em torno do qual girava todo o resto do serviço sacerdotal. Diferentemente da maioria dos tratados anteriores de Kodashim, que se organizam em torno de disputas halachicas minuciosas entre sábios, Tamid é majoritariamente narrativo e descritivo: relata, passo a passo e quase sem controvérsia, a rotina sacerdotal que precedia e constituía o serviço diário — desde a guarda noturna do Templo até a queima final das partes da oferenda sobre o altar. Por essa razão, o tratado é breve, com apenas sete perakim curtos, e sua Guemará no Talmud Bavli é notavelmente esparsa, ocupando pouco mais de trinta dafim — menos espaço do que a própria mishná que comenta.
O Perek Alef abre com os três postos onde os sacerdotes faziam guarda no Templo durante a noite, por honra à Casa, e o modo como os sacerdotes de guarda dormiam na Câmara do Fogão, com o procedimento seguido por quem sofria impureza durante a noite (1:1); a imersão madrugadora de quem desejava o privilégio de separar as cinzas do altar, e o sorteio realizado entre os já imersos à chegada do sacerdote encarregado (1:2); a abertura do postigo e a ronda dos sacerdotes pelo pátio, em dois grupos com tochas, inspecionando os utensílios do serviço até se reunirem junto à Câmara dos bolos (1:3); e o próprio ato da remoção das cinzas do altar — a santificação de mãos e pés, a subida solitária à luz da fogueira, e o modo exato de recolher e amontoar as brasas consumidas (1:4). O Perek Bet continua com o trabalho coletivo dos demais sacerdotes, que sobem com pás e garfos assim que veem descer o encarregado das cinzas (2:1); a elevação das cinzas ao Tapuach, o monte central do altar (2:2); a subida das lenhas e a pergunta sobre quais madeiras são aptas para a fogueira do altar (2:3); a arrumação da fogueira grande do lado oriental (2:4); e a separação de lenhas de figueira para a segunda fogueira, do incenso, encerrando com o acendimento de ambas e a descida à Câmara de Pedras Lavradas (2:5). O Perek Guimel, o mais extenso do tratado, acompanha o segundo sorteio e todos os preparativos até a abertura do Santuário: a distribuição dos treze serviços do dia por sorteio (3:1); a verificação do amanhecer com a fórmula “Barkai” (3:2); a busca do cordeiro na Câmara dos Cordeiros e as quatro câmaras do Beit HaMoked (3:3); os noventa e três utensílios e o último exame do cordeiro à luz das tochas (3:4); a casa do abate, com suas colunas e mesas de mármore (3:5); o cesto, o jarro e as duas chaves levados pelos sacerdotes que se adiantam (3:6); a entrada pelo postigo norte e a abertura do portão grande, cujo postigo sul Ezequiel viu selado para sempre (3:7); os sons e aromas do Templo que se diziam alcançar Jericó (3:8); e a limpeza das cinzas do altar interno e do candelabro, com suas duas lâmpadas orientais (3:9). O Perek Dalet, o mais breve do tratado, descreve a degolação do cordeiro do tamid: a akedá do animal e a aspersão do sangue nos cantos do altar (4:1); o esfolamento pendurado pelo joelho perfurado e a entrega de cada membro ao sacerdote sorteado, com a lavagem do estômago e das vísceras (4:2); e a célebre fileira dos nove sacerdotes, cada um segurando a parte do cordeiro — ou a farinha, os bolos, o vinho — que lhe coube no sorteio, antes de descerem à Câmara de Pedras Lavradas para recitar o Shemá (4:3). O Perek Hei acompanha o encerramento litúrgico do serviço matinal: a recitação do Shemá e das três bênçãos ao povo na Câmara de Pedras Lavradas, com o acréscimo especial dos sábados (5:1); o terceiro sorteio, restrito aos sacerdotes ainda não privilegiados com o incenso, e o quarto sorteio, para quem sobe os membros ao altar (5:2); a entrega dos sacerdotes não sorteados aos assistentes, e as janelas rotuladas onde se guardavam as vestes sacerdotais (5:3); a colher de ouro do incenso e o pequeno vaso transbordante em seu interior (5:4); a tomada das brasas na pá de prata e sua transferência para a de ouro, com o pesachter de três usos (5:5); e o lançamento estrondoso da pá entre o vestíbulo e o altar, cujo som convocava sacerdotes e levitas ao serviço (5:6). O Perek Vav acompanha a entrada no Santuário para o serviço central da manhã: a subida às escadas do vestíbulo, precedida pela retirada dos utensílios de quem removera as cinzas do altar interno e da candeia, com a distinção entre a lâmpada oriental, sempre renovada, e a ocidental, da qual se acendiam as demais à tarde (6:1); o empilhamento e achatamento das brasas sobre o altar de ouro, preparando o leito uniforme para a queima do incenso (6:2); e a entrega do vaso pequeno de incenso, a instrução ao sacerdote inexperiente para não se queimar, a ordem formal do encarregado — com a fórmula deferente ao Sumo Sacerdote —, o afastamento do povo e a queima do incenso (6:3). O Perek Zayin, sétimo e último capítulo, encerra o tratado: a entrada do Sumo Sacerdote no Santuário para prostrar-se, amparado por três sacerdotes (7:1); a bênção sacerdotal recitada pelos cinco sacerdotes sobre os degraus do vestíbulo, com o Nome pronunciado tal como está escrito (7:2); a subida à rampa para queimar os membros, o circuito do altar, a libação de vinho com trombetas e címbalos, e o cântico dos levitas pontuado por prostrações (7:3); e, por fim, a lista dos sete salmos diários recitados pelos levitas, um para cada dia da semana, culminando no salmo de Shabat (7:4). Não foi encontrado Rashi sobre Massechet Tamid na base do Sefaria; por isso a seção de mefarshim foi omitida em todo o tratado. Massechet Tamid é o nono tratado de Seder Kodashim a ser concluído. Segue-se agora Massechet Midot, dedicada à descrição arquitetônica do Templo.