Começaram a levantar lenhas para arrumar o fogo da fogueira. E acaso todas as madeiras são aptas para a fogueira? Sim, todas as madeiras são aptas para a fogueira, exceto a de oliveira e a de videira. Mas com estas costumavam: com ramos novos de figueira, e de nogueira, e de árvore de óleo.
Depois de recolhidas as cinzas ao Tapuach, os sacerdotes voltavam a subir, agora com lenhas (gizrin), para arrumar o fogo da fogueira (maaracha) sobre o altar. A mishná formula então uma pergunta didática — se qualquer madeira serve para essa fogueira — e responde afirmativamente, ressalvando apenas duas exceções: a madeira de oliveira e a de videira, ambas excluídas por razões ligadas à economia da Terra de Israel, já que são árvores frutíferas cujo cultivo não convém desperdiçar como lenha. Ainda que, em princípio, qualquer outra madeira fosse permitida, na prática os sacerdotes costumavam usar ramos novos de três espécies específicas: figueira, nogueira e a árvore de óleo — identificada pelos comentaristas com a árvore produtora de bálsamo.
“E os filhos de Aharon, o sacerdote, porão fogo sobre o altar, e arrumarão lenhas sobre o fogo.” Rambam observa, ao explicar esta mishná, que ainda que o próprio fogo descesse do Céu, havia o mandamento de trazer também fogo humano; e o “arrumar da fogueira” de que fala a mishná é justamente esta disposição das lenhas ordenada pelo versículo.
Rambam explica que gizrin são lenhas partidas. Já se explicou, no capítulo sobre o Dia da Expiação, que de todo modo se arruma a lenha sobre o altar todos os dias, na oferenda contínua da manhã e na da tarde; e está escrito no Sifra: “e arrumarão lenhas sobre o fogo” — ainda que o próprio fogo descesse do Céu, é mandamento trazer também do comum. O “arrumar da fogueira” é a disposição das lenhas, pois está dito: “e o sacerdote queimará sobre ela lenhas pela manhã, pela manhã”. Não se queimavam madeiras de oliveira nem ramos de videira, por causa do povoamento da Terra de Israel, e também porque se tornam cinza rapidamente. E quanto ao uso de madeira de figueira, era com figos silvestres, impróprios para comer, também por causa do povoamento da Terra de Israel. Já explicou a Guemará que quem obteve o privilégio de separar as cinzas obtém também o de arrumar a fogueira e os dois lenhos, que são os que se trazem com a oferenda contínua da tarde, como explicamos no segundo capítulo do tratado sobre o Dia da Expiação, e da mesma forma com a oferenda contínua da manhã, como se explica neste tratado.
Bartenura explica que gizrin eram duas lenhas compridas e aplainadas colocadas ao longo da fogueira, pois está escrito (Vayikra 6): “e o sacerdote queimará sobre ela lenhas pela manhã, pela manhã”, ensinando que a fogueira requer dois lenhos. Sobre “acaso todas as madeiras são aptas para a fogueira?”: como a mishná ensinou “começaram a levantar lenhas” sem especificar de que espécie eram, a pergunta esclarece o ponto, e a resposta é que todas são aptas, exceto a de oliveira e a de videira, proibidas por causa do povoamento da Terra de Israel, já que são árvores que carregam frutos; e há quem diga que a razão é que se transformam em cinza rapidamente. Sobre “murbiyot”: ramos de figueira, e especificamente de figueiras ruins, que não produzem fruto. Sobre “árvore de óleo”: a que produz óleo de bálsamo (afarsemon); e Bartenura acrescenta ter ouvido que é a árvore chamada em língua estrangeira “pino”, e em árabe “tzinovar”; e ainda que seja árvore frutífera, não há nela a mesma necessidade de preservação que há na videira e na oliveira, por isso não a proibiram por causa do povoamento da Terra de Israel como proibiram estas duas.