Começaram a levantar as cinzas sobre o Tapuach. E o Tapuach estava no meio do altar; por vezes havia sobre ele como trezentos cores. E nas festividades não o desalojavam das cinzas, porque é enfeite do altar. Nunca, em todos os seus dias, o sacerdote foi negligente em retirar as cinzas.
Depois de afastados os membros e as gorduras que não terminaram de se consumir, os sacerdotes puxavam as cinzas com as pás e as elevavam ao Tapuach — literalmente “maçã”, o monte de cinzas amontoado no meio do altar, assim chamado por sua forma. Às vezes chegava a acumular um volume descrito, com exagero retórico próprio da linguagem dos sábios, como “trezentos cores” — uma quantidade imensa, não literal. Em dias comuns, quando o monte crescia demais, seu excesso era retirado e levado para fora da cidade; mas nas festividades de peregrinação essa remoção não era feita, pois as cinzas amontoadas serviam de enfeite ao altar, sinal visível da grande quantidade de ofertas ali sacrificadas. Ainda assim, a mishná ressalva que, em todos os seus dias, o sacerdote encarregado da remoção das cinzas jamais foi negligente nessa tarefa.
Rambam explica que, depois de os sacerdotes subirem ao topo do altar, retiram as gorduras e os membros que não se queimaram durante toda a noite com aqueles garfos, colocando-os nos lados do altar ou descendo-os pela rampa, como já se referiu; em seguida puxam as cinzas com as pás que têm nas mãos e as elevam sobre a cinza amontoada no meio do altar — chamada Tapuach — formando de tudo uma espécie de monte no meio do lugar da fogueira, no formato de uma maçã, e por isso é chamado Tapuach. Depois disso, varre-se aquele monte e leva-se ao despejo de cinzas, até que se elimine a cinza do altar — o que verdadeiramente se chama “desincensamento do altar” — exceto nas festividades, quando não se retira a cinza do altar, mas apenas se reúne no meio dele até acumular grande quantidade. Quanto ao exagero de “trezentos cores”, não significa uma medida exata, mas expressão retórica; e assim explicou a Guemará: disseram que em três lugares os sábios falaram em linguagem de exagero — a videira, o Tapuach e o véu (parochet) — e esse exagero é modo de dizer, como já explicamos no terceiro capítulo de Nedarim.
Bartenura explica que, depois de afastados para os lados ou para o rebordo os membros e as gorduras que não se consumiram, os sacerdotes puxavam a cinza com as pás que tinham nas mãos e a elevavam ao Tapuach, como um grande monte de cinza que havia no meio do altar, amontoado e feito em forma de maçã. Sobre “por vezes havia sobre ele como trezentos cores”: ensina-se com exagero, pois nunca de fato deixaram acumular sobre ele trezentos cores. Sobre “e nas festividades não o desalojavam”: não retiravam a cinza para fora, ainda que estivesse abundante sobre o altar. Sobre “porque é enfeite ao altar”: para que parecesse que muitas ofertas haviam sido oferecidas sobre o altar. Sobre “nunca foi negligente”: ou seja, o fato de haver tanta cinza não se devia à negligência dos sacerdotes, mas era deixado como enfeite, para mostrar que muitas ofertas foram trazidas sobre o altar.