Não amarravam o cordeiro, mas o atavam em akedá. Os que venceram no sorteio dos membros o seguravam. E assim era sua akedá: sua cabeça para o sul e seu rosto para o oeste. O degolador ficava de pé no leste, e seu rosto para o oeste. O tamid da manhã era degolado no canto noroeste, na segunda argola. O da tarde era degolado no canto nordeste, na segunda argola. O degolador degolava, e o recebedor recebia o sangue. Ia ao canto nordeste e aspergia para o leste e para o norte; ao sudoeste, e aspergia para o oeste e para o sul. O restante do sangue derramava sobre a base sul do altar.
Este primeiro segmento do Perek Dalet detalha, com precisão técnica, o momento inicial do serviço do tamid: a imobilização do animal. Ao contrário do costume dos gentios, que amarravam as quatro patas do animal juntas ao sacrificá-lo a seus ídolos, os sacerdotes atavam apenas uma pata dianteira à correspondente pata traseira — procedimento chamado de akedá, em alusão direta à ligação de Isaque por Abraão no Monte Moriá. Os sacerdotes que haviam vencido, no sorteio anterior, o direito de carregar os membros do animal até a rampa seguravam o cordeiro nessa posição, com a cabeça voltada para o sul e o rosto para o oeste, de modo que, se o animal expelisse excremento, isso não ocorresse junto ao altar. O degolador posicionava-se a leste do animal, voltado para o oeste. O local exato da degolação variava conforme o horário: pela manhã, no canto noroeste do altar, porque o sol nascente no leste iluminava esse lado; à tarde, no canto nordeste, porque o sol poente no oeste iluminava o lado oposto — em ambos os casos, sobre a segunda das argolas fixadas ao piso, distante o suficiente do altar para não ficar na sombra de sua estrutura elevada. Após a degolação, o sacerdote recebedor recolhia o sangue e o aspergia em dois pontos do altar — o canto nordeste e o canto sudoeste — de modo que cada aspersão atingisse as duas faces adjacentes ao respectivo canto, totalizando as quatro aplicações exigidas para um sacrifício de holocausto. O sangue restante era despejado junto à base sul do altar.
Rambam explica que o cordeiro não era amarrado para que os sacerdotes não imitassem as nações, que amarravam seus sacrifícios; mas apenas seguravam sua mão e sua perna, e é a isso que se referem ao dizer “akedá de mão e pé, como Isaque filho de Abraão”. O tamid da manhã era degolado no lado oeste do local de degolação, para ficar voltado para o sol; e o tamid da tarde era degolado no lado leste, pois o sol então estava no oeste, para que também ficasse voltado para o sol — conforme o versículo “dois para o dia”, que os sábios entenderam como correspondendo, dia após dia, à posição do sol. Rambam remete ao quinto capítulo de Zevachim, onde já se explicou que o sangue do holocausto requer duas aplicações que equivalem a quatro, feitas em diagonal sobre dois cantos do altar; e aqui se esclarece que esses dois cantos são o nordeste e o sudoeste. Rambam lembra ainda, do fim de Massechet Maasser Sheni, que Yochanan, o Kohen Gadol, instituiu argolas fixadas no chão do local de degolação, no pátio, presas ao solo, para nelas prender as patas e a cabeça do animal no momento da degolação — já que, como explicado, não era permitido amarrá-lo pelas quatro patas.
Bartenura explica que “não o amarravam” significa que não atavam o tamid pelas duas patas dianteiras juntas nem pelas duas traseiras juntas, para não agir segundo os costumes dos gentios, que assim faziam ao degolar para a idolatria. Sobre “mas o atavam em akedá”: a mão com a perna, como na Akedá de Isaque. Sobre “sua cabeça para o sul”: era degolado no lado norte do altar, conforme a lei do holocausto, e sua cabeça se inclinava para o sul e seu rosto para o oeste, para que, se expelisse excremento, isso não ficasse junto ao altar. Sobre “o da manhã”: o sacrifício do tamid da manhã era degolado no canto noroeste, porque pela manhã o sol está no leste e brilha em direção oposta, para o oeste, e o versículo diz “dois para o dia”, correspondendo ao dia, isto é, correspondendo ao sol, pois o sol é chamado de “dia”. Sobre “e o da tarde”: como o sol está no oeste e ilumina em direção ao leste, era degolado no canto nordeste. Sobre “na segunda argola”: distante do altar, porque o altar era alto e projetava sombra sobre tudo. E Yochanan, o Kohen Gadol, instituiu seis fileiras de argolas, cada fileira com quatro argolas, para as vinte e quatro turmas sacerdotais, fixadas no piso em forma de arco; e, como não amarravam o tamid, conforme ensinado no início deste capítulo, faziam passar o pescoço do animal por essas argolas no momento da degolação, cravando a extremidade da argola no chão. Sobre “e aspergia para o nordeste”: em primeiro lugar. Depois de degolar o tamid da manhã no canto noroeste, o sacerdote ia para o lado leste, ficava de pé no chão e aspergia o sangue do vaso abaixo do fio de tinta vermelha, aplicando duas aplicações que equivalem a quatro — uma que vale por duas no canto nordeste, e então ia ao canto sudoeste e aplicava outra que vale por duas no canto sudoeste.