Não se coloca figo prensado (develá) e figo seco (gerogarot, ambos de teruma) dentro do molho de peixe salgado (murias), porque isso os perde (o costume era espremer os figos ali dentro para extrair seu líquido e depois descartá-los, o que constitui destruição da teruma). Mas coloca-se o vinho no molho de peixe (pois o vinho é normalmente adicionado ao murias para adoçá-lo e dar-lhe sabor, não sendo em si perdido, mas incorporado e consumido no produto final). E não se perfuma o azeite (de teruma, misturando-o com raízes aromáticas, pois isso o torna impróprio para consumo, transformando-o em óleo de unção que já não serve como alimento), mas se faz do vinho um "ienomelin" (vinho misturado com mel e pimenta, uma bebida que continua própria para consumo, ao contrário do azeite perfumado). Não se ferve o vinho de teruma, porque isso o diminui (o cozimento reduz o volume do vinho, causando perda da teruma). Rabi Yehudá permite (ferver o vinho de teruma), porque isso o aperfeiçoa (em sua visão, o vinho fervido se conserva melhor e ganha em qualidade, não sendo portanto uma perda, mas uma melhoria — opinião individual que a halachá não segue).
Com esta mishná abre-se o Perek Yud-Alef, último do tratado, dedicado às regras de processamento e uso da teruma já separada — o que dela se pode fazer sem incorrer em perda proibida (ibbud), fundamentado na exigência bíblica de que o cohen desfrute plenamente da porção que lhe foi consagrada.
Por que colocar figos no molho de peixe é proibido, mas colocar vinho é permitido? A distinção repousa no destino final do produto: quando se coloca a develá e a gerogarot no murias, o costume era espremê-las e depois jogá-las fora — o próprio alimento de teruma é descartado, configurando perda pura e simples. O vinho, ao contrário, permanece incorporado ao molho, sendo consumido junto com ele; nada se perde, apenas se transforma de uma forma de consumo (bebida pura) para outra (tempero de um prato). O mesmo raciocínio rege o azeite: perfumá-lo com raízes aromáticas o torna "sabão" ou óleo cosmético, tirando-o da categoria de alimento, enquanto misturar vinho com mel e pimenta (ienomelin) preserva sua natureza de bebida consumível. Quanto ao vinho fervido, a maioria dos sábios considera que o cozimento necessariamente reduz seu volume — uma perda direta da quantidade de teruma —, e por isso o proíbe; Rabi Yehudá, isoladamente, valoriza mais a melhoria qualitativa do que a redução quantitativa, mas sua opinião não prevalece.
O Rambam codifica esta lei em Hilchot Terumot, no capítulo dedicado ao uso e processamento da teruma pelo cohen.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná, que abre o Perek Yud-Alef, último do tratado.
"Murias" é conhecido (o molho de peixe salgado, produzido a partir de peixes pequenos macerados em salmoura). "Perfumam o azeite": isto é, o adoçam ou o perfumam com substâncias de bom cheiro, pois essas substâncias mudam o sabor do azeite e o retiram de sua natureza própria, transformando-o na categoria dos óleos que os médicos preparam, que não são próprios para consumo.
E "ienomelin" é algo misturado de azeite, vinho, mel e pimentas (o Rambam observa que existe variação entre as fontes sobre se o ienomelin contém azeite ou não; a mishná fala apenas em vinho, mel e pimenta). E é sabido que o vinho, quando fervido, diminui em seu cozimento, mas seu sabor e cheiro se tornam mais aperfeiçoados (o Rambam reconhece o argumento de Rabi Yehudá como fisicamente correto — o vinho fervido de fato melhora em qualidade —, mas isso não muda a conclusão legal). E a halachá não é como Rabi Yehudá (pois a redução quantitativa constitui perda proibida da teruma, independentemente do ganho qualitativo).
"Não se coloca figo prensado e figo seco": de teruma. "Dentro do molho de peixe": a gordura dos peixes (o murias é um caldo salgado extraído de peixes pequenos). "Porque isso os perde": pois é costume que a develá e a gerogarot colocadas no murias sejam espremidas para extrair sua água, e depois se descartem (o objetivo do processo já pressupõe o descarte final do próprio alimento de teruma).
"Mas colocam-se o vinho no molho de peixe": era costume colocar vinho no murias — que não tinha tanta gordura — para adoçá-lo e lhe dar sabor. Por isso, é permitido colocar vinho de teruma nele, e não dizemos que ele é colocado apenas para remover o mau cheiro e por isso equivaleria a perdê-lo (diferentemente da cebola de 10:1, aqui a função do vinho é efetivamente incorporar-se e ser consumido, não apenas neutralizar odor).
"Não se perfuma o azeite": de teruma com raízes de especiarias, pois elas absorvem o azeite e ele se perde; ou ainda porque o azeite não fica próprio para consumo quando perfumado.
"Ienomelin": coloca-se dentro do vinho mel e pimentas. "Diminui-o": pois se reduz e diminui por meio do cozimento. E há quem interprete que o diminui de seus bebedores, pois as pessoas não costumam beber vinho fervido como bebem o vinho cru (interpretação alternativa: a perda não é de volume físico, mas de valor de mercado, já que menos pessoas desejam vinho cozido).
"Porque isso o aperfeiçoa": e se conserva mais. E a halachá não é como Rabi Yehudá.