E, do mesmo modo, um barril de azeite (de teruma) que se derramou (acidentalmente no chão): não se obriga o dono a ficar sentado limpando (metapêach — recolhendo com esmero cada resquício de azeite espalhado, esfregando o chão até não restar traço algum), mas procede com ele do mesmo modo que se procede com o produto comum (exatamente como faria se fosse um barril de chulin derramado — limpando o que é prático e razoável limpar, sem exigir um padrão de precisão excepcional apenas porque se trata de teruma).
Esta mishná repete, para o caso do azeite derramado, o mesmo princípio de proporcionalidade estabelecido na mishná anterior para o celeiro de trigo — o dever de zelo pela teruma tem limites de razoabilidade prática.
Por que a mishná repete, com um segundo exemplo, o mesmo princípio já estabelecido para o celeiro? Os comentadores explicam que a repetição não é redundante: o celeiro (11:6) trata de um sólido — grãos de trigo, que poderiam em teoria ser individualmente recolhidos, ainda que a mishná dispense esse esforço por impraticabilidade. O barril de azeite trata de um líquido, cuja natureza física torna a "recuperação total" ainda mais claramente impossível — uma vez absorvido pelo solo ou espalhado pela superfície, não há como restaurá-lo à sua forma original de teruma utilizável. Ao apresentar os dois casos em sequência, a mishná ensina que o princípio de razoabilidade se aplica tanto a sólidos quanto a líquidos, e que, em ambos os casos, o padrão de conduta esperado do dono é idêntico ao que ele aplicaria a seu próprio produto comum — nem mais, nem menos, cuidado.
O Rambam codifica esta lei em Hilchot Terumot, na mesma halachá que trata do celeiro esvaziado, unificando os dois casos em uma só formulação.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Metapêach": derivado de "téfach" (a palma da mão, sugerindo o gesto de apalpar ou esfregar com as mãos), e seu sentido é que não obrigamos o dono a ser minucioso na coleta do azeite do chão até não deixar ali nenhuma umidade, mas apenas recolhe como recolheria se ali se tivesse quebrado um barril de azeite de chulin (o Rambam esclarece a etimologia do termo técnico da mishná, confirmando que ele designa precisamente o esforço extra e desproporcional que a halachá dispensa).
"Metapêach": reúne o azeite com a palma de sua mão, isto é, limpa-o com os dedos (o Bartenura descreve concretamente o gesto que a mishná dispensa: passar os dedos pelo chão para recolher cada resquício de azeite, um esforço manual minucioso que excede o padrão normal de limpeza).