Separa-se teruma de uma cebola pequena inteira (mesmo sendo de tamanho reduzido, por ser um corpo completo, o que favorece sua conservação), mas não de metade de uma cebola grande (ainda que, em volume, seja maior e portanto de "melhor" qualidade). Rabi Yehudá diz: não é assim (discorda desta preferência pela unidade inteira), mas sim de metade de uma cebola grande (pois considera que o tamanho e a qualidade prevalecem sobre a inteireza). E assim também dizia Rabi Yehudá: separa-se cebola dos habitantes da cidade sobre a dos aldeões (mesmo sendo variedades diferentes em qualidade), mas não da dos aldeões sobre a dos habitantes da cidade, pois esta é comida de notáveis (a cebola da cidade é considerada alimento superior, próprio de gente refinada, e por isso não se pode substituí-la pela cebola comum da aldeia).
Aplica-se aqui, a um caso concreto, a mesma exigência de mesma espécie de 2:4 — pois metade de uma cebola grande e uma cebola pequena inteira são consideradas, tecnicamente, a mesma espécie (a cebola), mas o debate entre a mishná e Rabi Yehudá gira em torno de qual delas melhor cumpre a exigência de "o seu melhor" e de conservação.
Por que a mishná prefere a cebola pequena inteira à metade de uma cebola grande, mesmo esta sendo maior em quantidade? A explicação está na natureza física da cebola: cortada ao meio, ela perde rapidamente sua capacidade de conservação, murchando e apodrecendo com facilidade — o que a torna inadequada para o período que separa a colheita da entrega efetiva ao cohen. A cebola pequena, mantida inteira, embora de menor volume, se conserva por muito mais tempo. A mishná, portanto, prioriza aqui não o volume, mas a durabilidade — como já visto em 2:4, quando não há cohen presente. Rabi Yehudá discorda porque entende que "o seu melhor" (Bemidbar 18:30) deve ser medido sempre pela qualidade e quantidade do produto, e não pela sua forma de conservação — por isso prefere a metade da cebola grande, presumivelmente de sabor e qualidade superiores.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, imediatamente após a exigência geral de "do melhor".
O Rambam decide como os sábios anônimos da mishná, contra Rabi Yehudá, tanto quanto à preferência pela cebola inteira quanto — implicitamente, ao não mencionar a distinção entre cebola da cidade e da aldeia — quanto à segunda parte da mishná, que fica sem paralelo direto em seu código.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Cebola pequena inteira": segundo a opinião do primeiro tanna (o sábio anônimo), ela é mais adequada tanto no lugar onde há cohen, por ser melhor junto a ele, quanto no lugar onde não há cohen, por se conservar mais. E "cebolas dos habitantes da cidade" são cebolas grandes.
E "cufrin" refere-se a uma aldeia conhecida (כְּפָר), sendo cebolas provenientes das aldeias, que são as pequenas. E Rabi Yehudá entende que a cebola grande é a melhor, e disse "mas não das aldeãs sobre as da cidade"; e Rabi Yehudá trouxe prova de que a cebola grande é de fato melhor, pois é alimento de politikin — que são pessoas refinadas e mimadas, ricas e abastadas em seu sustento. E a lei não segue Rabi Yehudá.
"Separa-se cebola pequena inteira": porque ela se conserva.
"E não metade de uma cebola grande": ainda que esta seja melhor que aquela.
"Rabi Yehudá diz: não é assim": Rabi Yehudá segue seu próprio critério, pois diz (em 2:4) que sempre se separa do melhor.
"Dos habitantes da cidade": as cebolas dos habitantes da cidade são melhores para comer que as dos aldeões, mas as dos aldeões se conservam mais.
"Pois é comida de politikin": as cebolas dos habitantes da cidade são alimento de pessoas importantes, e são melhores que as dos aldeões. Politikin: gente da corte dos reis (palacianos, nobres).