O que separa parte da teruma e dos dízimos (isto é, pretendia separar uma certa quantia como teruma ou como dízimo, mas de fato separou apenas uma fração menor dela), retira dele (do mesmo monte de produto) teruma sobre ele (pode completar, a partir do restante do próprio monte, a quantidade que faltava), mas não de outro lugar (não pode buscar o complemento em outro monte de produto). Rabi Meir diz: retira também de outro lugar teruma e dízimos (permite completar a separação a partir de um monte distinto).
Com esta mishná abre-se o Perek Dalet, dedicado à medida da teruma (o shiur), à sua separação por um agente segundo a intenção do dono, e às regras de bittul quando teruma cai em produto comum sem se saber ao certo onde.
Por que quem separou apenas parte do que pretendia pode completar a partir do mesmo monte, mas — segundo os sábios — não de outro lugar? A designação de teruma exige que "boca e coração" estejam alinhados: a pessoa deve pretender separar uma porção específica de um produto específico. Quando ela já começou a agir sobre um determinado monte com essa intenção, o mesmo monte continua "disponível" (מֻקָּף, mukaf) para completar a separação original — é, em certo sentido, a mesma operação, apenas concluída em duas etapas. Já buscar o complemento em outro monte seria, para os sábios, uma nova separação sobre produto que não estava "encostado" (mukaf) ao primeiro no momento da designação original — o que fere o princípio geral de que teruma só se separa validamente sobre produto do mesmo lugar. Rabi Meir, mais permissivo aqui, entende que a intenção original de separar aquela quantia específica já basta para autorizar seu complemento em qualquer monte do mesmo dono.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam, no capítulo dedicado à medida (shiur) da teruma e às consequências de separar menos do que se pretendia.
O Rambam segue aqui a opinião dos sábios contra Rabi Meir — decidindo que o que foi separado antes de completar a intenção original ainda não tem status de teruma, e que o complemento deve vir necessariamente do mesmo monte, não de outro.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná, que abre o Perek Dalet.
Quando a intenção da pessoa é separar teruma e dízimos deste monte — cem seá de uma seá, ou de sessenta, ou de quarenta, conforme seu costume —, e sua intenção recai sobre uma medida determinada, mas depois ela separa menos do que essa medida: o que separou não é teruma alguma, pois ela não pretendia separar senão a medida que planejou, e não a separou. Trata-se, então, apenas de quem dividiu o monte (em duas partes, sem consagrar nenhuma). Por isso será necessário separar, daquilo que já foi separado, conforme sua intenção original, para corrigir aquela parte que já havia separado — pois ela ainda é tevel (produto ainda não desobrigado de teruma) — e não pode separar de outros produtos sobre essa parte, já que sua intenção inicial não era separar de outros produtos, mas deste mesmo monte.
E os sábios dizem que não se retira teruma sobre aquela parte de outro lugar; e Rabi Meir diz que se retira de outro lugar, isto é, de outro monte; e a lei não segue Rabi Meir.
"O que separa parte da teruma e dos dízimos": por exemplo, quando sua intenção era separar um cinquentavos, mas separou apenas um centésimo.
"Retira dele teruma sobre ele": completa, a partir do próprio monte, até atingir a medida que pretendia.
"Mas não de outro lugar": não completa a medida a partir de outro monte.
"E os sábios dizem: não se retira de outro lugar" (contra a opinião de Rabi Meir). E a lei segue os sábios.