Dois cestos e dois celeiros nos quais caiu uma seá de teruma dentro de um deles, e não se sabe em qual deles caiu (a incerteza aqui é sobre qual dos dois recipientes distintos recebeu a teruma, e não sobre a variedade do produto dentro de um único recipiente, como nas mishnayot 4:8-4:10): elevam-se um ao outro (os dois recipientes se combinam, e o total de ambos serve de base para calcular se a proporção de bittul foi atingida — mesmo estando fisicamente separados em recipientes distintos). Rabi Shimon diz: mesmo que estejam em duas cidades (diferentes, geograficamente distantes uma da outra), elevam-se um ao outro (Rabi Shimon estende a regra de combinação além do limite espacial imediato, aplicando-a mesmo quando os dois recipientes estão em locais completamente separados).
Esta mishná estende o princípio de "elevação mútua" (visto em 4:8-4:10 para variedades de um mesmo produto misturado) ao caso de recipientes fisicamente separados — uma extensão significativa que Rabi Shimon leva ainda mais longe, ao ponto de dispensar até mesmo a proximidade geográfica.
Por que dois cestos ou celeiros fisicamente separados podem "se elevar" mutuamente, como se fossem um só conjunto para fins de bittul — e até que ponto essa separação física pode ir, segundo Rabi Shimon? A lógica é que a incerteza sobre onde a teruma caiu — desde que seja uma incerteza genuína e simetricamente distribuída entre as duas possibilidades — permite tratar ambos os locais como uma unidade lógica única para efeitos de cálculo, independentemente da distância física real entre eles. Rabi Shimon leva essa lógica ao extremo: mesmo que os dois celeiros estejam em cidades diferentes, a incerteza sobre onde a teruma efetivamente caiu não é afetada pela distância geográfica — o que importa é apenas que não se saiba, com certeza, qual dos dois locais a recebeu. Os sábios anônimos da primeira parte da mishná, presume-se, exigiriam algum grau de proximidade física ou contextual entre os dois recipientes para que a incerteza seja considerada "real" o suficiente para justificar a combinação — mas o texto, tal como preservado aqui, não especifica esse limite com precisão, deixando a Rabi Shimon a tarefa de esclarecer que, para ele, mesmo a distância entre cidades não rompe essa lógica.
O Rambam não dedica uma halachá específica e isolada a este caso preciso de dois cestos ou celeiros separados, nem à extensão de Rabi Shimon para cidades diferentes — apoiando-se, como nas mishnayot anteriores sobre bittul, no princípio geral de medumá. Registra-se aqui, honestamente, a ausência de uma halachá dedicada a este caso específico de incerteza entre recipientes fisicamente distintos.
O mesmo princípio geral de incerteza que já sustentou o cálculo dos figos pretos e brancos (mishná 4:9) e das camadas prensadas (mishná 4:10) é a base conceitual para o caso de dois recipientes inteiramente separados — sem que o Rambam formule, contudo, uma halachá dedicada a esta extensão específica proposta por Rabi Shimon.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Dois cestos e dois celeiros nos quais caiu uma seá de teruma dentro de um deles, e não se sabe em qual deles caiu: ambos se combinam para calcular a anulação da teruma na proporção de cem e mais, como já explicamos a respeito dos figos pretos e brancos. E Rabi Shimon acrescenta que, mesmo que os dois cestos ou os dois celeiros estivessem em duas cidades, combinam-se, já que a dúvida é igual em ambos. E a lei não segue Rabi Shimon.
"Dois cestos e dois celeiros": de produto comum.
"Nos quais caiu uma seá de teruma dentro de um deles, e não se sabe em qual deles caiu, elevam-se um ao outro": como no caso dos figos pretos e brancos já explicado acima, e é necessário que em ambos, juntos, haja cem e mais.
"Rabi Shimon diz: mesmo que estejam em duas cidades, elevam-se um ao outro": já que a dúvida é igual em ambos, ainda que estejam distantes um do outro. E a lei não segue Rabi Shimon.