Como assim (exemplificando o princípio geral da mishná anterior)? Cinquenta figos pretos e cinquenta brancos (um monte com o mesmo número de cada cor), caiu um preto (entre eles, sendo teruma): os pretos ficam proibidos e os brancos permitidos (pois se sabe que foi um figo preto que caiu, apenas o conjunto dos pretos — cinquenta e um, incluindo o que caiu — precisa de cálculo de bittul, permanecendo proibido enquanto não atingir a proporção necessária; os brancos, que não receberam a teruma, ficam livres). Caiu um branco, os brancos ficam proibidos e os pretos permitidos (pelo mesmo raciocínio, invertido). Quando não se sabe o que caiu (se foi um figo preto ou um branco), elevam-se um ao outro (combinam-se os cem figos, pretos e brancos juntos, para calcular a proporção de bittul da única unidade de teruma que caiu entre eles, já que não se pode isolar com certeza qual grupo especificamente a recebeu). Nisto (neste caso de dúvida sobre a cor) Rabi Eliezer é rigoroso, e Rabi Yehoshua é fácil (discordam sobre o grau de rigor aplicável a essa situação específica de incerteza, retomando a disputa mais ampla da mishná anterior sobre a exigência do bittul).
Esta mishná é a aplicação numérica concreta do princípio geral já apresentado em 4:8, aprofundando a distinção entre os casos em que a cor do figo que caiu é conhecida e aqueles em que permanece incerta.
Por que, quando se sabe que caiu um figo preto, os brancos ficam totalmente permitidos, sem qualquer necessidade de cálculo? A regra de bittul (anulação por diluição) e a regra de "elevação mútua" entre variedades (vista em 4:8) aplicam-se apenas quando há incerteza real sobre onde a teruma se encontra fisicamente. Quando se sabe com certeza que o figo caído era preto, não há qualquer dúvida sobre os brancos — eles simplesmente nunca estiveram em contato com a teruma, e por isso permanecem, desde o início, totalmente permitidos, sem necessidade de qualquer cálculo de proporção. Apenas o grupo dos pretos — agora contendo cinquenta e uma unidades, uma das quais é teruma — precisa da regra de bittul (que exige cem e mais, conforme 4:7) para determinar se a proibição se dissolve. Como o grupo de pretos tem apenas cinquenta e um, abaixo do limiar de bittul, permanece proibido até que se separe fisicamente a quantidade equivalente à teruma. É apenas quando não se sabe qual cor caiu que a incerteza obriga a tratar os cem figos como um todo único para o cálculo — e é sobre a extensão exata dessa regra de incerteza que Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua discordam.
O Rambam não dedica uma halachá específica e isolada a este exemplo numérico exato dos cinquenta figos pretos e cinquenta brancos — ele se apoia no princípio geral de medumá e bittul já citado nas mishnayot 4:7-4:8. Registra-se aqui, honestamente, a ausência de uma halachá dedicada a este caso numérico específico, cuja aplicação prática decorre diretamente dos princípios já codificados.
O princípio geral de que a incerteza sobre o local exato da queda exige tratar o conjunto de acordo com regras específicas de maioria ou combinação — aqui aplicado ao caso de figos de duas cores — é o que sustenta a distinção desta mishná entre os casos de certeza (onde apenas o grupo correspondente é afetado) e os de dúvida genuína (onde ambos os grupos se combinam).
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Quando a pessoa sabe em qual das duas espécies caiu a teruma — por exemplo, se sabe que um figo preto que era teruma caiu entre estes cinquenta figos pretos —, não há dúvida de que apenas os pretos ficam proibidos até que se eleve o cálculo, pois são apenas cinquenta e um e não se elevam (não atingem a proporção de bittul). Mas os brancos, entre os quais não caiu teruma alguma, ficam permitidos sem dúvida.
E se não se sabe em qual das duas espécies caiu, ambas se combinam juntas para calcular a anulação da teruma, pois a teruma necessariamente se misturou dentro do conjunto total das cem. Mas se se sabe em qual dos dois grupos caiu, não é correto combinar o grupo em que ela absolutamente não caiu — e esta é a discordância entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua, como se explicará na halachá seguinte.
"Como assim": explica-se de que modo os figos pretos elevam os brancos.
"Caiu um preto, os pretos ficam proibidos": quando se sabe que caiu um figo preto, os pretos que restaram junto com o que caiu — que são cinquenta e um — ficam proibidos até que se eleve na proporção de cem e mais, e não se elevam, pois são apenas cinquenta e um.
"E os brancos ficam permitidos": pois não caiu teruma alguma entre eles.
"Quando não se sabe o que caiu, elevam-se um ao outro": os pretos e os brancos se combinam juntos até cem e mais, e tudo fica permitido, exceto a quantidade equivalente à teruma.
"Nisto Rabi Eliezer é rigoroso, e Rabi Yehoshua é fácil": se explicará na próxima mishná de que modo.